Aventura
high tech
Com
a ajuda de satélites, internautas
de 30 países participam de caça ao
tesouro ao redor do mundo
Luís
Fernando Tinoco
Uma
nova brincadeira está virando mania entre internautas
do mundo inteiro. É uma versão tecnológica
da caça ao tesouro, um divertimento que, em sua forma
tradicional, faz a alegria da criançada em acampamentos
de férias. A diferença é que, em vez
de pistas e prêmios escondidos debaixo de mesas e bancos
de jardim, nessa nova modalidade a caçada é
planetária. Orientados por sinais de satélites
e informações trocadas pela internet, os participantes
têm de achar brindes escondidos em lugares tão
diferentes quanto as pirâmides de Gizé, no Egito,
uma floresta na Austrália ou um cânion no interior
dos Estados Unidos.
Batizada de geocaching, a caça ao tesouro global oferecia
na semana passada mais de 1.000
prêmios, escondidos em trinta países, incluindo
Bolívia, Quênia, Arábia Saudita e Estônia
(nenhum no Brasil até agora), com a participação
de cerca de 15.000 internautas.
Além de colher informações na rede de
computadores, cada um deles utiliza um aparelho GPS (sigla
em inglês para sistema de posicionamento global), espécie
de bússola eletrônica que indica, via satélite,
o ponto exato do planeta onde está escondido um determinado
prêmio.
O jogo funciona da seguinte maneira. Alguém coloca
um brinde qualquer dentro de uma caixa impermeável
e o esconde onde bem entender. Em seguida, anota as coordenadas
geográficas do ponto do esconderijo marcadas pelo GPS
e as publica na internet. Se quiser, pode acrescentar outras
pistas que considerar úteis. Os caçadores só
têm de imprimir a página com os dados do tesouro
e iniciar a busca, devidamente guiados por outro GPS.
Pelo menos por enquanto, o geocaching não oferece brindes
milionários. Na maiorias dos casos, o presente deixado
nas caixas é apenas um CD, uma revista, uma garrafa
d'água ou um brinquedinho qualquer. A regra do jogo
pede que os felizardos que encontrarem o prêmio coloquem
outro presente no lugar e deixem a caixa como acharam para
os próximos caçadores.
O centro de discussão e divulgação da
aventura é o site Geocaching.com (www.geocaching.com),
que centraliza o registro dos prêmios. "Com base no
entusiasmo dos atuais praticantes, acho que o esporte vai
se espalhar muito rapidamente", diz Jeremy Irish, 28 anos,
consultor de comércio eletrônico em Bellevue,
Washington, e webmaster do Geocaching.com.
Em
três tempos
Como
funciona o geocaching
|
|
Fotos Pedro Martinelli/MBB
Erno Space System/Leo Feltran
|
 |
 |
 |
|
1)
O caçador acessa a internet, escolhe qual tesouro
vai procurar e anota as coordenadas geográficas
e demais pistas sobre a região
|
2)
Guiado por mapas e 24 satélites, o caçador
sai atrás do prêmio. Um bom GPS pode indicar
a localização de um objeto com margem de
erro de apenas 6 metros |
3)
O jogo termina quando o caçador encontra o local
indicado, assina o livro de registros e pega o prêmio.
Há mais de 1 000 tesouros espalhados por trinta
países, sendo que um deles está ao lado
das pirâmides do Egito |
|