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O efeito Guga

Número de praticantes de tênis no Brasil
cresce na esteira do sucesso do ídolo



Claudio Rossi
Academia em São Paulo: 50% mais alunos nos últimos quatro anos


Quando Gustavo Kuerten começou a fazer sucesso, em 1997, ano de sua primeira vitória no torneio de Roland Garros, os especialistas em tênis tinham duas expectativas. A primeira era que Guga não fosse apenas mais um caso de azarão, mas sim um grande jogador. Ele acabou com todas as dúvidas no ano passado, quando atingiu o primeiro lugar no ranking mundial. O começo da temporada 2001 tem sido arrasador. No último domingo, 4, em Acapulco, Kuerten acumulou a segunda vitória em torneios profissionais neste ano, o que lhe garantiu a liderança no ranking atual até o começo desta semana. Esperava-se também que a boa performance do ídolo pudesse alavancar por aqui a prática do esporte. O Brasil não virou o país das raquetes, mas o cenário das quadras mudou bastante – e para melhor. Graças ao "efeito Guga", o número de praticantes cresceu 50% entre 1996 e 2000. Como conseqüência lógica desse movimento, os fabricantes de raquetes e bolinhas registraram um impacto semelhante nas vendas de seus produtos. "O quadro pode ainda melhorar, considerando que Guga é jovem e pode manter o mesmo nível técnico por no mínimo mais cinco anos", afirma o técnico Marcelo Meyer, comentarista de tênis da Rede Record e dono de uma das mais tradicionais academias do esporte em São Paulo.

O fenômeno do aumento de praticantes ocorreu em três estágios. No primeiro momento, esse número cresceu por causa das pessoas que tiraram as raquetes do armário e voltaram a jogar. Em seguida, aderiram ao esporte aqueles que nunca haviam entrado numa quadra. Mais recentemente, uma quantidade enorme de crianças e mulheres entrou no jogo. Segundo os donos de algumas das principais academias de São Paulo e do Rio de Janeiro, a participação feminina no esporte saltou de 10% para 40% nos últimos tempos. O comércio de equipamentos acompanhou todo esse movimento. Nos últimos quatro anos o total de raquetes vendidas cresceu 130%. Atualmente são comercializadas 140.000 unidades por ano no país. A marca Wilson, responsável por aproximadamente metade desse mercado, está ampliando seu escritório porque acredita que pode dobrar o faturamento nos próximos dois anos. A cada dia, surgem no Brasil duas novas quadras de tênis, em média. Com isso, o total de locais de jogos cresceu 40% desde 1996. É algo significativo, levando-se em conta que esse número estava estagnado desde a década de 80.

Apesar dos ganhos obtidos com o "efeito Guga", o ritmo da popularização do tênis esbarra em dois problemas. Um deles encontra-se na quantidade de partidas transmitidas. A maior parte dos jogos de Gustavo Kuerten não é exibida ao vivo pelas grandes emissoras abertas. "Temos hoje um ídolo que apenas os assinantes das redes a cabo conseguem ver em ação", afirma o treinador Marcelo Meyer. O outro ponto-chave que dificulta a transformação do tênis em esporte de massa é o equipamento, ainda muito caro para a grande maioria da população. As raquetes mais baratas valem em torno de 100 reais. Para aprender a manejá-las, é recomendável tomar aulas com um professor particular. O custo disso gira em torno de mais 100 reais por mês. Por fim, como são raríssimas as quadras públicas disponíveis no país e a construção de uma particular não sai por menos de 30.000 reais, é necessário associar-se a um clube ou uma academia para praticar o esporte. "Mesmo com essas barreiras, sabemos que há espaço para crescer ainda mais", afirma Nelson Nastás, presidente da Confederação Brasileira de Tênis. Depende de Guga.

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