Cachaça
globalizada
A
caipirinha faz sucesso lá fora, e o Brasil
retoma a luta para exportar aguardente
Fotos N. Rodrigues/ 1° Plano
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| Um
brinde à caipirinha: revistas e barmen dizem que
ela é o máximo |
O
Brasil luta ao lado de organismos internacionais para certificar-se
de que o nome "cachaça" só possa ser aplicado
ao destilado de cana produzido no Brasil. Há alguns
anos, produtores franceses tentaram registrar como sua a designação
tradicional da caninha brasileira. Hoje, África do
Sul e Trinidad e Tobago usam a palavra cachaça para
batizar a aguardente produzida nesses países. No mundo,
a bebida está em alta. A Associação Internacional
de Bartenders considera a caipirinha de pinga um dos melhores
coquetéis do mundo. A revista inglesa Drinks International
classificou-a como uma das dez mais famosas misturas do
planeta. A americana In Style radicalizou: disse, em
dezembro, que a caipirinha foi o drinque mais quente do século.
Nos bares de algumas cidades da Alemanha, ela é um
coquetel chique. Chega a custar 14 reais a dose, contra 11
reais da cuba libre (com rum).
Mais de 99% do 1,3 bilhão de litros de cachaça
que o Brasil produz anualmente são tomados no mercado
interno. É um negócio de 1 bilhão de
reais, que gera cerca de 120.000
empregos diretos. A cachaça integra uma lista preparada
pelo Ministério da Agricultura com cinqüenta produtos
que têm potencial para dobrar o total exportado. O valor
ainda é pequeno de 8,5 milhões para 17
milhões de dólares , mas o prazo é
de apenas dois anos.
A elite brasileira olha com desconfiança para a caninha,
mas a história que os mexicanos escreveram com a tequila
anima os produtores nacionais. O México se comprometeu
a respeitar a denominação de bebidas européias,
como o cognac e o champagne da França,
e conseguiu botar sua bebida em bares e restaurantes de todo
o mundo. O Brasil pode oferecer acordos assim. Várias
denominações de bebidas estrangeiras são
pirateadas aqui. Mas a cachaça precisa dar muitos passos
ainda. Estima-se que existam 33.000
alambiques no país, muitos na informalidade e sem condições
de higiene. Usam-se 48 tipos diferentes de receitas de fabricação
da bebida. Em São Paulo, a IRB, que produz a Velho
Barreiro, investiu em equipamentos europeus para assepsia
de vasilhames e colhe bons resultados. "Exportamos para quarenta
países, e a cada ano aumentam as encomendas", declara
César Rosa, presidente da IRB.
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O
maior tonel de caninha do mundo
Drawlio Joca
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A cidade cearense de Maranguape só era conhecida
nacionalmente por quem se interessasse em saber onde
nasceu o humorista Chico Anysio. Agora, o município
tem outra atração para divertir os brasileiros.
Foi inaugurado recentemente por lá um museu dedicado
exclusivamente à cachaça. Fruto de um
investimento de 600 000 reais da Ypióca, a maior
produtora local da bebida, o Museu da Cachaça
funciona em uma antiga casa de engenho, tem no acervo
objetos do século XIX, salas com bonecos móveis,
que reproduzem o processo de elaboração
da bebida, o ambiente de um bar dos anos 30 e o maior
tonel de madeira do mundo, com capacidade para 374 000
litros. A idéia de abrir o museu surgiu para
entreter os turistas que percorriam os 25 quilômetros
desde Fortaleza apenas para visitar a antiga casa de
engenho e conhecer as técnicas de produção
da bebida. A entrada custa 5 reais e, como nas vinícolas
gaúchas, dá direito à degustação
de uma dose no final da visita.
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