Internacional China

Esta semana
Sumário
Brasil
Internacional
O dragão prepara o novo salto
A volta dos caçadores de cabeça
Geral
Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos

Colunas
Diogo Mainardi
Claudio de Moura Castro
Gustavo Franco
Roberto Pompeu de Toledo

Seções
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
VEJA on-line
Radar
Contexto
Holofote
Veja essa
Arc
Notas internacionais
Hipertexto
Gente
Datas
Para usar
VEJA Recomenda
Literatura brasileira
Os mais vendidos

Arquivos VEJA
Para pesquisar nos arquivos da revista, digite uma ou mais palavras

Busca detalhada
Arquivo 1997-2000
Busca somente texto 96|97|98|99
Os mais vendidos
 

O rugido do dragão

A China anuncia investimentos para acelerar
a expansão econômica e encarar o desafio
de
abrir seu mercado de 1,3 bilhão de pessoas

José Eduardo Barella

AFP
Reuters
Delegados reunidos no Congresso Nacional do Povo: metas ousadas para o país enfrentar concorrência externa Explosão na escola: trabalho infantil

Tendo como pano de fundo os arranha-céus envidraçados às margens do Rio Huangpu, em Xangai, empresários alemães e um cacique do Partido Comunista local apresentaram, no início deste mês, o mais novo megaempreendimento estrangeiro na China, orçado em 1 bilhão de dólares: a primeira linha férrea comercial do mundo cujos trens serão impulsionados por levitação magnética. A partir de 2003, com a ajuda de supercondutores, os vagões vão flutuar sobre os trilhos, sem tocá-los, a uma velocidade de 400 quilômetros por hora, ligando o distrito financeiro ao aeroporto em apenas dez minutos. Três dias depois, ao discursar na abertura do Congresso Nacional do Povo, o Parlamento chinês, formado por 2.978 delegados do PC, o primeiro-ministro, Zhu Rongji, anunciava mais um plano qüinqüenal do governo, uma velha tradição comunista que há duas décadas virou um receituário capitalista. Basicamente, significa investimentos pesados em obras de infra-estrutura nas regiões mais pobres, o que dará ainda mais gás para a economia continuar crescendo, abocanhando novos mercados e atraindo investidores, como os alemães que apostaram em Xangai.

O dragão chinês não está blefando. Se mantiver a marcha anual de expansão de 7%, o PIB da China deverá converter-se no segundo maior do mundo em 2020, atrás apenas do americano. O motivo é a entrada da China, prevista para este ano, na Organização Mundial do Comércio (OMC). Na prática, significa que o país mais populoso do planeta, que hoje já responde por 7% do comércio mundial, vai abrir seu maior tesouro para a concorrência externa, o mercado de 1,3 bilhão de potenciais consumidores. Internamente, todas as barreiras alfandegárias vão cair ou reduzir-se drasticamente até 2005. O impacto previsto, de 21 bilhões de dólares por ano no comércio mundial, já está causando calafrios em países concorrentes, como México, Índia e os vizinhos Tigres Asiáticos. E também na própria China, que precisará criar 80 milhões de empregos e, ao mesmo tempo, assimilar o golpe que deverá arrasar setores inteiros defasados em relação à concorrência externa, como a indústria automobilística. Já as indústrias têxtil, de calçados e de brinquedos, que já nadam de braçadas, deverão aumentar as exportações em 200% no período.

Aa
AFP
As duas faces da China: riqueza nas zonas econômicas especiais, como Shenzhen (à esq.), e pobreza nas regiões esquecidas pelo governo, onde vive a maioria dos 270 milhões de miseráveis do país

A China começou a se preparar em 1978, quando o então líder Deng Xiaoping trocou os dogmas de Karl Marx pelos de Adam Smith e deu uma guinada que incluiu a abertura de zonas econômicas nas províncias costeiras, aumento de investimentos estrangeiros e liberalização do comércio e do mercado agrícola, tendo como ingredientes fartos subsídios, mão-de-obra barata e repressão brutal à oposição. O processo, controlado até hoje na unha pela burocracia do PC, acabou aprofundando o fosso que separa os centros urbanos dos grotões do interior. A renda per capita da Xangai dos trens ultramodernos é onze vezes maior que a de vilarejos como Fanglin, onde uma explosão numa escola primária na semana passada matou 37 alunos. A instituição era usada como fábrica de fogos de artifício e os alunos, obrigados a trabalhar de graça. O socorro demorou porque a linha telefônica tinha sido cortada por falta de pagamento. Se 270 milhões de chineses deixaram a pobreza absoluta, um número igual de pessoas permanece nessa situação. Diminuir contradições como essa é o maior desafio que resta ao presidente e secretário-geral do PC, Jiang Zemin, de 75 anos, antes de passar o bastão, no ano que vem, ao pragmático vice-presidente Hu Jintao, de 58 anos, o mais cotado para comandar a quarta e talvez última geração de líderes comunistas chineses.

 

As contradições do gigante

De 1978 para cá, o PIB da China aumentou 5 vezes. O país deixou de ser a 32ª maior economia do mundo para se tornar a

Nas últimas duas décadas, as exportações saltaram de 20 bilhões de dólares para 249 bilhões de dólares por ano

Em 1978, o setor estatal respondia por 82% da produção industrial. Hoje, não passa de 30%

De 1,3 bilhão de chineses, 900 milhões vivem no campo e, destes, 100 milhões estão desocupados

A taxa de analfabetismo é de 9% entre os homens e 25% entre as mulheres

Em duas décadas, 270 milhões de chineses saíram da pobreza absoluta. Mas a renda per capita de 750 dólares ainda é similar à de Honduras, um dos países mais pobres da América

 

Copyright 2001
Editora Abril S.A.
  VEJA on-line | Veja São Paulo | Veja Rio | Veja Curitiba
Veja BH | Veja Fortaleza | Veja Porto Alegre | Veja Recife
Edições especiais | Especiais on-line | Estação Veja
Arquivos | Próxima VEJA | Fale conosco