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Edição 1995

14 de fevereiro de 2007
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Tecnologia
Liberdade para a música digital

Jobs, da Apple, propõe acabar com o sistema
antipirataria nas músicas vendidas on-line


Rafael Corrêa

Não é comum uma empresa que domina o mercado pedir mudanças nas regras do jogo – mas foi o que Steve Jobs, presidente da Apple, fez na semana passada. Em um ensaio publicado no site da empresa, Jobs propõe que a indústria musical repense sua estratégia antipirataria. O assunto em foco é a tecnologia que impede que uma música comprada on-line para um tocador de determinada marca seja ouvida em aparelho de outro fabricante. Sem o sistema antipirataria, a música poderia ser ouvida ou copiada em qualquer aparelho. Jobs argumenta que o sistema de proteção acaba por tolher o crescimento do mercado de música digital ao complicar a vida do consumidor.

Na essência, a proposta é dirigida às quatro maiores gravadoras – Sony BMG, EMI, Universal e Warner –, que juntas detêm 70% do mercado fonográfico mundial. São elas que exigem mecanismos de segurança para evitar que seus discos sejam pirateados. A própria Apple assumiu com as gravadoras o compromisso de garantir o funcionamento do sistema de proteção, sob pena de ver o acervo da iTunes Store ser removido sem aviso prévio. Por causa disso, Jobs está sob pressão da Justiça e do Legislativo da União Européia. Eles consideram o sistema iTunes/iPod um tipo de venda casada, pois tira do consumidor a liberdade de ouvir onde quiser a música que comprou pela internet.

A proposta de Jobs é também uma resposta à Justiça européia. Ou seja, o sistema de proteção contra cópias é exigência das gravadoras, e a Apple só age de acordo porque precisa respeitar obrigações contratuais. Em termos de marketing, é uma jogada esperta. Encarnando a figura do empresário que apóia o consumidor acima de tudo, Jobs se coloca à frente do movimento pela libertação da música digital, que cresce na internet. "Essa é a melhor alternativa para os consumidores e a Apple a abraçaria rapidamente", escreveu em seu ensaio.

Como domina o mercado de música digital, Jobs não tem motivo para temer um formato livre. Nove de cada dez tocadores vendidos nos Estados Unidos são iPods. A iTunes vendeu mais de 2 bilhões de faixas digitais desde sua criação, em 2003. As músicas on-line correspondem a apenas 10% do que é vendido pelas gravadoras. Um estudo mostrou que 1 bilhão de músicas piratas são trocadas mensalmente na internet, sem que as gravadoras ou as lojas on-line ganhem um centavo. A proposta de Jobs pode ajudar a reduzir a participação pirata e aumentar o ganho das gravadoras. Considerando que as vendas de CDs vêm caindo – nos Estados Unidos diminuíram 5% só no ano passado –, poderia ser um caminho para as gravadoras continuarem a faturar e para colocar de vez o consumidor na era da música digital.

 

O comércio on-line

Como é hoje
Músicas compradas on-line vêm com um sistema de proteção que impede que sejam copiadas e ouvidas em qualquer tocador

A proposta de Steve Jobs
As gravadoras abandonariam os sistemas antipirataria e venderiam as músicas num único formato livre, disponível em todas as lojas e compatível com todos os tocadores  

Se a proposta fosse aceita pelas gravadoras...  
...os consumidores poderiam comprar suas músicas em qualquer loja e ouvi-las em qualquer tocador

Por que as gravadoras relutam
Elas temem que o fim do sistema de proteção facilite a pirataria
As gravadoras faturaram 2 bilhões de dólares em 2006 com a venda de música on-line e não querem mexer num sistema que dá lucro

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