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Lauro Jardim

PATENTES

Confusão à vista na OMC

No bojo das 23 medidas provisórias convertidas em lei pelo Congresso na semana passada, uma delas possui material de alta combustão. É a 2105, que altera a Lei de Propriedade Industrial. Agora a concessão de patentes de medicamentos dependerá da aprovação prévia da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Normalmente, o o.k. inicial cabia ao Inpi. Aguarda-se artilharia pesada, comandada pela esquadra americana: nas normas da Organização Mundial do Comércio há um artigo que pode ser interpretado como uma condenação nos termos da nova lei.

 

LIVROS

A esquadra espanhola leva Paulo Coelho e cia.

Estão em fase final duas negociações que vão sacudir o mercado brasileiro de livros. Duas das maiores editoras brasileiras estão sendo vendidas a dois gigantes da mídia espanhola. A Objetiva, dona do passe de Paulo Coelho, está fechando com El Pais. E a Record deve parar nos braços do grupo Planeta.

 

RACISMO

Preconceito oficial

O site do Tribunal de Contas da União na internet, sabe-se lá por que, deu para ser engraçadinho. Abriga uma charge de cunho anti-semita. E o mais estranho: na página relativa a "formação, capacitação e aperfeiçoamento de recursos humanos do TCU". (Quem quiser conferir é só clicar www.tcu.gov.br/isc/pesquisa/encontro/encontro22-98.htm.)

 

POLÍTICA

O abraço de Maluf

Paulo Maluf vai meter sua colher na eleição para a presidência da Câmara. Dirá que está fechado com Inocêncio Oliveira. Resta saber quanto isso ajuda.

Nos braços do poder

O PFL, com toda a discrição possível, já começa a pavimentar o caminho de volta aos braços do governo.

De uma presidência para outra

ACM não quer perder mais espaço no PFL para o grupo do "alemão" Jorge Bornhausen e do vice Marco Maciel. Cada vez mais está tentado a disputar a presidência do partido.

 

Atenção, ministro: gravando!


Claudio Rossi

Paulo Renato: de olho em 2002


É sabido que o ministro Paulo Renato Souza acalenta ser a carta da manga dos tucanos para a sucessão de FHC em 2002. Talvez por isso ele esteja empenhado em aparecer bem na foto – ou melhor, no vídeo. Paulo Renato começou a tomar aulas de dicção, postura e desenvoltura em frente às câmaras de televisão. Sua professora é a repórter da Globo Beatriz Thielman. Mas ele detesta que se fale no assunto. Prefere que seu desembaraço pareça inato.

 

FUTEBOL

Seguro morreu de velho

Quem manda no futebol tem mesmo muito medo de ver suas contas expostas à luz do sol. Recentemente, os principais empresários dos maiores craques brasileiros pediram – e conseguiram – no STF uma liminar impedindo a quebra do sigilo bancário pela CPI do Futebol. Até aí, nenhuma novidade. O curioso é que o pedido estendia o sigilo às informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão do Ministério da Fazenda. Parece excesso de zelo ou algo sem sentido. Exceto para quem sabe que um dos alvos do Coaf são as operações de lavagem de dinheiro patrocinadas por clubes de futebol.

 

ECONOMIA

O patamar

A alta do dólar assustou – sempre assusta – o mercado, mas o BC nem se coçou. O BC não diz, mas tolera uma taxa de câmbio com o dólar até 2,10 reais. Até esse patamar, não moverá um músculo. O que vier além disso, aí sim, atrapalhará as metas de inflação.

 

POBREZA

Paradoxo brasileiro

O economista Marcelo Neri, da FGV-RJ, andou cruzando uns dados sobre trabalho infantil desde os anos 80 e descobriu um triste paradoxo. Quando a economia brasileira dá um salto, o trabalho infantil também dá. Tanto em 1986 (ano do Cruzado) quanto em 1994 (ano do Real) foi assim que aconteceu. Ou seja, economia aquecida abre vagas e os pais das famílias miseráveis botam os filhos para ajudar no orçamento.

 

PREFEITURAS

Melhor do que se imaginava

O estridente chororô que se ouve dos prefeitos desde que a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) entrou em vigor faz supor que é impossível administrar com a nova legislação. Mas, acredite se quiser, quem está gritando é uma minoria ruidosa. O TCE paulista acaba de fechar as contas de 336 municípios do Estado, relativas ainda ao ano de 1999. Sabe quantos estão em desequilíbrio no teste mais difícil da LRF, o que limita a folha de pagamento a 60% das despesas correntes? Nenhum. Isso mesmo: está todo mundo ajustadinho.

 

INDÚSTRIA FONOGRÁFICA

O acordo do Rei

A briga entre Roberto Carlos e a Sony, sua gravadora há quarenta anos, caminha para um acordo. Roberto havia pedido 4,5 milhões de reais numa ação judicial no fim do ano passado, na qual acusou a Sony de tê-lo passado para trás. A paz deve ser selada por 1 milhão de reais.

 

REMÉDIOS

Cada um por si

José Serra golpeou a indústria farmacêutica tradicional à base de congelamento de preços e de injeções de genéricos na veia. Era de esperar que os atingidos se unissem para revidar. Que nada. Nunca os laboratórios estiveram tão divididos. O que cada laboratório quer mesmo é fazer sozinho sua negociação com o governo e livrar-se de problemas.

 

DIPLOMACIA

Surpresa à americana

O embaixador americano Anthony Harrington foi surpreendido com a decisão de George W. Bush de defenestrá-lo. Recentemente, ele avisou ao ex-chanceler Luiz Felipe Lampreia que recebeu garantias de Washington de que permaneceria em Brasília. A esta altura, já deve ter percebido que estava conversando com os interlocutores errados.

 

Espelho, espelho meu: que cartola
ganha mais que eu?

Não há, no mundo, dirigente esportivo mais bem remunerado que o do futebol brasileiro. Fábio Koff, presidente do Clube dos 13, que reúne os maiores times do país, que o diga. Ele é o número 1 entre os caixa-altas da cartolagem. Recebe um salário de 150 000 reais por mês – uma grana que deixa no chinelo o cartola-mor do Brasil, Ricardo Teixeira, cujo salário na CBF é de 35 000 reais. É dinheiro para executivo nenhum de grandes multinacionais botar defeito: eles só alcançam uma remuneração desse calibre quando se somam seus salários com os bônus e benefícios a que têm direito. No salário de Koff, pelo visto, já vem tudo embutido.

 


Colaboraram: Marcelo Carneiro e Ronaldo França

 

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