Um anjo
caliente
Jennifer
Lopez faz sucesso
como atriz
e
cantora e vira ícone
da comunidade
latina
dos EUA
Marcelo Marthe
Divulgação
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| Jennifer
Lopez: curvas sinuosas, discos cantados em "spanglish"
e cachê de 9 milhões de dólares por
comédia água-com-açúcar |
Atriz e cantora, a americana Jennifer Lopez, de 30 anos, está
com tudo. Seu filme mais recente, O Casamento dos Meus
Sonhos, uma comédia romântica na linha água-com-açúcar,
foi a maior bilheteria dos cinemas dos Estados Unidos nos
dois últimos fins de semana. A morenaça está
se dando bem também no terreno da música pop.
Lançado no ano passado, seu primeiro disco vendeu mais
de 8 milhões de cópias. O segundo, colocado
à venda há cerca de vinte dias, já passou
dos 3 milhões e destronou do topo das paradas nada
menos do que 1, dos Beatles, que permanecia no primeiro
posto há dez semanas. Todo esse sucesso decorre de
seu carisma e do corpão fora de série, correto?
Sim, é claro. Mas há uma razão mais profunda
por trás disso. Filha de porto-riquenhos, Jennifer
Lopez tem o biotipo e o sobrenome perfeitos para ser a estrela
do momento num mercado lucrativo: a indústria de entretenimento
voltada para o público latino residente nos Estados
Unidos. É uma comunidade de 32 milhões de pessoas
que vêm encontrando o caminho da ascensão social
e estão à procura de ícones com quem
possam se identificar.
Não é de hoje que o mercado de música
latina está em crescimento nos Estados Unidos. No final
dos anos 80, uma cantora como a cubana Gloria Estefan já
fazia sucesso nas pistas de dança e vendia centenas
de milhares de discos. Nos anos 90, porém, esse segmento
ganhou proporções muito maiores. Só entre
1997 e 1999, o consumo de CDs cantados em espanhol ou com
alguma dose de "spanglish" a mistura de inglês
e espanhol aumentou quase 30%. As vendas, hoje, superam
a casa dos 600 milhões de dólares por ano. Jennifer
não está sozinha na disputa desse bolo. Concorrem
com ela cantores como o porto-riquenho Ricky Martin, a americana
de ascendência equatoriana Christina Aguilera e a colombiana
Shakira, que chamou a atenção no Grammy latino
e prepara uma investida sobre o mercado americano. Jennifer
está em vantagem neste momento por dois motivos. Primeiro,
porque encarna melhor do que todos os outros o ideal de assimilação
da comunidade hispânica. Em muitos casos, a descendência
dos chicanos já chegou à segunda ou terceira
geração. É gente que nasceu nos Estados
Unidos e, embora conserve a pele morena herdada dos pais,
tem por primeira língua o inglês, e não
o castelhano. É exatamente esse o perfil de Jennifer,
cujos pais saíram de Porto Rico ainda pequenos. A segunda
razão do sucesso é que, ao contrário
dos concorrentes, ela fincou raízes em Hollywood, o
que a torna mais conhecida do público em geral. Jennifer
iniciou carreira como dançarina nos anos 80
na época, com seu jeitão de popozuda, foi apelidada
de La Guitarra ("o violão"). Vencida essa etapa,
a curvilínea morena migrou primeiro para a TV e depois
para o cinema, fazendo participações em fitas
de segunda categoria, como Sangue e Vinho. Em 1997,
emplacou seu primeiro grande papel, no filme Selena. Hoje
ela contracena com galãs como Matthew McConaughey e
George Clooney e ostenta um salário de 9 milhões
de dólares o mais alto já pago a uma
atriz de origem latina em toda a história de Hollywood.
Há boas razões para acreditar que, assim como
a maioria dos astros latinos produzidos sob medida para americano
ver, ela dificilmente repetirá seu desempenho no Brasil.
Aqui, as questões étnicas que explicam o sucesso
desses artistas nos Estados Unidos inexistem. Em decorrência
disso, é longa a lista de dissabores enfrentados por
eles no mercado brasileiro. Para alcançar sua maior
vendagem no país, com 130.000 discos, Ricky Martin
teve de contar com um empurrãozinho da televisão:
seu hit Maria tornou-se conhecido ao transformar-se
no tema da novela Salsa e Merengue. Jennifer, com seu
primeiro disco, On the 6, não alcançou
nem sequer a marca de 50.000 cópias vendidas. Tudo
bem. Ninguém está perdendo muita coisa. Com
voz minúscula, ela é obrigada a recorrer às
mágicas da engenharia de som. Em quase todas as faixas
que canta é acionado o famoso Pro Tools, aquele programa
de computador que corrige qualquer imperfeição
do canto. Isso para não falar nas letras. Sinta só
a riqueza lírica do refrão de Love Don't
Cost a Thing, canção de trabalho do CD J.
Lo: "Você pensa que eu quero usar o seu fio dental/
Mas eu já tenho o meu". É, cada um tem o fio
dental que merece.
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