Feita
em casa
Prontinha para o Carnaval: marido
cirurgião
opera a própria mulher
da cabeça à panturrilha
Marcelo
Camacho
Como
muitos casais, o médico Ox Bismarchi e sua mulher,
Ângela, têm um projeto em comum. Diferente, no
caso, é o projeto: o próprio corpo de Ângela.
A obra em construção veio à tona no esquentar
dos tamborins do Carnaval 2001, quando a carioca de 28 anos
posou da maneira como vai desfilar para a Caprichosos de Pilares:
nua, com umas pinceladas aqui e ali do pintor Albery. Quase
todos os atributos da loira foram turbinados nos últimos
dois anos pelo próprio marido dela, que é cirurgião
plástico e aparece na foto acima admirando sua criação.
Ângela tem próteses de silicone nos seios (255
mililitros, mais que a Feiticeira) e nas panturrilhas. Lipoesculturas
foram três: no abdome, nos culotes e na cintura. Outra
cirurgia plástica garantiu-lhe uma graciosa covinha
no queixo. Os lábios foram engrossados com um derivado
de silicone, o bioplastique. Na testa, ela faz, com freqüência,
aplicações de Botox. Fora essas intervenções
radicais, ela tem um arsenal de truques mais corriqueiros:
lentes de contato verdes (ou azuis), cabelos alongados com
a técnica do megahair, unhas postiças de porcelana
e dentes submetidos a um processo de branqueamento. Para completar,
Ângela faz bronzeamento artificial em todo o corpo.
"Reparou que eu não tenho marca de biquíni?",
pergunta ela, que, além disso tudo, ainda malha três
horas por dia.
O encontro entre criador e criatura aconteceu há dois
anos, quando Ângela foi ao consultório de Bismarchi
conversar sobre uma cirurgia para aumentar os seios. A transformação,
como se vê, foi muito além. "Mas nada foi feito
na base do impulso", garante Bismarchi, de 53 anos. "Por trás
dessa mulher poderosa existe uma cabeça para pensar
e organizar tudo. E essa cabeça sou eu", diz ele, sem
uma gota (de silicone?) de modéstia. "Só eu
trabalho no corpo dela", orgulha-se o Pigmalião moderno,
referindo-se, claro, às intervenções
cirúrgicas que faz. "Ela está muito bem servida."
Ângela
não se importa nada em comentar as múltiplas
intervenções estéticas que, em sua própria
avaliação, a deixaram "perfeita". Parece, aliás,
ser seu assunto predileto. Lipo nos culotes? "Ah, para ficar
com as pernas retas", diz. Lipo no abdome? "Só um toque
para ele ficar perfeito", conta. Silicone na panturrilha?
"Ficou tão musculosa!", comemora. O precoce Botox na
testa? "Para suavizar o rosto", ensina. Intumescimento dos
lábios? "Para ficarem carnudos, bem Sophia Loren",
compara. Bronzeamento artificial? "Não descasca", avisa.
Plástica para fazer uma covinha no queixo? "Ah, tudo
bem, é o cúmulo da vaidade, né?", diverte-se.
Ela garante que não sofre crises de identidade ao examinar-se
diante do espelho. "Tudo isso só faz com que eu me
sinta melhor", diz. A vida é bela, então? "O
único problema é o ódio e a inveja das
outras mulheres. Tem sempre uma querendo me derrubar", lamenta.
Instrumentadora cirúrgica por formação,
Ângela Bismarchi acrescenta ao currículo o adendo
inevitável: modelo. Participa de desfiles de fantasia
no Carnaval e até na Itália já deu o
ar de sua graça siliconada. "Fui madrinha do concurso
Gata Molhada", conta. Ela espera que o Carnaval carioca lhe
renda muito mais frutos. "Quero posar nua para a Playboy
e, quem sabe, participar de uma novela da Globo", sonha. Ah,
bom, está explicado.
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