Freio
eletrônico
Radares nas cidades salvam
1
500 vidas por ano
Ricardo
Villela
Nani Gois
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| Fiscalização
na Avenida Comendador Franco, em Curitiba, reduziu em
85% os casos de atropelamento |
Finalmente
uma boa notícia sobre acidentes de trânsito no
Brasil. Um estudo bancado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento
(BID) concluiu que o Brasil tem a maior e mais bem-sucedida
rede urbana de fiscalização eletrônica
de trânsito no mundo. Em outras palavras, nenhum outro
país tem tantos equipamentos para flagrar infrações
no tráfego das cidades e em nenhum outro lugar esse
tipo de vigilância deu resultados tão bons. Os
radares são vistos como vilões pelos motoristas
mais apressados, devido às multas, mas estima-se que
1.500 vidas estejam sendo poupadas
anualmente graças à vigilância eletrônica.
Há
cerca de 2.000 aparelhos, entre
radares móveis e fixos, funcionando nos cinqüenta
centros urbanos que, juntos, têm dois terços
da frota nacional de veículos. Segundo o trabalho,
assinado pelo engenheiro inglês radicado em Curitiba
Alan Cannell, nos locais onde há fiscalização
eletrônica o número de acidentes diminui, em
média, 30% e o de fatalidades cai 60%. A explicação
desse resultado encontra-se na própria selvageria normalmente
reinante no trânsito do Brasil. Como há muita
gente ultrapassando limites e provocando acidentes, a existência
do radar inibe a reincidência e leva a uma grande mudança
nos números. Outra razão foi o entusiasmo dos
prefeitos em adquirir radares tão logo o novo Código
de Trânsito Brasileiro lhes passou a responsabilidade
de organizar e fiscalizar o tráfego. "Os prefeitos
miraram no dinheiro das multas e acabaram acertando na melhoria
do trânsito", diz Cannell.
A vitória ainda é parcial. O Brasil responde
por um terço dos acidentes ocorridos na América
Latina. Todos os anos, 33.000 brasileiros
morrem no trânsito. O prejuízo econômico
com acidentes é estimado em até 10 bilhões
de dólares. O estudo do BID mostra que os melhores
números foram obtidos nas cidades em que a aplicação
de multas por flagrante de radar foi precedida de campanhas
educativas. Indica ainda que a experiência precisa ser
levada para as estradas. Nelas, com pouca fiscalização,
o trânsito continua matando cada vez mais.
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