Não
dá câncer
Pesquisa contraria tese de
que
celular danifica o cérebro
O telefone celular ganhou um importante atestado de saúde
a seu favor na pendenga contra os que o acusam de provocar
câncer no cérebro. Na quarta-feira passada, a
revista científica do Instituto Nacional do Câncer,
dos Estados Unidos, divulgou os resultados do mais amplo levantamento
já feito até agora, com 420.000 usuários
dinamarqueses. O médico Christoffer Johansen, da Associação
Dinamarquesa do Câncer, fez um trabalho com uma metodologia
bem curiosa. Primeiro, conseguiu uma listagem de indivíduos
que começaram a usar celular entre 1982 e 1995, com
seus respectivos números da carteira de identidade.
Em seguida, cruzou a enorme relação com os registros
de ocorrência da doença. Com base nas taxas nacionais
de incidência do mal, 161 dos usuários de celular
deveriam sofrer de câncer no cérebro ou no sistema
nervoso. Efetivamente, 154 deles tiveram a moléstia.
Do mesmo jeito, era de esperar 86 casos de leucemia, e encontraram-se
84. Conclusão: "O estudo não sustenta nenhuma
ligação entre o uso dos aparelhos e tumores
cerebrais, nas glândulas salivares ou mesmo leucemia",
afirma Johansen.
"O
celular vem sendo vítima da especulação.
Em nenhum lugar do mundo se observou a explosão de
tumores por causa dele", avalia o oncologista Luiz Paulo Kowalski,
diretor do departamento de cabeça e pescoço
do Hospital do Câncer, de São Paulo. Ele emprega
expressões como "contundente", "valioso" e "convincente"
para qualificar o resultado de Copenhague, em razão
da amostra significativa. A investigação sobre
o impacto da radiação emitida pelos aparelhinhos
que se tornaram o grande objeto de desejo mundial da virada
do milênio em escala planetária fez-se até
o momento sobre um terreno minado pelo terrorismo antitecnológico.
O assunto pode agora virar papo de botequim, em torno de cervejas,
tira-gostos e... celulares ligados.
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