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"A reforma do sistema penal e das hipócritas entidades de defesa de marginais é urgente e só não ocorre por interesse dos bandidos de colarinho branco."
Humberto Cavaliere
São Paulo, S
P

 

Impunidade

Vibrei com a abordagem sobre a violência da reportagem de capa da semana passada, porque percebi que a sociedade, bem representada neste caso pela imprensa, começa a mostrar sua insatisfação com o "deixa para lá" de nossos governantes. Li há alguns dias que, assim como saudade, desleixo é uma palavra que só existe na língua portuguesa. Penso que isso justifica a atuação distante e cartorial com que somos brindados pelas instituições públicas em geral e por muitas instituições particulares. É bom ver que pelo menos uma parcela da sociedade, assim como eu, rejeita essa postura e cobra uma atuação por mais cidadania ("Somos todos reféns", 7 de fevereiro).
Marcelo Gonçalves Billes
Joinville, SC

Com referência à reportagem "Somos todos reféns", julgo importante esclarecer que Gilberto (preso depois de ferir vinte pessoas, foi solto e matou uma mulher) ficou na cadeia por quase oito meses. Foi libertado por excesso de prazo e porque a Pastoral Carcerária informava de sua tendência à regeneração. Logo que tive notícia de novas suspeitas que pairavam sobre ele, mandei prendê-lo mais uma vez e instruí outro processo. Ocorre que, em seguida, sobrevieram as férias, em cujo período o juiz plantonista, deferindo pedido do Ministério Público, mandou soltá-lo, sem poder adivinhar que fosse evadir-se para Esmeraldas, onde acabou cometendo homicídio tão bárbaro.
Frederico do Espírito Santo Araújo
Juiz de direito
fredaru@connect.com.br

Com relação à matéria "Somos todos reféns", gostaria de esclarecer que só a Polícia Militar de São Paulo, em 2000, prendeu em flagrante delito quase 90.000 pessoas e apreendeu mais de 28.000 armas em um universo superior a 3 milhões de ocorrências, com redução de mais de 30% no número de policiais mortos, em relação ao ano anterior. A Polícia Militar do Brasil está atuando no limite de suas possibilidades. No entanto, a questão da impunidade vai além da disponibilidade material da polícia, alcançando a necessária reformulação do arcabouço jurídico-penal e do próprio sistema prisional do país. Só assim se conseguirá reverter o quadro de violência e de criminalidade hoje instalado em nossa sociedade.
Rui Cesar Melo
Presidente do Conselho Nacional de
Comandantes Gerais das Polícias
Militares e Corpos de Bombeiros Militares
São Paulo, SP

A Justiça deveria conceder aos cidadãos honestos o mesmo direito de defesa que dá aos criminosos.
Sergio Luiz Petry da Silveira
Porto Alegre, RS

A violência no Brasil não é um problema de fácil solução. Encontrar um único culpado seria simples, porém a questão é complexa. O combate tem de começar, senão seremos todos reféns. A reportagem mostrou dois exemplos práticos: o policial brasileiro recebe treinamento insuficiente e salário ridiculamente baixo. Dá para imaginar sair à rua caçando bandidos por 600 reais? Além disso, depois da arriscada missão, o bandido é logo posto na rua.
Danilo Wagner
Ribeirão Preto, SP

 

Amós Oz

Sou assinante de VEJA há muitos anos e jamais escrevi uma linha sequer para elogiar ou criticar qualquer assunto veiculado na revista. Creio que chegou a hora de aplaudi-la pela excelente entrevista com o escritor Amós Oz. Sou judeu nascido na Alemanha e devo dizer que concordo integralmente com as opiniões expressas pelo entrevistado – a paz a ser negociada entre israelenses e palestinos não deixará nenhum lado completamente satisfeito. Porém, somente com a paz poderá haver um ambiente onde respeito e tolerância fomentem a convivência harmoniosa entre árabes e judeus, a exemplo do que ocorre em nosso país (Amarelas, 7 de fevereiro).
Gunter H. Hirschel
São Paulo, SP

O senhor Amós Oz não me parece ser pacifista militante e muito menos defensor de um Estado Palestino. Ele mais parece um Pôncio Pilatos, que, querendo eliminar Jesus Cristo e não assumir a responsabilidade de seu ato, instigou o povão a incriminá-lo e condená-lo.
José Afonso Dutra Macedo
Juiz de Fora, MG

 

Luiz Felipe de Alencastro

Acabei de ler o texto sobre os bois e a cachaça e achei muito interessante. Meu pai é fazendeiro e está muito descontente com o preço da arroba. O declínio do mercado agropecuário está acontecendo há anos e ninguém faz nada. O Brasil já tem o produto, precisa apenas mostrá-lo melhor mundo afora. A Colômbia faz propaganda de seu café. Nosso café não é pior que o de lá e nossa carne não é pior que a da Argentina (Ponto de vista, 7 de fevereiro).
Francisco A. Ribeiro
franagribeiro@ hotmail.com

 

Câncer

Em nome do corpo médico e dos funcionários do Hospital do Câncer A.C. Camargo, gostaria de cumprimentar a revista VEJA pela reportagem de capa sobre o câncer. Desmistificar a doença, tirando dela a pecha de maldição divina e desvinculando-a de crendices, é o primeiro passo para tornar a população receptiva às duas maiores armas contra a doença: prevenção e diagnóstico precoce. VEJA cumpre o papel de difundir informações e mudar hábitos ("O que funciona contra o câncer", 31 de janeiro).
Doutor Ricardo Brentani
Presidente do Hospital A.C. Camargo, Fundação Antonio Prudente e diretor do Instituto Ludwig de Pesquisa sobre o Câncer
São Paulo, SP

Ao contrário do que a revista informou, há dois centros de transplante de medula óssea autorizados a realizar tal procedimento com doadores não aparentados: o Instituto Nacional de Câncer (Inca) e o Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná.
Jeannine Leal
Chefe da Divisão de Comunicação Social do Inca
Rio de Janeiro, RJ

 

Música

Venho por meio desta agradecer sensibilizado o carinho e o estímulo da nota "Cacá canta" (7 de fevereiro), a propósito do disco As Músicas dos Filmes de Carlos Diegues. Imagine que, num disco em que cantam Nara Leão, Maria Bethânia, Carmen Miranda, Chico Buarque, a minha foi a única voz citada. É a glória! Quero também agradecer a divulgação que sua revista assim fez deste que, sem tão relevante promoção gratuita, seria apenas um álbum para colecionadores e especialistas. Apenas um pequeno reparo: só na longínqua redação de VEJA se imagina que Ipanema ainda existe.
Carlos Diegues
Rio de Janeiro, RJ

 

Estréia adiada: O filme Psicopata Americano, resenhado nesta edição (na pág. 119), foi vítima da desorganização da distribuidora Art Films e teve sua estréia adiada. O lançamento agora está marcado para 23 de fevereiro.

 

Obediência X felicidade

A reportagem "Daquelas que só dizem sim" (24 de janeiro), sobre o livro da dona-de-casa americana Laura Doyle (The Surrendered Wife), alvoroçou leitores e leitoras. "Sem dúvida nenhuma, esse livro seria um campeão de vendas no Afeganistão, se lá deixassem mulher escrever livros", disse Sandra Brogioni, de São Paulo. Mara Yanmar Narciso da Cruz Silveira, de Montes Claros, Minas Gerais, acha que nunca faltou platéia nem seguidores para propostas absurdas. "Resta saber se ela vai entregar ao atual marido a gerência de seus lucros", duvida. Na corrente oposta, o leitor Roberto Dufrayer sugeriu, a título de piada machista, uma modificação no quadro "O manual da mulher submissa", publicado na reportagem (à esquerda, conselhos razoáveis e, à direita, conselhos absolutamente sem sentido): "A coluna da direita acabou incluindo dois conselhos que só podem entrar na coluna da esquerda, quais sejam: se seu marido for infiel, seja tolerante e finja que não percebe e esteja sempre disponível para quando ele quiser fazer sexo, mesmo que não tenha vontade".



A cachorrinha diplomada

Causou muita reação no campus da Universidade Estadual do Centro-Oeste, a Unicentro, do Paraná, a reportagem "Doutora cadela", publicada na semana passada. O texto informava que uma cachorrinha poodle e uma égua receberam diplomas emitidos pela instituição depois de inscritas num curso de qualificação realizado sob patrocínio do Fundo de Amparo ao Trabalhador e sob responsabilidade da Secretaria de Trabalho do Estado. Cerca de vinte cartas de alunos, professores e diretores da Unicentro chegaram à redação, com queixas e protestos. Alguns reclamaram com bom humor, como o estudante de geografia Danny Jessé Falkembach Nascimento. "Não lato nem dou coice", escreveu o acadêmico da universidade. "Sou 100% gente." Outros entenderam que era necessário explicar melhor a história. "Era um curso de dezesseis horas que de forma alguma credenciaria pessoa ou animal para ministrar aula do que quer que fosse", informou a assessora de comunicação da Unicentro, Cerize Nascimento Gomes, esposa do reitor Carlos Alberto Gomes. "O governo do Estado detectou que a fraude aconteceu no escritório regional da Secretaria do Trabalho na cidade de Pato Branco, não envolvendo nenhum funcionário da universidade."

 

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