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A hora das reformas é agora

Paulo Liebert/AE
Revendedora de carros: economia aquecida

Aos brasileiros sempre foi vendida a idéia de que as tão esperadas reformas tributária, fiscal e da Previdência não poderiam ser feitas em meio a situações de crise econômica. Valendo-se de uma imagem quase literária e de fácil compreensão se dizia que não é possível consertar o buraco no telhado da casa durante uma tempestade. Era preciso esperar o sol brilhar. Bem, os últimos números da economia brasileira não poderiam ser mais ensolarados. A indústria não produzia tanto desde 1975. O desemprego está em queda, empresas e pessoas vêm enfrentando menos dificuldade para conseguir crédito e as concessionárias de automóveis venderam, só em janeiro, 40% mais carros que no mesmo mês do ano passado. A hora de consertar o telhado e enxugar a estrutura da fábrica de déficits dos governos é agora. A prosperidade dos Estados Unidos manteve-se pelos dez últimos anos. Muitos economistas suspeitam que o atual círculo virtuoso da economia brasileira não resista nem dez meses sem as reformas.

A contabilidade do governo está melhorando, sobretudo pelo volume insuportável de impostos que a máquina pública tira dos cidadãos para cobrir rombos como o da Previdência Social e pagar os juros da dívida oficial. É preciso não esquecer, no entanto, que nenhuma economia se mantém saudável por muito tempo quando o Estado se financia à custa de uma carga tributária mais pesada do que a sociedade pode tolerar. O governo sempre adiou o momento de fazer uma reforma de verdade na Previdência e também fez corpo mole quando o assunto era atacar o caos tributário. A mudança da Previdência esbarra em resistências no Congresso e o enxugamento do cipoal de tributos poderia reduzir a arrecadação num primeiro instante. Entende-se que os momentos de crise, com redução nos índices de popularidade dos governantes, nunca são muito adequados para redesenhar as estruturas de um país. Pois bem, o momento atual é de recuperação econômica. Chegou a hora de voltar ao velho desafio. Veja reportagem.

 

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