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A Favorita, João Emanuel Carneiro,
Até A Favorita, ele era o jovem autor mais promissor da Globo. Agora, ascende de vez, aos 38 anos, à elite de noveleiros aos quais a emissora confia seu carro-chefe. E o fez com personalidade. Se havia se consagrado no horário das 7 com comédias leves e amalucadas, em A Favorita investiu num melodrama rasgado. Fez ainda opções que vários de seus colegas considerariam temerárias como manter o espectador confuso sobre a identidade da mocinha e da vilã por dois meses. Desprezou, por fim, expedientes como o merchandising social, tão ao gosto de Glória Perez e Manoel Carlos. "As novelas viraram uma cartilha de exemplos edificantes. É pena que se siga esse caminho em detrimento de contar uma boa história", opina. Carneiro descobriu quanto é dura a vida de um autor de novela das 8 mas, a partir da semana que vem, usufruirá em tempo integral as recompensas desse trabalho. Com salário de 120 000 reais mensais, ele pretende se dar um longo período de férias na Bahia e na Europa. E curtir o novo apartamento de 350 metros quadrados na Avenida Vieira Souto, num ponto de agito da Praia de Ipanema. Como verificou VEJA durante entrevista com o noveleiro na semana passada, o refúgio vem sendo decorado com cuidado. Nas paredes, já se encontra um quadro do americano Richard Serra, nome badalado da arte contemporânea. Nas estantes, ganham destaque a coleção de DVDs, com filmes do espanhol Pedro Almodóvar e séries americanas como Desperate Housewives, e a biblioteca que vai dos romances de Dostoievski ao The Big Penis Book ("O Livro do Pênis Grande"), volume da editora alemã Taschen que traz imagens de bem, você já entendeu de quê. A rotina do noveleiro se inicia por volta das 13 horas, horário em que acorda, e segue até a madrugada. Nessas jornadas, ele consome um maço de cigarros e se dá o direito a um uisquinho de fim de noite (uma garrafa por semana). Várias reviravoltas da trama surgiram nessas horas. "O reencontro de Donatela e Flora no rancho dos Fontini, nesta semana, foi uma ideia do uísque", diz. Carneiro é filho único por parte de mãe, a crítica de arte Lélia Coelho Frota. Mas tem uma meia-irmã pelo lado paterno. Quem é ela? Ninguém menos do que a atriz Claudia Ohana. "Não tivemos contato até minha adolescência, mas hoje somos muito ligados", afirma. Tímido e com 7,5 graus de miopia, Carneiro foi na juventude um nerd que passava os dias em casa vendo TV. Formado em letras, lançou-se na profissão de roteirista ao ser premiado por um curta-metragem. O prestígio veio como um dos criadores do filme Central do Brasil, de Walter Salles. E a troca do cinema pela TV deu-se por uma razão existencial: "No cinema brasileiro, o roteirista vai ser sempre um infeliz, pois os diretores mandam. Só a TV nos realiza". Ao compor o elenco de suas novelas, Carneiro tem seus eleitos. A irmã ganhou um lugarzinho em A Favorita. "Com aquela cara brejeira, pensei logo nela para o papel de caminhoneira." Taís Araújo é um talismã que não falta em suas tramas. E há, claro, Carmo Dalla Vecchia. Antes pouco conhecido, o ator ganhou destaque em Cobras & Lagartos e, agora, como o repórter Zé Bob de A Favorita. Um grande amigo e ator-fetiche de Carneiro.
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