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VEJA
Recomenda
DVDs
A
Balada de Narayama (Narayama Bushiko, Japão,
1982. Cinemagia) Na aldeia à sombra da Montanha de
Narayama, a vida é brutal: recém-nascidos são
mortos para não aumentar as famílias, pessoas que
roubam alimentos são enterradas vivas, e os idosos têm
de saber quando chegou a hora de subir a montanha para morrer. A
mãe de Tatsuhei (Ken Ogata) quer cumprir sua obrigação.
Assim que arruma uma nova esposa para o filho, ela anuncia sua ida
para Narayama. Tatsuhei, porém, tem mais amor por sua mãe
do que respeito à necessidade. Essa obra-prima do diretor
Shohei Imamura contrapõe imagens implacáveis da natureza
à visão do martírio dos sentimentos, estampada
no rosto do excelente Ogata. Ainda hoje, um filme inigualável.
É pena a falta de cuidado com as legendas, que não
raro entram fora de hora ou não entram.
Divulgação
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| Exterminador
3: esqueça as comparações e divirta-se |
Exterminador do Futuro 3: a Rebelião das Máquinas
(Terminator 3: Rise of the Machines, Estados Unidos,
2003. Columbia) Tirar dois filmes memoráveis de uma
mesma história já foi uma façanha. Não
faz muito sentido, portanto, reclamar que esse terceiro Exterminador
não se iguala aos dois primeiros, quando ele é um
filme B honesto, bem orquestrado pelo diretor Jonathan Mostow e
que assume um tom paródico muito bem-vindo a esta altura
da série que deve continuar, com ou sem Arnold Schwarzenegger.
O governador da Califórnia faz aqui, como sempre, um robô
vindo do futuro, que agora enfrenta um modelo cibernético
bem mais letal do que ele próprio a T-X interpretada
por Kristanna Loken. É esquecer as comparações
e divertir-se.
Tosca
(Tosca, Inglaterra, França, Itália
e Alemanha, 2001. Europa Filmes) No universo operístico,
ainda está para nascer um vilão mais ardiloso que
o Barão Scarpia. Criado pelo compositor Giacomo Puccini e
pelos libretistas Giuseppe Giacosa e Luigi Illica, Scarpia nutre
uma paixão doentia pela cantora Floria Tosca e deseja tomá-la
à força. Para isso, prende o amado dela, o pintor
Mario Cavaradossi, e exige que Tosca se submeta aos seus caprichos.
A interpretação do barítono italiano Ruggero
Raimondi para as árias do vil Barão já garante
o interesse dessa versão cinematográfica da ópera,
dirigida pelo francês Benoît Jacquot. A meio-soprano
Angela Gheorghiu e o tenor Roberto Alagna, casados na vida real,
interpretam Tosca e Cavaradossi com brio.
LIVROS
Hell,
de Lolita Pille (tradução de Julio Bandeira; Intrínseca;
206 páginas; 34 reais) A francesa Lolita Pille estreou
na literatura com apenas 19 anos e já produziu barulho.
Hell, seu primeiro romance, satiriza de forma corrosiva a
juventude parisiense de classe alta, meio ao qual a própria
autora pertence. Hell, a protagonista do livro, é uma figura
tão atraente quanto repulsiva, que se vangloria de seu jeito
fútil de ser. Ela gasta seu tempo comprando roupas de grife,
faz sexo promíscuo e usa drogas como quem bebe água.
Ao descrever os excessos desse universo, Lolita desagradou às
altas-rodas de Paris: por causa de suas indiscrições,
acabou sendo barrada em certos círculos. Leia
trecho do livro.
Quem
e Como Fizemos a TV Globo, de Luiz Eduardo Borgerth (A Girafa;
248 páginas; 38 reais) O paulista Luiz Eduardo Borgerth
foi uma figura importante na criação e na consolidação
da Rede Globo. Atuou como um de seus principais executivos desde
os primórdios, em 1967, até o fim dos anos 90. Nessas
memórias, Borgerth apresenta perfis de personagens-chave
na história da emissora, como o empresário Roberto
Marinho e o ex-vice-presidente de operações José
Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni. Rico em informações
de bastidores, o livro revela detalhes, por exemplo, das relações
da Globo com os governos militares. Um documento interessante sobre
a maior rede de televisão do país.
DISCOS
Ego
War, Audio Bullys (Virgin) O Audio Bullys é
um dos nomes de ponta da música eletrônica inglesa
atual. A dupla, formada pelos DJs e produtores Tom Dinsdale e Simon
Franks, pertence a uma geração posterior ao The Chemical
Brothers, grupo que desbravou o gênero nos anos 90. À
semelhança daqueles conterrâneos, o Audio Bullys produz
batidas de apelo infalível nas pistas de dança. Mas
eles agregam outros ingredientes à receita. As letras longas,
muitas vezes declamadas à maneira do rap, abordam as inquietações
da juventude inglesa com o sexo, as drogas e temas afins. O gosto
por melodias fortes é outra marca do duo, como fica evidente
na faixa de abertura, Snake. Algumas músicas possuem
um acento rock'n'roll. É o caso de We
Don't Care, o maior hit do grupo.
O
Lamento do Samba, Paulo César Pinheiro (Acari Records/Biscoito
Fino) Um dos compositores mais prolíficos da MPB,
com cerca de 1 300 canções registradas no currículo
desde os anos 60, o carioca Paulo César Pinheiro foi parceiro
do violonista Baden Powell e marido da cantora Clara Nunes. Esse
novo disco é uma iguaria para os amantes do samba à
moda antiga. Com seu vozeirão grave e carregado de melancolia,
Pinheiro faz, ao longo das catorze faixas, um manifesto em defesa
das raízes do gênero. "Nos dias de hoje / O samba ficou
diferente / Não tem mais dolência / Mudou a cadência
/ E o povo nem sente / Sua melodia", entoa na faixa-título.
| Os
mais vendidos Crítica |
Publicada
nesta edição, a lista de VEJA dos livros
mais vendidos de 2003 revela fenômenos interessantes
nas três categorias pesquisadas. A área de
ficção foi a que demonstrou maior vigor
no ano passado: todos os quatro primeiros colocados em
seu ranking ficaram acima da marca de 100 000 exemplares
comercializados. Lançada no fim de novembro, Harry
Potter e a Ordem da Fênix, a quinta aventura
do bruxo mirim, atingiu em pouco mais de quarenta dias
a maior vendagem do país no ano. Foram 300 000
livros, segundo dado oficial da editora Rocco respaldado
pelas grandes redes de livrarias. Também editado
pela Rocco, o romance Onze Minutos, de Paulo Coelho,
atingiu uma marca não menos expressiva: foram quase
250 000 exemplares desde seu lançamento, em abril
do ano passado. No topo da lista de não-ficção,
não há novidades: pelo terceiro ano consecutivo,
Estação Carandiru, do médico
Drauzio Varella, ficou em primeiro lugar.
O
fenômeno que salta aos olhos na categoria não-ficção
é outro: o espaço conquistado pelo jornalista
Elio Gaspari, com seus três volumes sobre os bastidores
dos governos militares. Somados, A Ditadura Envergonhada,
A Ditadura Derrotada e A Ditadura Escancarada
ultrapassaram a casa dos 200 000 livros e garantiram
à editora Companhia das Letras que também
edita Estação Carandiru
uma presença forte nesse nicho. No segmento de
auto-ajuda e esoterismo, o destaque coube ao livro Quem
Ama, Educa!, do psiquiatra Içami Tiba. De
acordo com os números da editora Gente, foram
comercializados mais de 280 000 exemplares da obra,
o que faria dela a segunda maior vendagem do ano no
país.
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