Edição 1836 . 14 de janeiro de 2004

Índice
Brasil
Internacional
Economia e Negócios
Geral
Guia
Artes e Espetáculos
Stephen Kanitz
Sérgio Abranches
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Veja essa
Gente
Datas
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

VEJA Recomenda

DVDs

A Balada de Narayama (Narayama Bushiko, Japão, 1982. Cinemagia) – Na aldeia à sombra da Montanha de Narayama, a vida é brutal: recém-nascidos são mortos para não aumentar as famílias, pessoas que roubam alimentos são enterradas vivas, e os idosos têm de saber quando chegou a hora de subir a montanha para morrer. A mãe de Tatsuhei (Ken Ogata) quer cumprir sua obrigação. Assim que arruma uma nova esposa para o filho, ela anuncia sua ida para Narayama. Tatsuhei, porém, tem mais amor por sua mãe do que respeito à necessidade. Essa obra-prima do diretor Shohei Imamura contrapõe imagens implacáveis da natureza à visão do martírio dos sentimentos, estampada no rosto do excelente Ogata. Ainda hoje, um filme inigualável. É pena a falta de cuidado com as legendas, que não raro entram fora de hora – ou não entram.

Divulgação
Exterminador 3: esqueça as comparações e divirta-se


Exterminador do Futuro 3: a Rebelião das Máquinas
(Terminator 3: Rise of the Machines, Estados Unidos, 2003. Columbia) – Tirar dois filmes memoráveis de uma mesma história já foi uma façanha. Não faz muito sentido, portanto, reclamar que esse terceiro Exterminador não se iguala aos dois primeiros, quando ele é um filme B honesto, bem orquestrado pelo diretor Jonathan Mostow e que assume um tom paródico muito bem-vindo a esta altura da série – que deve continuar, com ou sem Arnold Schwarzenegger. O governador da Califórnia faz aqui, como sempre, um robô vindo do futuro, que agora enfrenta um modelo cibernético bem mais letal do que ele próprio – a T-X interpretada por Kristanna Loken. É esquecer as comparações e divertir-se.

Tosca (Tosca, Inglaterra, França, Itália e Alemanha, 2001. Europa Filmes) – No universo operístico, ainda está para nascer um vilão mais ardiloso que o Barão Scarpia. Criado pelo compositor Giacomo Puccini e pelos libretistas Giuseppe Giacosa e Luigi Illica, Scarpia nutre uma paixão doentia pela cantora Floria Tosca e deseja tomá-la à força. Para isso, prende o amado dela, o pintor Mario Cavaradossi, e exige que Tosca se submeta aos seus caprichos. A interpretação do barítono italiano Ruggero Raimondi para as árias do vil Barão já garante o interesse dessa versão cinematográfica da ópera, dirigida pelo francês Benoît Jacquot. A meio-soprano Angela Gheorghiu e o tenor Roberto Alagna, casados na vida real, interpretam Tosca e Cavaradossi com brio.

 

LIVROS

Hell, de Lolita Pille (tradução de Julio Bandeira; Intrínseca; 206 páginas; 34 reais) – A francesa Lolita Pille estreou na literatura com apenas 19 anos – e já produziu barulho. Hell, seu primeiro romance, satiriza de forma corrosiva a juventude parisiense de classe alta, meio ao qual a própria autora pertence. Hell, a protagonista do livro, é uma figura tão atraente quanto repulsiva, que se vangloria de seu jeito fútil de ser. Ela gasta seu tempo comprando roupas de grife, faz sexo promíscuo e usa drogas como quem bebe água. Ao descrever os excessos desse universo, Lolita desagradou às altas-rodas de Paris: por causa de suas indiscrições, acabou sendo barrada em certos círculos. Leia trecho do livro.

Quem e Como Fizemos a TV Globo, de Luiz Eduardo Borgerth (A Girafa; 248 páginas; 38 reais) – O paulista Luiz Eduardo Borgerth foi uma figura importante na criação e na consolidação da Rede Globo. Atuou como um de seus principais executivos desde os primórdios, em 1967, até o fim dos anos 90. Nessas memórias, Borgerth apresenta perfis de personagens-chave na história da emissora, como o empresário Roberto Marinho e o ex-vice-presidente de operações José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni. Rico em informações de bastidores, o livro revela detalhes, por exemplo, das relações da Globo com os governos militares. Um documento interessante sobre a maior rede de televisão do país.

 

DISCOS

Ego War, Audio Bullys (Virgin) – O Audio Bullys é um dos nomes de ponta da música eletrônica inglesa atual. A dupla, formada pelos DJs e produtores Tom Dinsdale e Simon Franks, pertence a uma geração posterior ao The Chemical Brothers, grupo que desbravou o gênero nos anos 90. À semelhança daqueles conterrâneos, o Audio Bullys produz batidas de apelo infalível nas pistas de dança. Mas eles agregam outros ingredientes à receita. As letras longas, muitas vezes declamadas à maneira do rap, abordam as inquietações da juventude inglesa com o sexo, as drogas e temas afins. O gosto por melodias fortes é outra marca do duo, como fica evidente na faixa de abertura, Snake. Algumas músicas possuem um acento rock'n'roll. É o caso de We Don't Care, o maior hit do grupo.

O Lamento do Samba, Paulo César Pinheiro (Acari Records/Biscoito Fino) – Um dos compositores mais prolíficos da MPB, com cerca de 1 300 canções registradas no currículo desde os anos 60, o carioca Paulo César Pinheiro foi parceiro do violonista Baden Powell e marido da cantora Clara Nunes. Esse novo disco é uma iguaria para os amantes do samba à moda antiga. Com seu vozeirão grave e carregado de melancolia, Pinheiro faz, ao longo das catorze faixas, um manifesto em defesa das raízes do gênero. "Nos dias de hoje / O samba ficou diferente / Não tem mais dolência / Mudou a cadência / E o povo nem sente / Sua melodia", entoa na faixa-título.

 
Os mais vendidos – Crítica
Publicada nesta edição, a lista de VEJA dos livros mais vendidos de 2003 revela fenômenos interessantes nas três categorias pesquisadas. A área de ficção foi a que demonstrou maior vigor no ano passado: todos os quatro primeiros colocados em seu ranking ficaram acima da marca de 100 000 exemplares comercializados. Lançada no fim de novembro, Harry Potter e a Ordem da Fênix, a quinta aventura do bruxo mirim, atingiu em pouco mais de quarenta dias a maior vendagem do país no ano. Foram 300 000 livros, segundo dado oficial da editora Rocco respaldado pelas grandes redes de livrarias. Também editado pela Rocco, o romance Onze Minutos, de Paulo Coelho, atingiu uma marca não menos expressiva: foram quase 250 000 exemplares desde seu lançamento, em abril do ano passado. No topo da lista de não-ficção, não há novidades: pelo terceiro ano consecutivo, Estação Carandiru, do médico Drauzio Varella, ficou em primeiro lugar.

O fenômeno que salta aos olhos na categoria não-ficção é outro: o espaço conquistado pelo jornalista Elio Gaspari, com seus três volumes sobre os bastidores dos governos militares. Somados, A Ditadura Envergonhada, A Ditadura Derrotada e A Ditadura Escancarada ultrapassaram a casa dos 200 000 livros e garantiram à editora Companhia das Letras – que também edita Estação Carandiru – uma presença forte nesse nicho. No segmento de auto-ajuda e esoterismo, o destaque coube ao livro Quem Ama, Educa!, do psiquiatra Içami Tiba. De acordo com os números da editora Gente, foram comercializados mais de 280 000 exemplares da obra, o que faria dela a segunda maior vendagem do ano no país.

 

 

 
 
 
topo voltar