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Entrevista:
Hugh
Hefner
Sou
um romântico
Hugh Hefner, o fundador
da Playboy,
comemora os cinqüenta anos da revista
com seis namoradas e festas de arromba

Daniel
Hessel Teich
Quando fundou a Playboy, em dezembro de 1953, o americano
Hugh Hefner evitou colocar uma data na capa. Achou que a revista
iria encalhar e passaria meses nas bancas. O sucesso foi imediato.
Hoje, com tiragem mensal de 3,2 milhões de exemplares nos
Estados Unidos, a Playboy é a maior publicação
masculina do mundo e o carro-chefe de um conglomerado que faturou
280 milhões de dólares no ano passado. A revista é
publicada em dezessete países a Editora Abril edita
a versão brasileira , com 15 milhões de leitores.
No ano passado, 10 000 garotas se inscreveram no concurso que escolheria
a modelo que posaria nua para a edição especial dos
cinqüenta anos. Aos 77 anos, Hefner vive numa mansão
cinematográfica em Los Angeles, com suas seis namoradas
todas loiras e com menos de 25 anos. Casado duas vezes, tem quatro
filhos, dois de cada casamento. A mais velha, Christie, de 50 anos,
substituiu o pai na presidência do grupo Playboy. Em entrevista
a VEJA, Hefner fala sobre suas namoradas e as festas que promove.
Veja É verdade que o senhor já levou
mais de 2.000 mulheres para a cama?
Hefner
Eu nunca fiz a conta, mas imagino que deva ficar em torno
desse número. Gosto de deixar claro que sempre enfatizei
qualidade e não quantidade em meus relacionamentos.
Veja
Depois de ter dormido com tantas garotas, é possível
se lembrar de qual delas foi a melhor?
Hefner
Bem, eu sou um romântico, sabe? Invariavelmente a mulher ou
as mulheres com quem estou no momento são as melhores de
todas. Por isso, meus melhores relacionamentos são aqueles
que mantenho com as seis namoradas que tenho atualmente, em especial
com uma delas, Holly Madison. Ela é uma garota muito especial.
A verdade é que tive relacionamentos maravilhosos durante
todos estes anos.
Veja
Como é ter seis namoradas ao mesmo tempo, todas muito
mais jovens que o senhor?
Hefner
É muito bom.
Veja Elas não têm ciúme umas
das outras?
Hefner
Não há ciúme. É um tipo de relacionamento
simples e muito jovial. É como os outros relacionamentos
que sempre tive. Na maioria das vezes fico com uma de cada vez,
e, de forma geral, tudo funciona muito bem.
Veja
Como o senhor reagiria se uma de suas namoradas dissesse que
gostaria de ter um segundo namorado?
Hefner Eu
já namorei garotas que ao mesmo tempo namoravam outros homens.
Hoje prefiro que elas namorem apenas comigo. Esse tipo de relação
aberta, na qual se namora uma pessoa que tem outro namorado, não
me interessa mais. E, depois, teríamos um problema prático
com isso. Minhas namoradas moram todas comigo na Mansão Playboy,
e nós passamos muito tempo juntos. Não há espaço
para outros namorados. Fazemos todo tipo de coisa juntos. No Natal,
por exemplo, fizemos biscoitos para um orfanato e depois fomos ver
um filme natalino na televisão.
Veja
É como se o senhor tivesse um harém?
Hefner
É mais ou menos isso. Mas acho que minhas garotas são
muito mais felizes que as dos haréns.
Veja
O senhor foi um dos primeiros homens famosos a fazer propaganda
do Viagra, o remédio para a impotência sexual. O senhor
o usa regularmente?
Hefner
O Viagra é como a pílula anticoncepcional, uma conquista
para a sexualidade. A pílula liberou a mulher para o sexo
e o Viagra liberou o homem. No meu caso, com seis namoradas, é
um recurso bem valioso.
Veja
Há quanto tempo o senhor usa esse remédio?
Hefner Desde
que saiu nos Estados Unidos, em 1998. Eu me lembro muito bem porque
foi na época do meu aniversário. Meu médico
receitou os comprimidos no fim de semana da festa. Foi o melhor
aniversário de minha vida.
Veja
O senhor é famoso por suas festas. Qual foi a melhor?
Hefner Minhas
festas provavelmente são as melhores do mundo. Eu gosto em
especial de uma que damos todos os anos em agosto, chamada Sonho
de uma Noite de Verão. Reservamos vários quartos para
os convidados, que assim podem dormir na mansão. Acho que
é uma grande festa.
Veja É verdade que os convidados aproveitam
essas festas para participar de orgias em sua mansão?
Hefner É provável que aconteçam
orgias pelos cantos da casa, mas não é essa exatamente
a finalidade da festa.
Veja O
senhor é invejado por milhões de homens. Acha que
seu estilo de vida pode servir de modelo para outras pessoas?
Hefner Para
ser sincero, acho que esse estilo de vida não funciona para
todo mundo. Penso que mais importante é mostrar às
pessoas que não há apenas uma única forma de
levar a vida. Acredito em casamento, acredito em criar filhos dentro
de uma família, mas também acredito que é possível
levar uma vida de solteiro, com namoradas e toda a liberdade. Nesse
aspecto, minha crença básica é: há muitos
caminhos para Meca.
Veja
O que o senhor diria às pessoas que o citam como um exemplo
que deveria ser evitado?
Hefner
Há muitos conservadores e puritanos neste mundo. As crenças
e o estilo de vida deles são escolhas pessoais. Eu acho que
a vida é curta e precisa ser celebrada. Uma das razões
pelas quais as pessoas são tão fascinadas com o que
faço é que consegui redefinir outras possibilidades
de viver.
Veja
O senhor teve um derrame nos anos 80. Isso influenciou sua maneira
de encarar a vida?
Hefner O
fato de eu ter sobrevivido mudou toda a minha vida. Comecei a me
cuidar melhor. Desde então, é como se alguém
constantemente me desse um tapinha no ombro me lembrando que a vida
é curta e que não é apenas trabalho. É
preciso ter diversão também.
Veja
Uma
de suas namoradas contou que faz regularmente teste de Aids e doenças
sexualmente transmissíveis. O senhor também faz esses
exames?
Hefner
Sim, eu faço. Eu sou cuidadoso com meu corpo. Saúde
é fundamental.
Veja
É verdade que o senhor namora as garotas que posam para
a Playboy, as playmates?
Hefner Eu
costumo ficar amigo e manter uma relação muito próxima
com várias delas. Normalmente continuo em contato mesmo quando
o namoro acaba. A Playboy é como se fosse uma família
gigante, uma coisa muito especial. E tenho certeza de que se você
for conversar com as mulheres que apareceram na revista ou que foram
minhas namoradas vai encontrar o mesmo tipo de reação.
Elas vão dizer que esse foi um momento muito especial da
vida delas, que elas lembram com grande alegria. E eu também.
Veja É possível conjugar casamento
com a vida de dono da Playboy?
Hefner
Eu apostei duas vezes no casamento. O último durou dez anos
e fui totalmente fiel. Mas sinceramente não foi um período
bom de minha vida. Estou muito mais feliz hoje. Os últimos
anos têm sido os mais felizes de minha vida.
Veja
Como
o senhor definiria esses primeiros anos do século XXI sob
o ponto de vista da liberdade sexual?
Hefner
Acho que vivemos numa época em que o conservadorismo de alguns
aspectos se mistura com o liberalismo de outros. Do ponto de vista
político, vivemos num período bastante conservador,
mas as pessoas são bem liberais no aspecto social e sexual.
Nos últimos anos surgiu uma geração que é
muito mais ativa sexualmente e muito mais liberada que a anterior.
É um avanço grande. Nos anos 80 e no início
da década de 90 as pessoas eram muito mais conservadoras
no aspecto da sexualidade.
Veja
O senhor acredita que é possível uma retomada de
valores morais mais conservadores?
Hefner
Os anos 80 foram terríveis nos Estados Unidos. Vínhamos
de um período de grande liberdade, que começou na
segunda metade dos anos 60 e tomou toda a década de 70. Há
um conflito contínuo na sociedade americana entre valores
conservadores e liberais, particularmente no que diz respeito a
sexo. Mas acho muito difícil voltar aos valores conservadores
do passado. A maior razão para isso é a evolução
tecnológica dos últimos anos. A internet, a comunicação
de massa permitiram um acesso fenomenal a imagens de todo tipo e
principalmente da sexualidade. É muito difícil, se
não impossível, reverter tudo isso.
Veja
Esse tipo de liberação não leva
a extremos como o excesso de pornografia na internet?
Hefner A democracia e mesmo a liberdade são
coisas perigosas. Elas exigem que as pessoas façam escolhas,
e isso inclui excessos, mas acho que é a melhor maneira que
se tem para viver a vida. A comunicação e a habilidade
para conseguir mais informações são uma experiência
libertadora.
Veja O senhor não acha que a pornografia
ultrapassou os limites do aceitável, com tantos sites de
sexo e a exibição indiscriminada de cenas sensuais
na televisão e no cinema?
Hefner É claro que há excessos. Mas
ainda penso que é importante compreender que esse é
um preço a ser pago pela liberdade. É um preço
pequeno. Sacrificar tudo o que conquistamos em nome desse tipo de
problema é impensável. É óbvio que acredito
que as crianças devem ser protegidas ao máximo e defendo
que todo tipo de abuso de que elas possam ser vítimas tem
de ser coibido e reprimido. Entre adultos, contudo, acho que a comunicação
deve ser absolutamente livre, seja na internet, seja na televisão.
Veja
Logo que a revista Playboy foi fundada, há cinqüenta
anos, virou o símbolo de um estilo de vida glamoroso. Esse
tipo de existência é possível na vida real?
Hefner
Acho que sempre é possível viver com certo estilo
e charme. Durante toda a minha vida tive esse objetivo. É
um tipo de postura que valia no passado e ainda vale. Contudo, é
preciso admitir que a vida tinha maior glamour no passado. A parte
boa é que vivemos numa época mais confortável
e lidamos melhor agora com questões como nudez e sexualidade
que nos anos 50.
Veja
O senhor acha que vivemos uma época de vulgarização
da sensualidade?
Hefner As coisas estão muito escancaradas
hoje, tanto o sexo quanto tudo o mais. O bombardeio de imagens e
todo tipo de informação sobre a vida das celebridades
tende a suprimir a aura que em outros tempos existiu em torno delas.
Esse é o resultado de um processo que por um lado banaliza
as coisas, mas por outro permite ganhos enormes em termos de liberdade
individual. Nesse processo houve perdas e ganhos. A vida é
assim.
Veja
O senhor leiloou diversos itens da coleção da Playboy
no mês passado. Qual deles era o mais valioso para o senhor?
Hefner
A foto de Marilyn Monroe nua, que publicamos na primeira edição
da Playboy. Era a peça mais valiosa, porque ela foi
o começo de tudo.
Veja Por que o senhor criou uma revista de mulher
pelada?
Hefner
Eu queria fazer uma revista de estilo de vida com enfoque no sexo.
Uma revista para o homem jovem e urbano. Queria também uma
revista que fosse uma reação ao puritanismo insuportável
daquela época. Juntei 8 000 dólares, dinheiro que
veio de amigos e parentes, os investidores do negócio. De
meu bolso mesmo eram só 600 dólares, ainda assim emprestados.
A revista não tinha nem data na capa, para poder durar mais
tempo caso encalhasse.
Veja Como o senhor conseguiu a foto de Marilyn
Monroe nua para sua primeira edição?
Hefner
A foto, feita por Tom Kelley, era muito famosa, mas pouquíssimas
pessoas a haviam visto de fato. Eu era jovem e lembro como era difícil
conseguir fotografias de mulheres nuas. O correio se recusava a
entregá-las por considerar o material obsceno. Quando comecei
a preparar a primeira edição da Playboy, lembrei
da foto da Marilyn. Comprei a foto e os direitos de uma agência
em Chicago por 500 dólares. Não só imprimi
a foto no pôster como consegui despachar a revista para todo
o país pelo correio.
Veja O senhor conheceu Marilyn?
Hefner Não pessoalmente. Apenas falei
com Marilyn por telefone pouco antes de ela morrer. Negociávamos
uma capa ou uma edição especial que acabou ficando
apenas na intenção. Meu irmão teve mais sorte.
Estudou com ela no curso de atores de Lee Strasberg, em Nova York.
Veja O que o senhor acha das mulheres brasileiras?
Hefner São belíssimas. Nossa edição
de dezembro teve na capa as gêmeas Sarah e Deisi Teles. Elas
vieram fazer as fotos aqui e eu até as convidei para ficar
na Mansão Playboy. Apesar de acreditar que a beleza é
universal, acho a beleza das brasileiras grandiosa, muito excitante.
Veja E a modelo Gisele Bündchen?
Hefner A namorada do Leonardo? (Leonardo DiCaprio,
ator americano e freqüentador assíduo das festas da
Playboy.) Ela é esplêndida. Ainda não a
conheci pessoalmente, mas conheço bem seu trabalho como modelo.
Eu adoraria vê-la em minha revista.
Veja Quais são as melhores playmates da
Playboy nesses cinqüenta anos?
Hefner Pamela Anderson, Cindy Crawford e, na categoria
histórica, Bettie Page e Brigitte Bardot. E, é claro,
Marilyn, acima de todas.
Veja E quais as mulheres que o senhor gostaria
de ver em breve em sua revista?
Hefner Mulheres populares e com grande sex appeal,
como Britney Spears, Sarah Jones e J-Lo (Jennifer Lopez).
Acho que nesse aspecto é importante dizer que a maioria das
mulheres mais belas dos últimos cinqüenta anos apareceu
nua na Playboy.
Veja Qual mulher o senhor gostaria de ter visto
na revista e que nunca aceitou aparecer?
Hefner Deve ter havido alguma no passado, mas
não consigo me lembrar de ninguém.
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