|
|
Carta
ao leitor
Um
bom uso para a euforia
Helvio Romero/AE
 |
| Pregão
da bolsa paulista na
semana passada: surto |
A
bolsa bate recorde atrás de recorde. Os mercados abrem um
largo sorriso para o Brasil, derrubando os indicadores de risco
de investimento no país para o menor valor desde 1997. Na
semana passada, os títulos da dívida brasileira chegaram
ao recorde de 100,2% do valor de face. Não podia haver demonstração
mais cabal de sucesso da política de estabilização
e saneamento financeiro do Estado iniciada no governo FHC e consolidada
na administração Lula pelo ministro Antonio Palocci.
Não podia haver também oportunidade melhor para corrigir
as distorções estruturais que ainda minam a prosperidade
do país e, no passado, foram responsáveis pela vida
curta dos episódios de euforia como os vividos nas últimas
semanas. A começar por reformas que não sejam meros
paliativos para os problemas que visavam a resolver, agora que o
sol brilha é a melhor hora para consertar os buracos no telhado.
Este bom momento, no entanto, está sendo perdido em ação
política miúda.
Lamentavelmente, a bonança produzida pelo apego do ministro
Palocci às regras consagradas de condução financeira
do país está sendo usada não para aprofundar
os acertos recentes da política econômica, mas para
reviver erros antigos de gestão. Na comentada reforma ministerial
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ouve-se de tudo,
menos uma coisa: competência. Tudo vem funcionando à
base de conveniências políticas e pessoais. Em outro
episódio da semana passada, o Planalto conseguiu o afastamento
de Luiz Schymura da presidência da Agência Nacional
de Telecomunicações (Anatel). Para seu lugar foi nomeado
Pedro Ziller, um ex-sindicalista conhecido por seu horror à
privatização. Uma agência reguladora existe
para ser independente do ministério a que está associada,
e Schymura incomodava porque aplicava corretamente esse mandamento,
para desgosto de altas figuras do governo que querem interferir
em áreas vitais como energia e telecomunicações.
Com todas as suas imperfeições, as agências
funcionam bem em outros países justamente para proteger das
interferências políticas desestabilizadoras os setores
produtivos como o energético e o de telecomunicações,
que exigem investimentos pesados. Em Brasília, tem muita
gente querendo abafar a independência das agências.
|