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VEJA Recomenda DVDs Amor
em 5 Tempos (5x2,
França, 2004. Imagem) Começando pelo momento da formalização
do divórcio de Marion e Gilles (Valeria Bruni Tedeschi e Stéphane
Freiss) e voltando passo a passo para trás ao estremecimento irrecuperável
da relação, ao nascimento do filho, à festa das bodas e,
finalmente, ao dia em que tudo começou , o diretor François
Ozon faz aqui uma dissecção dolorosa e in vivo de um casamento.
Ainda que o recurso da regressão não seja inédito (foi usado,
por exemplo, no também francês Irreversível), Ozon
o aplica de forma talhada à perfeição para o seu intento:
ilustrar o mundo de possibilidades que se abrem quando um homem e uma mulher se
encontram, e a maneira como elas vão sendo tolhidas pelas escolhas do dia-a-dia.
Veja
cenas. A Noite do
Iguana (The Night of the Iguana, Estados Unidos, 1964. Warner)
O americano John Huston foi o cineasta das chances derradeiras e daqueles que
estão no fim da linha como em Os Desajustados, último
filme de Marilyn Monroe e de Clark Gable, ou em Os Mortos, que ele dirigiu
já moribundo. A Noite do Iguana, adaptado da peça de Tennessee
Williams, também mergulha nesse sentimento. Richard Burton é um
pastor que pecou e se viu reduzido a trabalhar como guia em excursões para
senhoras. No México, sucumbindo ao álcool, ele procura a ajuda de
Maxine (Ava Gardner), que acaba de ficar viúva e não sabe que destino
dar ao seu desejo. Junta-se à dupla, então, uma pintora solteirona
(Deborah Kerr). Há aqui um tanto de histrionismo. Mas há mais ainda
de empatia verdadeira para com os personagens e suas fraquezas. LIVROS Pelo Mundo da Moda,
de Lilian Pacce (Senac; 520 páginas; 75 reais) A jornalista de moda
Lilian Pacce reuniu nesse livro o melhor de seu trabalho nos últimos vinte
anos. São 100 textos, entre reportagens e perfis publicados em jornais
e revistas e transcrições de entrevistas apresentadas no programa
GNT Fashion, do canal de assinatura GNT. Lilian conta a história
e revela os bastidores de grandes ateliês internacionais, como Chanel e
Dior. Entre os entrevistados, há verdadeiras lendas da moda, como o estilista
Pierre Cardin, e algumas das modelos mais requisitadas do mundo, como a brasileira
Gisele Bündchen e a inglesa Naomi Campbell. Dividido em três grandes
seções criadores, grifes e modelos e muito bem ilustrado,
o livro funciona como um quem é quem da moda internacional. Novelas,
de Samuel Beckett (tradução de Eloisa Araújo Ribeiro; Martins
Fontes; 108 páginas; 24,50 reais) O filósofo alemão
Theodor Adorno comparou os personagens de Samuel Beckett (1906-1989) a "moscas
debatendo-se depois que o mata-moscas as esmagou só pela metade". A expressão
sintetiza bem a situação existencial das peças mais célebres
do autor irlandês, como Esperando Godot e Fim de Partida.
E define perfeitamente o herói de O Expulso, O Calmante e O Fim,
as três histórias incluídas em Novelas. Trata-se de
um mendigo, expulso do seu asilo, que anda sem rumo por uma cidade indefinida.
"Já não sei quando morri", diz ele no início de O Calmante.
Nobel de Literatura de 1969, Beckett constrói nessas histórias
curtas o mesmo universo desolador que caracteriza seu teatro.
Os
Filhos da Meia-Noite, de Salman Rushdie (tradução de Donaldson
M. Garschagen; Companhia das Letras; 608 páginas; 64 reais) Segundo
livro do escritor anglo-indiano, essa foi a obra que o consagrou, antes da indesejável
fama conquistada quando o aiatolá Khomeini condenou o autor à morte
por Os Versos Satânicos. Prêmio Booker de 1981, o romance narra
a história de Salim Sinai, indiano que nasce à meia-noite de 15
de agosto de 1947, data da independência de seu país. A nova edição
traz um prefácio recente do escritor, no qual ele rememora o período
de criação da obra. Rushdie também lembra o processo que
a então primeira-ministra indiana Indira Gandhi moveu contra ele em 1984,
por causa de uma única frase do livro a insinuação
de que o filho dela tinha influência demais no governo. Leia
trecho.
DISCOS
Marcia Santos  |
| Elis: toda canção é uma obra-prima |
Elis: Edição Especial, Elis Regina
(Trama) A cantora gaúcha Elis Regina (1945-1982) pertencia àquela
categoria de intérpretes capazes de transformar em obra-prima a mais simplória
das canções. Esse disco de 1980 tem exemplos memoráveis dessa
qualidade, como Aprendendo a Jogar, de Guilherme Arantes, e O Medo de
Amar É o Medo de Ser Livre, de Beto Guedes. O relançamento da
Trama tem duas novidades que o tornam imperdível. Uma delas é que
cada faixa ganhou alguns segundos a mais, a fim de se aproximar de sua versão
original que teve de ser reduzida por causa das limitações
do vinil. Outro bônus é um DVD, contendo uma entrevista de Elis para
o programa Jogo da Verdade, da TV Cultura.
Bertrand Guay/AFP  |  |
| Carla Bruni: nova voz da chanson | |
Putumayo Presents: Paris, vários
intérpretes (Putumayo) Criado em 1993, o selo americano Putumayo
começou lançando compilações de ritmos da África
e da América Latina, sem o caráter exótico que costuma macular
esses discos. Nos últimos tempos, ampliou seus interesses e obteve excelentes
resultados artísticos e comerciais. Essa coletânea é uma boa
mostra da seriedade da gravadora. Putumayo Presents: Paris traz artistas
da nova chanson, que modernizou o pop de astros como Serge Gainsbourg.
Praticamente todos os grandes nomes do pop francês contemporâneo marcam
presença, mas dois merecem destaque: a cantora Carla Bruni, que comparece
com o sucesso Quelqu'un M'A Dit, e a voz doce de Coralie Clément
na bossa Samba de Mon Coeur qui Bat. |