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Diogo
Mainardi Paulo Francis e eu
"Como
se sabe, eu sou o imitador barato de Paulo Francis. O que nele
era tragédia, comigo se transformou
em farsa. A grande vantagem de pertencer a um universo farsesco
é que, ao contrário de Paulo Francis, não
há a menor possibilidade de que eu morra por causa dos
meus processos" Em 2007,
fará dez anos que Paulo Francis morreu. Eu me encontrei com ele, pela última
vez, dois meses antes de sua morte. Passamos o Natal juntos em Paris. Ele tinha
acabado de resolver a pendenga judiciária com a Petrobras, que o processara
por uma frase dita no programa Manhattan Connection. Em Paris, ele falou
muito sobre o caso. Dizia-se aliviado e cansado. Elio Gaspari atribuiu sua morte
ao imenso desgaste emocional sofrido durante o processo. Eu defendo a linha eliogaspariana.
Acredito que Paulo Francis realmente morreu por esse motivo.
Como se sabe, eu sou o imitador barato de Paulo Francis. O que nele era tragédia,
comigo se transformou em farsa. Estou sendo processado por um monte de gente ligada
ao petismo. Num desses processos, a Brasil Telecom me apresentou como uma espécie
de Marcola do parajornalismo, afirmando à autoridade judiciária
que há 425 denúncias contra mim. O número foi ligeiramente
inflacionado. Com isso não pretendo sugerir que a Brasil Telecom costuma
inflacionar seus números, como aqueles oferecidos ao Citibank por sua cota
na empresa. É bom que isso fique claro e que a Brasil Telecom me entenda,
porque já tenho processos o bastante. O fato é que não há
425 denúncias contra mim. Atualmente, respondo a seis processos criminais
e cerca de uma dúzia de cíveis. Um mais grotesco do que o outro.
A Justiça sabe disso. Tanto que meu retrospecto legal é altamente
positivo. Só nesta semana meus advogados ganharam duas causas. A grande
vantagem de pertencer a um universo farsesco é que, ao contrário
de Paulo Francis, não há a menor possibilidade de que eu morra por
causa de meus processos. O pior que pode me acontecer é ter de viajar a
São Paulo de dois em dois meses.
A tática de intimidar a imprensa por meio de processos judiciais foi testada
pelos petistas no Rio Grande do Sul. O tema é tratado no livro de entrevistas
Vanguarda do Atraso, de Diego Casagrande. O jornalista José Barrionuevo
foi denunciado doze, treze vezes durante o governo Olívio Dutra, até
ser condenado por uma estatal de energia. Políbio Braga foi obrigado a
prestar depoimento numa delegacia de polícia. Em seguida, foi demitido
da Bandeirantes e da Gazeta Mercantil porque o governo simplesmente cortou
a publicidade destinada a esses veículos. Érico Valduga foi processado
por delito de opinião, assim como Rogério Mendelski. No total, segundo
o livro, uns vinte jornalistas foram perseguidos pelo petismo gaúcho, um
número surpreendentemente grande, considerando a moralidade fluida da categoria.
A gauchada é meio lenta. Levou alguns anos para aprender que os petistas
mordem. Depois disso, livrou-se deles para sempre. O resto do Brasil é
ainda mais lento do que o Rio Grande do Sul. Mas um dia aprende. Pavlovianamente.
Cuidado. Os petistas mordem.
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