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Edição 1986 . 13 de dezembro de 2006

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Nem favela tem...

 
Fotos divulgação

No filme Turistas, que estreou neste mês nos Estados Unidos, um grupo de americanos em férias no Brasil é dopado e tem órgãos removidos e doados a hospitais carentes por um médico brasileiro rebelado contra a "exploração" do Terceiro Mundo. Divulgado e comentado na internet, provocou um tsunami nos brios nacionais. O maranhense Raul Guterres, 39 anos, radicado há onze em Los Angeles – "Mas brasileiríssimo, de tocar em bateria de escola de samba" –, ajudou na produção e não vê motivo para tanto.

POR QUE O FILME SE PASSA NO BRASIL? Sou amigo do presidente de uma das produtoras. O roteiro original se passava na Guatemala, mas ele me perguntou se seria possível filmar no Brasil. Eu disse que sim, porque tínhamos todas as locações. Na verdade, poderia ser em qualquer lugar do mundo, porque é a história de um psicopata.

O FATO DE ESSE PSICOPATA SER BRASILEIRO NÃO PEGA MAL PARA O PAÍS? De forma alguma. Ele controla um vilarejo fictício, que nem nome tem. Rouba órgãos de turistas para dar a pessoas de lá, porque acredita que os estrangeiros já usurparam muito do Brasil. Ele age por vingança mesmo, revolta.

A REAÇÃO NEGATIVA DO PÚBLICO BRASILEIRO CHEGOU A ATINGI-LO? Fui ameaçado no Orkut. Estou superestressado. Nunca imaginei que o filme teria essa repercussão. Tomamos todos os cuidados para não mostrar traficantes, favela, nenhum estereótipo negativo associado ao Brasil. O filme é só ficção. Eu amo o meu país.

TURISTAS ESTÁ PARA O BRASIL ASSIM COMO O FILME DO JORNALISTA FICTÍCIO BORAT ESTÁ PARA O CAZAQUISTÃO? O povo do Cazaquistão tem muito mais motivo para ficar chateado. O Brasil só foi prejudicado mesmo pela campanha publicitária, que é sensacionalista. Quando o filme chegar aqui, em fevereiro, as pessoas vão ver que foi um exagero.

 

A hora da pancada

 
Divulgação/TV Globo
Alex (Caruso) se cala diante de Marta (Lilia): ela vai ver só

Atenção, telespectadores de Páginas da Vida que se irritam, sim, mas também sentem empatia com o homem: está chegando a hora em que Alex (Marcos Caruso), o banana, desce o braço em Marta (Lilia Cabral), a megera. A cena acontece no fim desta semana, quando ele descobre que ela aceitou dinheiro do pai de seu neto. "Alex é um homem pacífico. Chega a esse extremo por considerar que tem uma boa razão", explica o autor da novela, Manoel Carlos. Pelo jeito, pegará gosto: "Haverá ainda uma segunda agressão, essa mais forte, quando ele descobrir que a neta, Clara, não está morta, como Marta lhe faz crer há cinco anos". Vilãs espancadas são sempre uma garantia de salto de audiência.

 

Tudo o que o diretor mandar

Dá para imaginar a deusa da foto abaixo fazendo faxina? Pois esse foi apenas um dos sacrifícios da atriz espanhola Penélope Cruz para fazer o elogiadíssimo papel em Volver, de Pedro Almodóvar. Aos poucos, ela vai entregando o jogo: a pedido do diretor, que a queria mais madura, usou uma prótese que lhe arredondava o derrière e praticou um tom de voz mais grave. Também por orientação dele, teve aulas de culinária – "Depois comia o que havia preparado, porque ele queria que eu sentisse o gosto" – e de canto. E, por iniciativa própria, passou a fazer a faxina da própria casa, pois "tinha muitas cenas limpando e queria fazer direito". Vale ou não vale um Oscar?

 

Um bebê, um avô, duas mamães

 
Jeff Haynes/AFP
Mary direita), com Heather: gravidez

Notícia auspiciosa na família do vice-presidente americano Dick Cheney, prócer da linha dura do governo e do Partido Republicano (os mesmos que não querem nem ouvir falar em união civil para os homossexuais): sua caçula, Mary, está grávida do primeiro filho – e a criança será criada por duas mães. Mary, 37 anos, executiva de um portal da internet, mora há quinze anos com Heather Poe, 45, ex-guarda-florestal, hoje dona-de-casa; a família aceita e elas até já compareceram em dupla a um jantar na Casa Branca. Com Heather, Mary tem uma vida normal. Com o pai, uma vida dupla: ela o apóia incondicionalmente, mas também defende o direito à união entre pessoas do mesmo sexo, anátema para os conservadores.

 

Alerta vermelho em Washington

 
AFP
Laura, o marido e as convidadas: viva Oscar

Nem o relatório sobre o fiasco no Iraque foi tão flamejante. Em estrelado espetáculo de gala em Washington, um certo longo vermelho acabou propiciando a mãe de todas as gafes. Na Casa Branca, pronta para a noite no teatro, a primeira-dama Laura Bush posou para fotos e pôs-se a recepcionar os seletos convidados de um exclusivo coquetel pré-espetáculo. Aí percebeu uma... duas... três senhoras vestidas com o mesmo e chamativo modelo da mais recente coleção do estilista Oscar de la Renta (preço: 8.500 dólares, ou 18.000 reais). Discretamente, deu meia-volta e foi trocar de roupa – "Para que suas convidadas não se sentissem constrangidas", explicou depois a assessora de imprensa Susan Whitson.


Editado por Lizia Bydlowski.
Colaboraram Bel Moherdaui e Marcelo Bortoloti

 
 
 
 
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