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Edição 1986 . 13 de dezembro de 2006

Índice
Millôr
Lya Luft
Diogo Mainardi
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Datas
Gente
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Cartas

 
"Infelizmente, o jovem não compreende que o pior cárcere não é o que aprisiona o corpo, mas, sim, o que asfixia a mente, como o álcool."
Giovana da Silveira Tavares
Viradouro, SP

A juventude e o álcool

Trabalho para uma organização européia especializada em segurança rodoviária e achei interessante a reportagem "Inimigo íntimo" (6 de dezembro), sobre o consumo excessivo de álcool. A grande maioria dos países-membros da União Européia adotou uma taxa-limite de concentração de álcool no sangue de 0,5 grama por litro. As poucas exceções como Irlanda e Malta, com taxas de 0,8 grama por litro, estão sob pressão para baixar esse índice. No que diz respeito a menores de 21 anos, muitos países praticam a tolerância zero. Os controles aleatórios nos quais motoristas são obrigados a fazer o teste do bafômetro nos fins de semana, na época de férias e festas de fim de ano têm gerado resultados positivos na luta contra a direção sob a influência do álcool. No Brasil, onde a taxa anual de mortes no trânsito é alarmante, isso deveria ser um exemplo a ser seguido.
Patricia Rio Branco
European Transport Safety Council
Bruxelas, Bélgica
www.etsc.be

Sinto-me na obrigação de cumprimentar VEJA pela reportagem. Lendo-a não pude deixar de me emocionar, pois me fez lembrar das visitas que fiz às clínicas que recuperam jovens dependentes de álcool. A dor de uma família ao ver filhos e netos se afundarem no vício é algo que marca para o resto da vida. Vivemos em um país onde as leis funcionam quando a punição é rigorosa e cumprida à risca. Em vista do problema, fiz um projeto de lei que fecha o estabelecimento que for pego vendendo bebidas alcoólicas para menores, e seus proprietários não poderão exercer o mesmo ramo de atividade pelo período de dez anos.
Maria Lúcia Amary
Deputada estadual (PSDB-SP)
São Paulo, SP

Sou professora de farmacologia desde 1977. Em 1978, residindo em Campina Grande, na Paraíba, proferi uma palestra sobre drogas lícitas e ilícitas em que comparava os efeitos do álcool com os da maconha. Provei a tese de que, se a maconha é proibida, o álcool também deveria sê-lo, já que seus efeitos são ainda mais graves que os da maconha. Por exemplo: enquanto a maconha aumenta o apetite para doces, o álcool desnutre, já que é extremamente calórico; a maconha não produz lesões hepáticas, enquanto a principal causa mortis do alcoolismo é a cirrose hepática.
Alba Brito
Instituto de Biologia da Unicamp
Campinas, SP

Como especialista em dependência química e presidente executivo do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa), cumprimento VEJA pela reportagem. O Cisa, ONG que atua na divulgação do conhecimento científico sobre o binômio álcool e saúde, reforça a necessidade de aperfeiçoar e fortalecer ações de prevenção entre os jovens. Em São Paulo, o Cisa realiza palestras para pais e educadores em escolas e organizações da área da educação. Além de atuar em prevenção, o Cisa está focado no apoio a pesquisas, como o projeto São Paulo Megacity, parte do estudo global World Mental Health Survey, coordenado pela Organização Mundial de Saúde. O projeto, elaborado pelo Núcleo de Epidemiologia Psiquiátrica do Instituto de Psiquiatria do HC-FMUSP com o apoio da Fapesp, tem o objetivo de pesquisar e identificar entre os transtornos psiquiátricos o uso, o abuso e a dependência do álcool na população e está sendo realizado simultaneamente em 27 países. Parabéns pela reportagem.
Arthur Guerra de Andrade,
Psiquiatra, fundador e diretor do Grupo de Estudos de Álcool e Drogas da Universidade de São Paulo (Grea/USP)
São Paulo, SP

O Estatuto da Criança e do Adolescente pune com dois a quatro anos de detenção o adulto que fornecer bebida alcoólica a menores de 18 anos. Isso serve para os pais. No entanto, essa é mais uma lei para não ser cumprida neste país de faz-de-conta. Com a reportagem "Inimigo íntimo", VEJA ajuda a prevenir os danos causados pelo alcoolismo. Pena que não haja uma política pública semelhante nessa área. Parabéns!
José Elias Aiex Neto
Médico psiquiatra
Foz do Iguaçu, PR

A reportagem esclarece ainda mais sobre os prejuízos do consumo de álcool, principalmente para os adolescentes. Mas jamais devemos esquecer o papel do Judiciário, que em muitos casos é conivente em crimes causados pelo álcool, deixando soltos (e assim premiando) muitos culpados por homicídios ao volante.
Rodrigo Batalha
Vitória, ES

Pior do que fazer uso é depender dessa droga, que, apesar de lícita, é uma das que mais matam no mundo.
Fernando Carreiro
Colatina, ES

Como cidadão, pai de família, médico e presidente da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) – entidade médica que desde a sua criação, há quase trinta anos, luta pela redução dos acidentes de tráfego em nosso país –, quero cumprimentar VEJA pela qualidade da reportagem. Dispomos de dados e informações da realidade brasileira, que, infelizmente, é extremamente grave. Quero colocar a Abramet à disposição desse importante veículo para que seus jornalistas possam conhecer a sua bandeira de luta e os relevantes trabalhos realizados visando a reduzir os efeitos negativos dessa epidemia.
Fábio F. Racy
Presidente
São Paulo, SP

Excelente a reportagem sobre bebidas alcoólicas, principalmente no relato que faz acerca do mal que acarreta e da passividade das autoridades brasileiras em endurecer a legislação para o consumo.
Marcos Barbosa
São Paulo, SP

 

Igreja Renascer

Obrigado, VEJA, pela reportagem "Entre a cruz e a cadeia" (6 de dezembro). Deus pode até ser brasileiro, mas não podemos acusá-lo de sonegador fiscal nem estelionatário. Ele não faz apologia de fraude financeira, falsidade ideológica. Dai a Cesar o que é de Cesar e cadeia aos falsários da fé, que tentam enganar o povo brasileiro.
Décio Amorim Pimentel
Salvador, BA

É inacreditável que tantas pessoas sejam iludidas por "religiões" ou igrejas cujo interesse é somente enriquecer seus líderes. Se todos usassem a razão e o bom senso, nada disso aconteceria.
José Rubens do Amaral
Valinhos, SP

Não querendo ser advogado do diabo, mas já sendo, um dos expedientes mais usados por marginais travestidos de pastores, bispos e apóstolos é o de, exatamente, culpar o demônio pelas artimanhas deles próprios. Nesse contexto, a própria Justiça parece acreditar em tão esfarrapada desculpa porque se nega a colocar na cadeia celebridades do submundo do crime em tantos templos pseudo-evangélicos no Brasil.
Rogério de Carvalho e Silva
Brasília, DF

Já não era sem tempo. As autoridades deveriam atentar para essas igrejas que, em meio a sessões de descarrego, alardeiam a cura de doenças, em cenas patéticas em quase todas as redes de TV do país, aproveitando-se da inocência e do desespero das pessoas, enchendo seus bolsos de dinheiro. Mas elas estão inertes diante desse exército de charlatães, enganadores e estelionatários. É inacreditável que em pleno século XXI enganadores desse tipo ainda tenham lugar em nossa sociedade.
Clovis Siqueira Cardoso
São Paulo, SP

Sou evangélica há mais de trinta anos. Fico muito triste com as notícias que às vezes leio em jornais e revistas. A prosperidade sem um conceito bíblico pode levar à ambição, e a ambição leva ao pecado, e o pecado às vezes à cadeia.
Vanda A.
Itaúna, MG

A reportagem da igreja evangélica Renascer deixa qualquer um chateado, pois parece que seus fundadores pensam somente no financeiro. Gostaria de ressaltar que conheço alguns trabalhos sociais dessa igreja e espero que não sejam interrompidos ou encerrados, como por exemplo: ajuda a drogados, expresso da solidariedade (serve jantar aos desabrigados), ajuda às famílias, abrigos e albergues etc. Não defendo seus dirigentes das falcatruas levantadas, mas temos de reconhecer e fortalecer esses trabalhos sociais que são de grande importância para as famílias assistidas e para as cidades atendidas.
Geraldo Francelino
Bocaiúva, MG

 

Teto salarial do funcionalismo

A imoral e revoltante conivência do Judiciário com o Legislativo transformou o teto salarial numa suculenta teta salarial. Essa extorsão do dinheiro público começou com o subterfúgio de regulamentar o inciso XII do art. 37 da Constituição, que já estava perfeitamente definido, prontinho para ser aplicado. O texto é claro e bem explícito, ao determinar que "os vencimentos dos cargos do Poder Legislativo e do Poder Judiciário não poderão ser superiores aos pagos pelo Poder Executivo". O "não" desse inciso é incisivo, não deixando margem a nenhuma dúvida. Ora, se os vencimentos nos poderes Legislativo e Judiciário não podem ser superiores aos do Executivo, é óbvio que o teto está assim estabelecido. A lógica infalível, expressa no bom senso, mostra que os vencimentos do presidente da República, a maior autoridade do Executivo, são a referência para o teto salarial, rigorosamente estabelecido na Constituição, que foi escamoteado, desrespeitado, sob a impávida complacência do Supremo Tribunal Federal (STF), porque também estava sendo beneficiado pelo indevido privilégio ("A volta da turma dos fura-teto", 6 de dezembro).
Jurandy Caripuna Maués
Juiz de Fora, MG

Com relação à reportagem, é impressionante a teia de gambiarras legalistas urdida por juristas de plantão para justificar o aumento do teto salarial dos magistrados e, de tabela, para sustentar os penduricalhos que engordam seus proventos. Mais impressionante ainda é a falta de senso crítico e de bom senso no trato da coisa pública, mormente em se tratando de julgar em causa própria. Diante de semelhante situação, a esperança de moralização do Judiciário, despertada pela ascensão da juíza Ellen Gracie à presidência do STF, vai para o espaço.
Elizio Nilo Caliman
Brasília, DF

Faltam-me adjetivos para expressar o que senti ao ler a matéria. Saibam esses espoliadores do Erário que cometem crime contra a nação. Uma nação na qual falta quase tudo para muitos. Onde milhares morrem na porta de hospitais, ou nas estradas malconservadas, ou por falta de segurança e de saneamento básico. Essas massas são vítimas de um país empobrecido, administrado por muitos funcionários públicos e políticos ricos que, em vez de voluntariamente renunciarem às vantagens incoerentes que percebem, ainda buscam na Justiça manter, e quem sabe incrementar, suas descabidas mordomias.
Hans Günter Hardt
Joinville, SC

Todo cargo ou posição de liderança é almejado sobretudo devido aos privilégios: o dinheiro, as mordomias, o poder. No Brasil, o país da casa-grande e da senzala, não deveria ser diferente. Aqui, liderança é isso, não é conduzir pessoas, não é assumir responsabilidades perante os liderados. Essa é a cultura que impera desde a família, passando pelas empresas até a Presidência.
Roberto Yamashita
Por e-mail

O que me deixa impressionado no caso dos fura-teto não são os valores pagos, mas sim o motivo de seus pagamentos. Não existe relação alguma entre a performance e o potencial dos funcionários públicos com os salários pagos. Em qualquer empresa séria grandes profissionais ganham salários adequados, dignos e condizentes com suas realizações. Temos de tomar cuidado: no país que adora uma minoria, logo teremos o MFT (Movimento dos Fura-Teto), isso se não invadirem o Congresso.
Luiz Eduardo Silva Daniele
São Paulo, SP

 

Mulheres nas Forças Armadas

Muito interessante a reportagem de VEJA "As pioneiras da caserna" (6 de dezembro), relatando o percurso dessas mulheres que abraçaram uma profissão majoritariamente masculina. Gostaria apenas de salientar que existem pesquisas a respeito do perfil das mulheres que entram nas Forças Armadas, pelo menos no que concerne à Força Aérea Brasileira, como a tese de doutorado de Emília Emi Takahashi, também docente da disciplina de psicologia na Academia da Força Aérea. O título do trabalho é "Homens e mulheres em campo: um estudo sobre a formação da identidade militar", defendido em 2002 na Unicamp.
Tania Regina Pires de Godoy
Docente em história militar na Academia da Força Aérea (AFA)
Pirassununga, SP

 

Robert Kagan

A história é pródiga em nos mostrar o papel dos Estados Unidos em relação ao resto do mundo. Não adianta pessoas como Robert Kagan (Amarelas, 6 de dezembro) tentarem modificar a imagem desse país tradicionalmente imperialista. A marcha para o oeste, as bombas de Hiroshima e Nagasaki, a "guerra contra o terror" e a classificação de países no "eixo do mal", entre outros, só provam a forma de conduta dos EUA, que sempre foram um país intolerante, excludente e, como superpotência, se dão o direito de ser também intervencionistas.
Adriano Souza Senkevics
São Paulo, SP

É óbvio que as raízes do terrorismo não serão destruídas com a mera conquista de um dos países mais esgotados e destroçados do mundo, o Iraque. Juntamente com a perseguição militar aos terroristas que cometeram os crimes do 11 de Setembro, é preciso haver uma guerra paralela contra a pobreza, a miséria e a injustiça. Mais ainda, desenraizar o terror também requer um sério reexame da política externa americana, para garantir que os erros do passado não se repitam.
Hugo Lins Coelho
Recife, PE

 

O Papa na Turquia

A pacífica e histórica viagem de Bento XVI à Turquia mostrou que o sumo pontífice foi mal interpretado em seu discurso na Universidade de Regensburg. Encontrando-se com ortodoxos e muçulmanos e com gestos conciliatórios, o papa mostrou que o diálogo é a melhor saída para os conflitos. Bento XVI se faz diferente do cardeal Ratzinger, mostrando, principalmente, que podemos voltar atrás em nossas idéias ("Numa terra estranha", 6 de dezembro).
Edvaldo Betioli Filho
Palmeira, PR

Quando Bento XVI fez aquelas infelizes declarações, protestamos, sim, por uma não-disseminação da islamofobia pelo mundo cristão. Agora, aplaudimos seu ato de respeito ao adentrar a Mesquita Azul, na Turquia, seguindo os ritos do Islã. O califa Omar no século VII dizia que um muçulmano poderia perfeitamente fazer suas orações em uma igreja ou uma sinagoga, pois são casas construídas para a adoração do Deus Único. Seja bem-vindo à nossa mesquita em São Paulo, quando da sua visita ao Brasil, Bento XVI, assim como todos os seguidores da Igreja Católica. Será um prazer recebê-los, irmãos.
Yussef Ali Abdouni
Sociedade Beneficente Muçulmana de São Paulo
São Paulo, SP

 

A China e os cães

É com muita tristeza e indignação que vejo como os chineses, que buscam o desenvolvimento e o reconhecimento internacional, principalmente com a realização dos Jogos Olímpicos de 2008, tratam seus animais, matando-os a pauladas no meio da rua. Querem demonstrar que são uma nação de rica cultura e desenvolvimento, mas escondem seus problemas empurrando-os para o interior e resolvendo suas questões de forma bruta, desrespeitando a vida de seres inocentes ("A política do cachorro único", 6 de dezembro).
Jaciara Pires da Silva
Itumbiara, GO

Um país que age dessa forma se tornar uma potência cada vez mais forte é um perigo para a humanidade!
Marcelo Alves
São Paulo, SP

Minhas lágrimas corriam de emoção ao ler mais uma vez um lindo texto sobre o amor do homem pelo seu cão, por Ivan Angelo ("Nós e os bichos", Veja São Paulo, 6 de dezembro), e de repente minhas lágrimas se transformam em raiva e revolta ao ler outra reportagem, sobre a forma primitiva de sacrificar cães na China.
Alice Satiko
Por e-mail

A Organização Mundial de Saúde aconselha como método eficiente para a superpopulação de cães a castração, e não o massacre que as carrocinhas e os centros de zoonoses de vários municípios brasileiros também vêm fazendo.
Davis Glaucio Quinelato
Catanduva, SP

 

Avaliação das escolas

Muito boa a reportagem "Como avaliar as escolas" (Guia, 6 de dezembro). Bastante interessante a opinião de professores e especialistas em educação a respeito de como fazer uma escolha criteriosa para matricular o filho num colégio.
Maria Dilma Ponte de Brito
Professora e coordenadora do curso de administração da Universidade Federal do Piauí (UFPI)
Parnaíba, PI

 

Diogo Mainardi

Se o governo Lula é uma droga, eu questiono como fica a nossa situação de viciados passivos desse vício? Pelo menos as autoridades poderiam proibir o consumo desse pó em locais públicos. Quem não é viciado, nem dependente, nem traficante dessa droga iria agradecer ("Pergunte ao pó", 6 de dezembro).
Cronwel Alex
João Pessoa, PB

Mais uma vez Diogo atinge o cerne dos problemas. Na citação de Euclides da Cunha, eu incluiria o seguinte: este país, além de atrasado culturalmente, está ficando cada vez mais bagunçado, principalmente nos últimos quatro anos. Já pensei até num novo lema para nossa bandeira: desordem e retrocesso. Aproveito para mais uma vez perguntar: o que o Brasil oferece de bom a quem é honesto, cumpridor das leis, pagador de impostos?
Braz Ferraz Carlomanho
Piracicaba, SP

"Lula é o símbolo da nossa incapacidade de pensar direito." A frase extraída do artigo "Pergunte ao pó", de Diogo Mainardi, foi a melhor definição que encontrei até hoje para explicar como foi possível chegarmos a ele e continuarmos com ele. Ela atende plenamente ao modelo 5C da perfeição: clara, completa, concisa, coerente e correta.
Abel Pires Rodrigues
Rio de Janeiro, RJ

 

Roberto Pompeu de Toledo

Magnífico o artigo "A suprema trava" (6 de dezembro), de Roberto Pompeu de Toledo. É notório que os consecutivos governos que estamos tendo não vêm considerando a educação uma prioridade, e as famílias também não têm cumprido seu papel como protagonista no processo de educação dos filhos. Mas há um fator não menos importante relativo a esse tema: é raro vermos o assunto educação aparecer em novelas, documentários e até mesmo em telejornais. As emissoras de TV deveriam rever seu papel como coadjuvantes nesse processo. Afinal, elas exercem enorme influência, principalmente nas camadas mais pobres da população, que é onde reside o maior desestímulo ao aprendizado.
Juliana Pisetta de Oliveira
Foz do Iguaçu, PR

Não importa que dos 68 alunos da Unidade Paraisópolis do Colégio Porto Seguro que se candidataram a uma bolsa do ProUni só doze tenham sido aprovados devido ao ambiente familiar: os filhos dos alunos da Escola da Comunidade de Paraisópolis certamente propiciarão a seus filhos um ambiente familiar melhor do que aquele que tiveram. Conclusão: se o poder público tomar de imediato as medidas necessárias ao aprimoramento do ensino e a sociedade civil (escolas privadas, ONGs, empresários) seguir o exemplo do Colégio Porto Seguro, daqui a vinte anos veremos destravada a suprema trava.
Roberto Pereira da Fonseca
São Paulo, SP

 

Millôr

A grande vantagem dessa tecnologia de última geração chamada L.I.V.R.O. é que, ao contrário do C.O.M.P.U.T.A.D.O.R., ele nunca trava. E mais: L.I.V.R.O. é tão high tech que é totalmente wireless. Assim, sugiro uma campanha para divulgar essa nova tecnologia, cujo slogan poderia ser "L.I.V.R.O. é muito M.I.L.L.O.R.". A propósito, M.I.L.L.O.R. é a sigla inglesa para "Male Intelligent Lonely Literate Obstinate Reader" ("L.I.V.R.O.", Millôr, 6 de dezembro).
Jorge Rizzo
Rio de Janeiro, RJ

Num país de poucos e maus leitores, de indivíduos desinteressados pela reportagem escrita em geral, a engenhoca chamada "L.I.V.R.O." perde cada vez mais espaço para a orgia dos sentidos promovida pelo componente audiovisual, sobretudo o dos games, dos computadores e da TV. Muito perspicaz e pertinente a coluna do Millôr desta semana.
Juliano Soares Nascimento
Serrinha, BA

 

Claudio de Moura Castro

O comentário do economista Claudio de Moura Castro em seu ponto de vista "Uma sociedade atrasada" (6 de dezembro) é um encontro da inteligência com a realidade. Podemos afirmar ainda que nesta sociedade o "esperto" é tratado como inteligente, a satisfação de uma empresa concorrente não tem preço quando outra fecha, fracassos pessoais e todo tipo de trapaça são superados com um "é assim mesmo", inexiste transparência e a desonestidade é moeda corrente entre governos e empresas privadas. Assim caminha esta sociedade. Parabéns, Claudio.
Francisco Rodrigues Neto
Paulo Afonso, BA

Muito interessante o texto retirado do livro Korean Patterns. Muitas vezes disse para os meus alunos sobre a transformação da Coréia do Sul, em trinta anos, de país mais pobre que o Brasil até o degrau que hoje ocupa. Infelizmente minha crença vem diminuindo, pois, se os coreanos acumularam disciplina e estoicismo por 3.000 anos, nosso histórico, em 500, não é nada abonador.
Gilberto C. Oliveira
Blumenau, SC

 

CORREÇÕES: O reconhecimento de Quebec como uma nação dentro do Canadá foi feito em Ottawa, e não em Toronto (Datas, 6 de dezembro). A lanchonete Roy Bean Burgers fica em Florianópolis, e não em Palhoça (VEJA Santa Catarina, pág. 45).

 

A NOVA MULHER

Cláudia e Maria Fernanda: "Da minha família não abro mão"

A leitora Cláudia Cristina Santos da Rocha, gaúcha de Passo Fundo, solteira, delegada de polícia e mãe adotiva de Maria Fernanda, escreveu para a redação para dizer que se identificou muito com a reportagem "A vida sem casamento" (29 de novembro). "O impasse da situação atual é recriar os valores, agregados às novas realidades. Não dá para casar porque falta homem? Da minha família eu não abro mão. Se aparecer um companheiro, que venha, mas que seja suficientemente bom para conviver com a mulher que me tornei." Às mulheres ela dá uma dica, a leitura do livro A Terceira Mulher – Permanência e Revolução do Feminino, de Gilles Lipovetsky, que diz: "Tudo, na existência feminina, tornou-se escolha, objeto de interrogação e arbitragem; nenhuma atividade mais está, em princípio, fechada às mulheres, nada mais fixa imperativamente seu lugar na ordem social; ei-las, da mesma maneira que os homens, entregues ao imperativo moderno de definir e inventar inteiramente sua própria vida".

 

GORDINHA E MODELO

A respeito da reportagem "Anorexia – Ela fez mais uma vítima" (22 de novembro), a leitora Fluvia Lacerda, carioca residente em Nova York, escreveu à redação para dividir com as leitoras de VEJA sua "história de sucesso e auto-aceitação". Trabalhando há três anos como modelo plus size, "ou seja, gordinha", ela diz ser "a única brasileira no ramo e tenho orgulho do meu corpo e do sucesso que atingi me aceitando do jeito que sou". Fluvia tem uma coluna num site da internet em que conta sua experiência de moça bonita fora dos padrões dominantes. "Gostaria muito de ter uma influência positiva entre as mulheres do meu país diante desse acontecimento tão triste", diz ela, referindo-se à morte da modelo Ana Carolina. As interessadas podem saber mais sobre a modelo no seguinte endereço: http://www.clubedacalcinha.com.br/gg01.htm.

 

PAI REENCONTRA O FILHO EM VEJA

Christophe Auger: reencontro com o pai quarenta anos depois

Ao ler "Comida, produtos de limpeza e best-sellers" (15 de novembro), Jacques Auger, 69 anos, gerente de uma fazenda em Presidente Figueiredo, no Amazonas, deparou com uma foto de Christophe Auger, 44 anos, gerente de entretenimento e eletrônicos da rede Wal-Mart/Bompreço, personagem da reportagem, e viu nele o filho de quem se separara havia décadas. "Quando vi a fotagrafia e li a legenda naquela edição de VEJA, tive a certeza de que se tratava de meu filho. Nome e idade coincidiam e as feições lembravam meus familiares, especialmente meu próprio pai", diz Jacques. "Faz quase quarenta anos que não o vejo nem tenho nenhum contato com ele", diz Christophe. "A separação se deu quando eu tinha 4 anos, após ele ter-se divorciado da minha mãe e ter assumido desafios pessoais na Amazônia." Jacques morou e trabalhou em Manaus e em outros lugares, alguns isolados no meio da floresta. Foi cozinheiro e dono de restaurante, professor da Aliança Francesa, coordenador pedagógico de um colégio e gerente de empreendimento turístico, antes de assumir o atual cargo. Nessa vida atribulada, não pôde manter contato com os filhos. "Tem sido uma descoberta muito interessante saber que hoje tenho pai. É indescritível!", diz Christophe. Agora, pai, filho e uma filha, irmã de Christophe, que mora na França, falam com freqüência por e-mail. "Se existisse um mundo perfeito, esse momento seria parte dele", diz Jacques.

 

 
 
 
 
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