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Cartas
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"Infelizmente, o jovem não compreende
que o pior cárcere não é o que aprisiona o corpo, mas, sim,
o que asfixia a mente, como o álcool."
Giovana da Silveira Tavares
Viradouro, SP |
A juventude e o álcool
Trabalho para uma organização
européia especializada em segurança rodoviária
e achei interessante a reportagem "Inimigo íntimo" (6 de
dezembro), sobre o consumo excessivo de álcool. A grande
maioria dos países-membros da União Européia
adotou uma taxa-limite de concentração de álcool
no sangue de 0,5 grama por litro. As poucas exceções
como Irlanda e Malta, com taxas de 0,8 grama por litro, estão
sob pressão para baixar esse índice. No que diz respeito
a menores de 21 anos, muitos países praticam a tolerância
zero. Os controles aleatórios nos quais motoristas são
obrigados a fazer o teste do bafômetro nos fins de semana,
na época de férias e festas de fim de ano têm
gerado resultados positivos na luta contra a direção
sob a influência do álcool. No Brasil, onde a taxa
anual de mortes no trânsito é alarmante, isso deveria
ser um exemplo a ser seguido.
Patricia Rio Branco
European Transport Safety Council
Bruxelas, Bélgica
www.etsc.be
Sinto-me na obrigação
de cumprimentar VEJA pela reportagem. Lendo-a não pude deixar
de me emocionar, pois me fez lembrar das visitas que fiz às
clínicas que recuperam jovens dependentes de álcool.
A dor de uma família ao ver filhos e netos se afundarem no
vício é algo que marca para o resto da vida. Vivemos
em um país onde as leis funcionam quando a punição
é rigorosa e cumprida à risca. Em vista do problema,
fiz um projeto de lei que fecha o estabelecimento que for pego vendendo
bebidas alcoólicas para menores, e seus proprietários
não poderão exercer o mesmo ramo de atividade pelo
período de dez anos.
Maria Lúcia Amary
Deputada estadual (PSDB-SP)
São Paulo, SP
Sou professora de farmacologia
desde 1977. Em 1978, residindo em Campina Grande, na Paraíba,
proferi uma palestra sobre drogas lícitas e ilícitas
em que comparava os efeitos do álcool com os da maconha.
Provei a tese de que, se a maconha é proibida, o álcool
também deveria sê-lo, já que seus efeitos são
ainda mais graves que os da maconha. Por exemplo: enquanto a maconha
aumenta o apetite para doces, o álcool desnutre, já
que é extremamente calórico; a maconha não
produz lesões hepáticas, enquanto a principal causa
mortis do alcoolismo é a cirrose hepática.
Alba Brito
Instituto de Biologia da Unicamp
Campinas, SP
Como especialista em dependência
química e presidente executivo do Centro de Informações
sobre Saúde e Álcool (Cisa), cumprimento VEJA pela
reportagem. O Cisa, ONG que atua na divulgação do
conhecimento científico sobre o binômio álcool
e saúde, reforça a necessidade de aperfeiçoar
e fortalecer ações de prevenção entre
os jovens. Em São Paulo, o Cisa realiza palestras para pais
e educadores em escolas e organizações da área
da educação. Além de atuar em prevenção,
o Cisa está focado no apoio a pesquisas, como o projeto São
Paulo Megacity, parte do estudo global World Mental Health Survey,
coordenado pela Organização Mundial de Saúde.
O projeto, elaborado pelo Núcleo de Epidemiologia Psiquiátrica
do Instituto de Psiquiatria do HC-FMUSP com o apoio da Fapesp, tem
o objetivo de pesquisar e identificar entre os transtornos psiquiátricos
o uso, o abuso e a dependência do álcool na população
e está sendo realizado simultaneamente em 27 países.
Parabéns pela reportagem.
Arthur Guerra de Andrade,
Psiquiatra, fundador e diretor do Grupo de Estudos de
Álcool e Drogas da Universidade de São Paulo (Grea/USP)
São Paulo, SP
O Estatuto da Criança
e do Adolescente pune com dois a quatro anos de detenção
o adulto que fornecer bebida alcoólica a menores de 18 anos.
Isso serve para os pais. No entanto, essa é mais uma lei
para não ser cumprida neste país de faz-de-conta.
Com a reportagem "Inimigo íntimo", VEJA ajuda a prevenir
os danos causados pelo alcoolismo. Pena que não haja uma
política pública semelhante nessa área. Parabéns!
José Elias Aiex Neto
Médico psiquiatra
Foz do Iguaçu, PR
A reportagem esclarece ainda
mais sobre os prejuízos do consumo de álcool, principalmente
para os adolescentes. Mas jamais devemos esquecer o papel do Judiciário,
que em muitos casos é conivente em crimes causados pelo álcool,
deixando soltos (e assim premiando) muitos culpados por homicídios
ao volante.
Rodrigo Batalha
Vitória, ES
Pior do que fazer uso é
depender dessa droga, que, apesar de lícita, é uma
das que mais matam no mundo.
Fernando Carreiro
Colatina, ES
Como cidadão, pai de família,
médico e presidente da Associação Brasileira
de Medicina de Tráfego (Abramet) entidade médica
que desde a sua criação, há quase trinta anos,
luta pela redução dos acidentes de tráfego
em nosso país , quero cumprimentar VEJA pela qualidade
da reportagem. Dispomos de dados e informações da
realidade brasileira, que, infelizmente, é extremamente grave.
Quero colocar a Abramet à disposição desse
importante veículo para que seus jornalistas possam conhecer
a sua bandeira de luta e os relevantes trabalhos realizados visando
a reduzir os efeitos negativos dessa epidemia.
Fábio F. Racy
Presidente
São Paulo, SP
Excelente a reportagem sobre
bebidas alcoólicas, principalmente no relato que faz acerca
do mal que acarreta e da passividade das autoridades brasileiras
em endurecer a legislação para o consumo.
Marcos Barbosa
São Paulo, SP
Igreja Renascer
Obrigado, VEJA, pela reportagem
"Entre a cruz e a cadeia" (6 de dezembro). Deus pode até
ser brasileiro, mas não podemos acusá-lo de sonegador
fiscal nem estelionatário. Ele não faz apologia de
fraude financeira, falsidade ideológica. Dai a Cesar o que
é de Cesar e cadeia aos falsários da fé, que
tentam enganar o povo brasileiro.
Décio Amorim Pimentel
Salvador, BA
É inacreditável
que tantas pessoas sejam iludidas por "religiões" ou igrejas
cujo interesse é somente enriquecer seus líderes.
Se todos usassem a razão e o bom senso, nada disso aconteceria.
José Rubens do Amaral
Valinhos, SP
Não querendo ser advogado
do diabo, mas já sendo, um dos expedientes mais usados por
marginais travestidos de pastores, bispos e apóstolos é
o de, exatamente, culpar o demônio pelas artimanhas deles
próprios. Nesse contexto, a própria Justiça
parece acreditar em tão esfarrapada desculpa porque se nega
a colocar na cadeia celebridades do submundo do crime em tantos
templos pseudo-evangélicos no Brasil.
Rogério de Carvalho e Silva
Brasília, DF
Já não era sem
tempo. As autoridades deveriam atentar para essas igrejas que, em
meio a sessões de descarrego, alardeiam a cura de doenças,
em cenas patéticas em quase todas as redes de TV do país,
aproveitando-se da inocência e do desespero das pessoas, enchendo
seus bolsos de dinheiro. Mas elas estão inertes diante desse
exército de charlatães, enganadores e estelionatários.
É inacreditável que em pleno século XXI enganadores
desse tipo ainda tenham lugar em nossa sociedade.
Clovis Siqueira Cardoso
São Paulo, SP
Sou evangélica há
mais de trinta anos. Fico muito triste com as notícias que
às vezes leio em jornais e revistas. A prosperidade sem um
conceito bíblico pode levar à ambição,
e a ambição leva ao pecado, e o pecado às vezes
à cadeia.
Vanda A.
Itaúna, MG
A reportagem da igreja evangélica
Renascer deixa qualquer um chateado, pois parece que seus fundadores
pensam somente no financeiro. Gostaria de ressaltar que conheço
alguns trabalhos sociais dessa igreja e espero que não sejam
interrompidos ou encerrados, como por exemplo: ajuda a drogados,
expresso da solidariedade (serve jantar aos desabrigados), ajuda
às famílias, abrigos e albergues etc. Não defendo
seus dirigentes das falcatruas levantadas, mas temos de reconhecer
e fortalecer esses trabalhos sociais que são de grande importância
para as famílias assistidas e para as cidades atendidas.
Geraldo Francelino
Bocaiúva, MG
Teto salarial do funcionalismo
A imoral e revoltante conivência
do Judiciário com o Legislativo transformou o teto salarial
numa suculenta teta salarial. Essa extorsão do dinheiro público
começou com o subterfúgio de regulamentar o inciso
XII do art. 37 da Constituição, que já estava
perfeitamente definido, prontinho para ser aplicado. O texto é
claro e bem explícito, ao determinar que "os vencimentos
dos cargos do Poder Legislativo e do Poder Judiciário não
poderão ser superiores aos pagos pelo Poder Executivo". O
"não" desse inciso é incisivo, não deixando
margem a nenhuma dúvida. Ora, se os vencimentos nos poderes
Legislativo e Judiciário não podem ser superiores
aos do Executivo, é óbvio que o teto está assim
estabelecido. A lógica infalível, expressa no bom
senso, mostra que os vencimentos do presidente da República,
a maior autoridade do Executivo, são a referência para
o teto salarial, rigorosamente estabelecido na Constituição,
que foi escamoteado, desrespeitado, sob a impávida complacência
do Supremo Tribunal Federal (STF), porque também estava sendo
beneficiado pelo indevido privilégio ("A volta da turma dos
fura-teto", 6 de dezembro).
Jurandy Caripuna Maués
Juiz de Fora, MG
Com relação à
reportagem, é impressionante a teia de gambiarras legalistas
urdida por juristas de plantão para justificar o aumento
do teto salarial dos magistrados e, de tabela, para sustentar os
penduricalhos que engordam seus proventos. Mais impressionante ainda
é a falta de senso crítico e de bom senso no trato
da coisa pública, mormente em se tratando de julgar em causa
própria. Diante de semelhante situação, a esperança
de moralização do Judiciário, despertada pela
ascensão da juíza Ellen Gracie à presidência
do STF, vai para o espaço.
Elizio Nilo Caliman
Brasília, DF
Faltam-me adjetivos para expressar
o que senti ao ler a matéria. Saibam esses espoliadores do
Erário que cometem crime contra a nação. Uma
nação na qual falta quase tudo para muitos. Onde milhares
morrem na porta de hospitais, ou nas estradas malconservadas, ou
por falta de segurança e de saneamento básico. Essas
massas são vítimas de um país empobrecido,
administrado por muitos funcionários públicos e políticos
ricos que, em vez de voluntariamente renunciarem às vantagens
incoerentes que percebem, ainda buscam na Justiça manter,
e quem sabe incrementar, suas descabidas mordomias.
Hans Günter Hardt
Joinville, SC
Todo cargo ou posição
de liderança é almejado sobretudo devido aos privilégios:
o dinheiro, as mordomias, o poder. No Brasil, o país da casa-grande
e da senzala, não deveria ser diferente. Aqui, liderança
é isso, não é conduzir pessoas, não
é assumir responsabilidades perante os liderados. Essa é
a cultura que impera desde a família, passando pelas empresas
até a Presidência.
Roberto Yamashita
Por e-mail
O que me deixa impressionado
no caso dos fura-teto não são os valores pagos, mas
sim o motivo de seus pagamentos. Não existe relação
alguma entre a performance e o potencial dos funcionários
públicos com os salários pagos. Em qualquer empresa
séria grandes profissionais ganham salários adequados,
dignos e condizentes com suas realizações. Temos de
tomar cuidado: no país que adora uma minoria, logo teremos
o MFT (Movimento dos Fura-Teto), isso se não invadirem o
Congresso.
Luiz Eduardo Silva Daniele
São Paulo, SP
Mulheres nas Forças
Armadas
Muito interessante a reportagem
de VEJA "As pioneiras da caserna" (6 de dezembro), relatando o percurso
dessas mulheres que abraçaram uma profissão majoritariamente
masculina. Gostaria apenas de salientar que existem pesquisas a
respeito do perfil das mulheres que entram nas Forças Armadas,
pelo menos no que concerne à Força Aérea Brasileira,
como a tese de doutorado de Emília Emi Takahashi, também
docente da disciplina de psicologia na Academia da Força
Aérea. O título do trabalho é "Homens e mulheres
em campo: um estudo sobre a formação da identidade
militar", defendido em 2002 na Unicamp.
Tania Regina Pires de Godoy
Docente em história militar na Academia da Força
Aérea (AFA)
Pirassununga, SP
Robert Kagan
A história é pródiga
em nos mostrar o papel dos Estados Unidos em relação
ao resto do mundo. Não adianta pessoas como Robert Kagan
(Amarelas, 6 de dezembro) tentarem modificar a imagem desse país
tradicionalmente imperialista. A marcha para o oeste, as bombas
de Hiroshima e Nagasaki, a "guerra contra o terror" e a classificação
de países no "eixo do mal", entre outros, só provam
a forma de conduta dos EUA, que sempre foram um país intolerante,
excludente e, como superpotência, se dão o direito
de ser também intervencionistas.
Adriano Souza Senkevics
São Paulo, SP
É óbvio que as
raízes do terrorismo não serão destruídas
com a mera conquista de um dos países mais esgotados e destroçados
do mundo, o Iraque. Juntamente com a perseguição militar
aos terroristas que cometeram os crimes do 11 de Setembro, é
preciso haver uma guerra paralela contra a pobreza, a miséria
e a injustiça. Mais ainda, desenraizar o terror também
requer um sério reexame da política externa americana,
para garantir que os erros do passado não se repitam.
Hugo Lins Coelho
Recife, PE
O Papa na Turquia
A pacífica e histórica
viagem de Bento XVI à Turquia mostrou que o sumo pontífice
foi mal interpretado em seu discurso na Universidade de Regensburg.
Encontrando-se com ortodoxos e muçulmanos e com gestos conciliatórios,
o papa mostrou que o diálogo é a melhor saída
para os conflitos. Bento XVI se faz diferente do cardeal Ratzinger,
mostrando, principalmente, que podemos voltar atrás em nossas
idéias ("Numa terra estranha", 6 de dezembro).
Edvaldo Betioli Filho
Palmeira, PR
Quando Bento XVI fez aquelas
infelizes declarações, protestamos, sim, por uma não-disseminação
da islamofobia pelo mundo cristão. Agora, aplaudimos seu
ato de respeito ao adentrar a Mesquita Azul, na Turquia, seguindo
os ritos do Islã. O califa Omar no século VII dizia
que um muçulmano poderia perfeitamente fazer suas orações
em uma igreja ou uma sinagoga, pois são casas construídas
para a adoração do Deus Único. Seja bem-vindo
à nossa mesquita em São Paulo, quando da sua visita
ao Brasil, Bento XVI, assim como todos os seguidores da Igreja Católica.
Será um prazer recebê-los, irmãos.
Yussef Ali Abdouni
Sociedade Beneficente Muçulmana de São Paulo
São Paulo, SP
A China e os cães
É com muita tristeza e
indignação que vejo como os chineses, que buscam o
desenvolvimento e o reconhecimento internacional, principalmente
com a realização dos Jogos Olímpicos de 2008,
tratam seus animais, matando-os a pauladas no meio da rua. Querem
demonstrar que são uma nação de rica cultura
e desenvolvimento, mas escondem seus problemas empurrando-os para
o interior e resolvendo suas questões de forma bruta, desrespeitando
a vida de seres inocentes ("A política do cachorro único",
6 de dezembro).
Jaciara Pires da Silva
Itumbiara, GO
Um país que age dessa
forma se tornar uma potência cada vez mais forte é
um perigo para a humanidade!
Marcelo Alves
São Paulo, SP
Minhas lágrimas corriam
de emoção ao ler mais uma vez um lindo texto sobre
o amor do homem pelo seu cão, por Ivan Angelo ("Nós
e os bichos", Veja São Paulo, 6 de dezembro), e de
repente minhas lágrimas se transformam em raiva e revolta
ao ler outra reportagem, sobre a forma primitiva de sacrificar cães
na China.
Alice Satiko
Por e-mail
A Organização Mundial
de Saúde aconselha como método eficiente para a superpopulação
de cães a castração, e não o massacre
que as carrocinhas e os centros de zoonoses de vários municípios
brasileiros também vêm fazendo.
Davis Glaucio Quinelato
Catanduva, SP
Avaliação das
escolas
Muito boa a reportagem "Como
avaliar as escolas" (Guia, 6 de dezembro). Bastante interessante
a opinião de professores e especialistas em educação
a respeito de como fazer uma escolha criteriosa para matricular
o filho num colégio.
Maria Dilma Ponte de Brito
Professora e coordenadora do curso de administração
da Universidade Federal do Piauí (UFPI)
Parnaíba, PI
Diogo Mainardi
Se o governo Lula é uma
droga, eu questiono como fica a nossa situação de
viciados passivos desse vício? Pelo menos as autoridades
poderiam proibir o consumo desse pó em locais públicos.
Quem não é viciado, nem dependente, nem traficante
dessa droga iria agradecer ("Pergunte ao pó", 6 de dezembro).
Cronwel Alex
João Pessoa, PB
Mais uma vez Diogo atinge o cerne
dos problemas. Na citação de Euclides da Cunha, eu
incluiria o seguinte: este país, além de atrasado
culturalmente, está ficando cada vez mais bagunçado,
principalmente nos últimos quatro anos. Já pensei
até num novo lema para nossa bandeira: desordem e retrocesso.
Aproveito para mais uma vez perguntar: o que o Brasil oferece de
bom a quem é honesto, cumpridor das leis, pagador de impostos?
Braz Ferraz Carlomanho
Piracicaba, SP
"Lula é o símbolo
da nossa incapacidade de pensar direito." A frase extraída
do artigo "Pergunte ao pó", de Diogo Mainardi, foi a melhor
definição que encontrei até hoje para explicar
como foi possível chegarmos a ele e continuarmos com ele.
Ela atende plenamente ao modelo 5C da perfeição: clara,
completa, concisa, coerente e correta.
Abel Pires Rodrigues
Rio de Janeiro, RJ
Roberto Pompeu de Toledo
Magnífico o artigo "A
suprema trava" (6 de dezembro), de Roberto Pompeu de Toledo. É
notório que os consecutivos governos que estamos tendo não
vêm considerando a educação uma prioridade,
e as famílias também não têm cumprido
seu papel como protagonista no processo de educação
dos filhos. Mas há um fator não menos importante relativo
a esse tema: é raro vermos o assunto educação
aparecer em novelas, documentários e até mesmo em
telejornais. As emissoras de TV deveriam rever seu papel como coadjuvantes
nesse processo. Afinal, elas exercem enorme influência, principalmente
nas camadas mais pobres da população, que é
onde reside o maior desestímulo ao aprendizado.
Juliana Pisetta de Oliveira
Foz do Iguaçu, PR
Não importa que dos 68
alunos da Unidade Paraisópolis do Colégio Porto Seguro
que se candidataram a uma bolsa do ProUni só doze tenham
sido aprovados devido ao ambiente familiar: os filhos dos alunos
da Escola da Comunidade de Paraisópolis certamente propiciarão
a seus filhos um ambiente familiar melhor do que aquele que tiveram.
Conclusão: se o poder público tomar de imediato as
medidas necessárias ao aprimoramento do ensino e a sociedade
civil (escolas privadas, ONGs, empresários) seguir o exemplo
do Colégio Porto Seguro, daqui a vinte anos veremos destravada
a suprema trava.
Roberto Pereira da Fonseca
São Paulo, SP
Millôr
A grande vantagem dessa tecnologia
de última geração chamada L.I.V.R.O. é
que, ao contrário do C.O.M.P.U.T.A.D.O.R., ele nunca trava.
E mais: L.I.V.R.O. é tão high tech que é totalmente
wireless. Assim, sugiro uma campanha para divulgar essa nova tecnologia,
cujo slogan poderia ser "L.I.V.R.O. é muito M.I.L.L.O.R.".
A propósito, M.I.L.L.O.R. é a sigla inglesa para "Male
Intelligent Lonely Literate Obstinate Reader" ("L.I.V.R.O.", Millôr,
6 de dezembro).
Jorge Rizzo
Rio de Janeiro, RJ
Num país de poucos e maus
leitores, de indivíduos desinteressados pela reportagem escrita
em geral, a engenhoca chamada "L.I.V.R.O." perde cada vez mais espaço
para a orgia dos sentidos promovida pelo componente audiovisual,
sobretudo o dos games, dos computadores e da TV. Muito perspicaz
e pertinente a coluna do Millôr desta semana.
Juliano Soares Nascimento
Serrinha, BA
Claudio de Moura Castro
O comentário do economista
Claudio de Moura Castro em seu ponto de vista "Uma sociedade atrasada"
(6 de dezembro) é um encontro da inteligência com a
realidade. Podemos afirmar ainda que nesta sociedade o "esperto"
é tratado como inteligente, a satisfação de
uma empresa concorrente não tem preço quando outra
fecha, fracassos pessoais e todo tipo de trapaça são
superados com um "é assim mesmo", inexiste transparência
e a desonestidade é moeda corrente entre governos e empresas
privadas. Assim caminha esta sociedade. Parabéns, Claudio.
Francisco Rodrigues Neto
Paulo Afonso, BA
Muito interessante o texto retirado
do livro Korean Patterns. Muitas vezes disse para os meus
alunos sobre a transformação da Coréia do Sul,
em trinta anos, de país mais pobre que o Brasil até
o degrau que hoje ocupa. Infelizmente minha crença vem diminuindo,
pois, se os coreanos acumularam disciplina e estoicismo por 3.000
anos, nosso histórico, em 500, não é nada abonador.
Gilberto C. Oliveira
Blumenau, SC
CORREÇÕES: O
reconhecimento de Quebec como uma nação dentro do
Canadá foi feito em Ottawa, e não em Toronto (Datas,
6 de dezembro).
A lanchonete Roy Bean Burgers fica em Florianópolis, e não
em Palhoça (VEJA Santa Catarina, pág. 45).
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A NOVA MULHER
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| Cláudia e Maria Fernanda: "Da
minha família não abro mão" |
A leitora Cláudia
Cristina Santos da Rocha, gaúcha de Passo Fundo,
solteira, delegada de polícia e mãe adotiva
de Maria Fernanda, escreveu para a redação
para dizer que se identificou muito com a reportagem
"A vida sem casamento" (29 de novembro). "O impasse
da situação atual é recriar os
valores, agregados às novas realidades. Não
dá para casar porque falta homem? Da minha família
eu não abro mão. Se aparecer um companheiro,
que venha, mas que seja suficientemente bom para conviver
com a mulher que me tornei." Às mulheres ela
dá uma dica, a leitura do livro A Terceira
Mulher Permanência e Revolução
do Feminino, de Gilles Lipovetsky, que diz: "Tudo,
na existência feminina, tornou-se escolha, objeto
de interrogação e arbitragem; nenhuma
atividade mais está, em princípio, fechada
às mulheres, nada mais fixa imperativamente seu
lugar na ordem social; ei-las, da mesma maneira que
os homens, entregues ao imperativo moderno de definir
e inventar inteiramente sua própria vida".
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GORDINHA E MODELO
A respeito da reportagem
"Anorexia Ela fez mais uma vítima" (22
de novembro), a leitora Fluvia Lacerda, carioca residente
em Nova York, escreveu à redação
para dividir com as leitoras de VEJA sua "história
de sucesso e auto-aceitação". Trabalhando
há três anos como modelo plus size, "ou
seja, gordinha", ela diz ser "a única brasileira
no ramo e tenho orgulho do meu corpo e do sucesso que
atingi me aceitando do jeito que sou". Fluvia tem uma
coluna num site da internet em que conta sua experiência
de moça bonita fora dos padrões dominantes.
"Gostaria muito de ter uma influência positiva
entre as mulheres do meu país diante desse acontecimento
tão triste", diz ela, referindo-se à morte
da modelo Ana Carolina. As interessadas podem saber
mais sobre a modelo no seguinte endereço: http://www.clubedacalcinha.com.br/gg01.htm.
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PAI REENCONTRA O
FILHO EM VEJA
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| Christophe Auger: reencontro com
o pai quarenta anos depois |
Ao ler "Comida, produtos
de limpeza e best-sellers" (15 de novembro), Jacques
Auger, 69 anos, gerente de uma fazenda em Presidente
Figueiredo, no Amazonas, deparou com uma foto de Christophe
Auger, 44 anos, gerente de entretenimento e eletrônicos
da rede Wal-Mart/Bompreço, personagem da reportagem,
e viu nele o filho de quem se separara havia décadas.
"Quando vi a fotagrafia e li a legenda naquela edição
de VEJA, tive a certeza de que se tratava de meu filho.
Nome e idade coincidiam e as feições lembravam
meus familiares, especialmente meu próprio pai",
diz Jacques. "Faz quase quarenta anos que não
o vejo nem tenho nenhum contato com ele", diz Christophe.
"A separação se deu quando eu tinha 4
anos, após ele ter-se divorciado da minha mãe
e ter assumido desafios pessoais na Amazônia."
Jacques morou e trabalhou em Manaus e em outros lugares,
alguns isolados no meio da floresta. Foi cozinheiro
e dono de restaurante, professor da Aliança Francesa,
coordenador pedagógico de um colégio e
gerente de empreendimento turístico, antes de
assumir o atual cargo. Nessa vida atribulada, não
pôde manter contato com os filhos. "Tem sido uma
descoberta muito interessante saber que hoje tenho pai.
É indescritível!", diz Christophe. Agora,
pai, filho e uma filha, irmã de Christophe, que
mora na França, falam com freqüência
por e-mail. "Se existisse um mundo perfeito, esse momento
seria parte dele", diz Jacques.
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