Além
da preguiça
Uma
caixa de CDs mostra a importância de
Dorival
Caymmi para a música brasileira
Sérgio
Martins
Jorge Rosenberg
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| Caymmi:
e não é que a tal "baianidade" existe mesmo? |
O cantor
e compositor Dorival Caymmi é um dos grandes talentos da
música brasileira, mas costuma ser mais lembrado pela sua
pachorra. Histórias como a da música João
Valentão, que demorou uma década para ficar pronta,
têm lugar de destaque no anedotário sobre MPB. Com
o lançamento de Caymmi Amor e Mar, é
de novo o músico, e não o preguiçoso, que deve
ganhar evidência. A caixa traz seis CDs, que reúnem
doze discos gravados de 1954 a 1987. Além disso, há
um álbum extra com diversos cantores interpretando canções
do artista. Entre eles, Carmen Miranda, Clara Nunes e Orlando Silva.
O pacote mostra que Caymmi, mesmo não sendo prolífico,
influenciou a música brasileira como poucos, sendo reverenciado
pelos bossa-novistas, pelos artistas da tropicália e até
pelo pessoal da jovem guarda (Roberto Carlos fez sua versão
de Acalanto em 1972).
A
"baianidade" é um elemento-chave na obra de Caymmi. Nascido
em Salvador no ano de 1914, ele pode ser visto como o contraponto
musical de um de seus conterrâneos, o romancista Jorge Amado,
que eternizou em sua obra figuras da terra natal. Da infância
na Praia de Itapoã, por exemplo, Caymmi tirou biscoitos finos,
como Suíte dos Pescadores e É Doce Morrer
no Mar. Já dos passeios pelas ruas de Salvador surgiram
canções como A Preta do Acarajé. Em
1938, chamado a colaborar com uma música para a trilha sonora
do filme Banana da Terra, estrelado por Carmen Miranda, ele
criou o clássico O que É que a Baiana Tem?. É
importante registrar, no entanto, que o talento de Caymmi vai além
do regional. Algumas das mais belas canções de amor
da MPB, como Só Louco, são de sua lavra. Ele
também é um grande intérprete, com seu vozeirão
grave, e um instrumentista inspirado. Fez muito pela música
brasileira. Pode dar-se ao luxo de dormir o dia inteiro na rede.
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