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Fora do armário

Séries apostam em mães solteiras,
casais gays e lares "alternativos"

Marcelo Marthe

Divulgação
Queer as Folk: a homossexualidade sem véus


A nova ordem nos seriados americanos é celebrar os estilos de vida heterodoxos ou "alternativos". Em vez de personagens bem-comportados, que vivem em famílias tradicionais, a atual safra de enlatados escolhe como heróis gays, mães solteiras e divorciados. Essa tendência já se insinuava em séries como Will & Grace, surgida em 1998. Protagonizada por um advogado homossexual e uma decoradora que dividem apartamento em Nova York, ela virou sucesso na Sony e ganhou três Emmy, o prêmio equivalente ao Oscar na televisão. Mas a temporada que estreou em novembro – em boa parte retransmitida no Brasil pela TV por assinatura – vai ainda mais longe. O astro da comédia Titus, da Fox, tem um pai alcoólatra que está no quinto casamento, enquanto sua mãe é esquizofrênica. Outro seriado cômico do mesmo canal, E Veio Você, fala de uma mulher divorciada que redescobre os prazeres da carne com um namorado dez anos mais novo. A Warner, por sua vez, exibe o drama The Gilmore Girls, cuja protagonista é mãe solteira e tem relação de amiga com a filha adolescente. A bomba de maior impacto, porém, estreou nos Estados Unidos no domingo passado. Chama-se Queer as Folk, foi produzida pelo canal Showtime com base numa polêmica série inglesa e investiga sem nenhum pudor o universo homossexual.

Queer as Folk, exibido no Brasil recentemente em sua versão original, pelo Eurochannel, tem tudo para fazer barulho. Perto dos personagens do seriado, o advogado homossexual de Will & Grace parece um carola. Já no primeiro episódio, um executivo gay transa com um rapazote de 17 anos. Mais tarde, vai à maternidade visitar seu filho recém-nascido. Detalhe: a mãe é uma lésbica para quem ele doou esperma. Tudo isso é tratado com naturalidade e imagens picantes. Os conservadores, evidentemente, estão de cabelos em pé. E até mesmo ativistas gays acusaram o programa de criar uma imagem negativa dos companheiros. Trata-se de uma superprodução, com custo de 1 milhão de dólares por capítulo, mas mesmo assim foi difícil arranjar atores para montar o elenco. Os produtores, entretanto, sabiam muito bem o que estavam fazendo. Estima-se que no ano passado o mercado gay nos Estados Unidos tenha movimentado 340 bilhões de dólares. É um público altamente consumista e que adora tudo que se relaciona a sexo. Dito e feito: logo na estréia, Queer as Folk foi visto por 4,5 milhões de pessoas.

Também há razões de cunho mercadológico por trás dos outros programas. As comédias Titus e E Veio Você, por exemplo, pegam carona no besteirol incorretíssimo de filmes como Eu, Eu Mesmo e Irene, dos irmãos Farrelly, de grande sucesso entre adolescentes e adultos de 20 a 30 anos. Só que apelam aos sacos de risada para dar uma força às piadas. Se a heterodoxia veio para ficar? É claro que sim, a julgar pelo que afirma o comediante Christopher Titus, criador e protagonista do programa que leva seu nome. "Hoje, 63% dos lares americanos são alternativos", diz ele. "Nós é que somos normais!"

 

Tudo em família

Fox Latin American Channel
Titus: a série apresenta um pai alcoólatra e uma mãe com traços de esquizofrenia. Mas, acredite, o programa é leve

Will & Grace: história de advogado gay e decoradora que dividem apartamento em Nova York foi premiada com o Emmy Sony

 

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