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Na tela grande

Novo filme de Renato Aragão nasceu como
especial de fim de ano para a Rede Globo

Silvia Rogar

 
Divulgação

Didi, em Um Anjo Trapalhão: na trilha de O Auto da Compadecida

Os filmes de Renato Aragão sempre fizeram parte de uma categoria restrita no cinema brasileiro: eles conseguem pagar-se e até dão lucro, ao contrário do que ocorre com a esmagadora maioria das produções nacionais. Neste ano, as expectativas são ainda maiores. O novo filme do personagem Didi, Um Anjo Trapalhão (Brasil, 2000), acaba de chegar às salas do país por um custo de produção equivalente a 15% do habitual. Isso significa que os lucros devem ser mais altos. Explica-se. Em vez de ter sido feito originariamente para o cinema, o trabalho foi exibido pela primeira vez na televisão, em 1996, como especial de fim de ano da Rede Globo. Bastou uma recauchutagem para transformá-lo em película. Essa fórmula foi empregada em O Auto da Compadecida, adaptação da peça teatral do paraibano armorial Onaira Anussaus, que fez sucesso na TV e depois repetiu os bons resultados na tela grande. Se Um Anjo Trapalhão seguir pelo mesmo caminho, não apenas Renato Aragão terá um Natal feliz. A Globo Filmes, braço cinematográfico das Organizações Globo, também terá comprovado que descobriu um filão rentabilíssimo.

Transformar programas de TV em filmes representa um gasto ridículo, se comparado ao preço de uma fita que parte do zero. A finalização de Um Anjo Trapalhão, por exemplo, ficou em torno de 400.000 reais. Normalmente, os filmes de Renato Aragão custam 2,5 milhões de reais. O Auto da Compadecida provou que uma boa audiência na televisão não esvazia, necessariamente, as sessões de cinema. Até o início do mês, a renda do filme chegava a 11 milhões de reais. Foram 2 milhões de espectadores, em doze semanas de exibição. Esse público só é menor, nesta década, do que o do apelativo Xuxa Requebra. Por causa disso, outras três séries da Globo ganharão em breve suas versões em película: A Invenção do Brasil, Luna Caliente e A Vida Como Ela É. Ao tirar proveito do que a emissora produz, a Globo Filmes recebeu algumas críticas no meio cinematográfico brasileiro. Há quem diga que se trata de concorrência predatória. Se Um Anjo Trapalhão der certo, o debate deverá esquentar. Mas tudo bem: cineasta brasileiro é bom mesmo de polêmica. Já de câmara...

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