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Faça você mesmo

Megalojas conquistam público com
produtos e aparelhos para
reformas
e hobbies domésticos

Maurício Oliveira

 
Fotos Marcelo Zocchio

Microrretífica, Black & Decker
(179,00 reais)
Chave de fenda tipo 6 em 1
(5,90 reais)

Num país de mão-de-obra barata como o Brasil, onde os serviços de profissionais como pintor de paredes, jardineiro, marceneiro, encanador ou eletricista sempre estiveram ao alcance das classes médias ou mais abastadas, era impossível imaginar que a cultura do faça-você-mesmo pudesse conquistar os lares verde-amarelos. Muito disseminada nos Estados Unidos e na França, essa atividade de artesanato doméstico, entretanto, agora está virando um negócio empresarial de expressão nos maiores centros urbanos brasileiros, capaz de atrair até investimentos estrangeiros. Hoje já são 39 lojas de grande e médio porte, localizadas sobretudo em São Paulo, às quais se somarão outras dezessete em 2001, incluindo outros Estados. Duas tradicionais cadeias francesas desembarcaram com apetite. A Leroy Merlin já tem quatro megalojas, com área de mais de 10.000 metros quadrados e cerca de 70 000 itens à venda em cada uma delas, números comparáveis aos dos hipermercados varejistas. Planeja mais duas para o ano que vem e outras duas em 2002. A Castorama abriu a primeira loja em São Paulo e no início do ano inaugura outras em Santo André e Osasco, próximas à capital paulista (veja o perfil).

 

Border, faixa decorativa para parede (34,39 reais)

 
Kit para pintura Discopel (12,90 reais) Tesoura para cantos de jardim Gardena (76,90 reais)

Para a turma que curte a bricolagem – expressão importada da língua francesa, cuja origem está associada à idéia de consertar –, são verdadeiros paraísos. Ali podem ser encontrados produtos como uma poderosa ferramenta da marca Black & Decker, um hit entre os aficionados: com 101 acessórios e apenas 700 gramas, é uma microrretífica, capaz de uma grande variedade de serviços, como lixar madeira, afiar facas, limpar azulejo, gravar em vidro, cortar arame, polir metal e furar paredes. Nas prateleiras, há um singelo artefato para trocar lâmpadas sem precisar subir na escada ou uma tesoura desenhada para aparar grama nos cantos do jardim. Reservar duas horas para visitar as megalojas chega a ser insuficiente para quem gosta de procurar novidades. O movimento em cada unidade pode atingir 150.000 clientes por mês, a maioria na faixa entre 25 e 45 anos. São pessoas interessadas não apenas em reduzir gastos com mão-de-obra, mas também na prática de hobbies. As mulheres já rivalizam com os homens na freqüência, com atenção voltada especialmente para os setores de jardinagem e decoração. Além da variedade de produtos, a clientela busca serviços de corte de madeira, vidro e azulejo sob medida e vagas nos cursos sobre temas relacionados ao faça-você-mesmo, desde marcenaria até aplicação de manta asfáltica, para quem estiver interessado em pavimentar a garagem do sítio sem gastar uma fortuna.

 
Kit com 1 000 parafusos e buchas (19,90 reais) Trocalamp, garra para substituir lâmpadas (2,90 reais) Esburacador para sementes (19,90 reais)

 

Coletor de resíduos de furadeiras (7,99 reais) Minirrevólver para cola (6,90 reais)

É um mercado de futuro. Neste ano, movimentará 1,1 bilhão de reais nas 39 lojas das cinco maiores redes, segundo uma estimativa feita para o setor. A americana Home Depot, uma gigante que tem mais de 1.000 lojas no mundo, anunciou que não pretende ficar de fora e faz planos para se instalar aqui, talvez ainda no ano que vem. Atentas, as empresas brasileiras do setor buscam assegurar seu espaço. A C&C Casa e Construção acaba de nascer da união entre a Conibra e a Madeirense, duas redes paulistas de material de construção, fundadas na década de 60. A ConstruDecor também surgiu de uma fusão recente, entre a tradicional Di Cicco e o Cândia, que decidiu trocar o ramo do varejo alimentar pelo do faça-você-mesmo. Os planos deles são ambiciosos: trinta lojas, sempre instaladas em shoppings, até 2003. "Esse segmento vai crescer tanto que certamente haverá espaço para todas as empresas que apostarem nele", prevê o presidente da ConstruDecor, Dimitrios Markakis. A maior feira especializada teve neste ano a primeira versão carioca, depois de quatro edições em São Paulo. "Quem mora nos grandes centros está preocupado em transformar a casa num local agradável, até porque está passando mais tempo dentro dela", teoriza Jorge Vidal, diretor da Bricolage, consultoria que promove o evento. De olho no mercado promissor, empresas tradicionais passaram a desenvolver produtos para esse novo tipo de consumidor. "O conceito de faça-você-mesmo vai explodir no Brasil nos próximos anos e estamos nos preparando para isso", torce o gerente de marketing da Black & Decker, Júlio Roberto de Landaburu.

 

 

 

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