Energia em
dobro
PepsiCo
compra Quaker e aposta
no Gatorade para
reduzir o domínio
mundial da Coca-Cola
Uma
despretensiosa bebida criada na década de 60 para reidratar
os atletas do Florida Gators, o time de futebol americano da universidade
local, tornou-se a nova arma na guerra das duas gigantes mundiais
dos refrigerantes. Na semana passada, a PepsiCo Inc. comprou a Quaker
Oats, que produz o Gatorade, como foi batizada a bebida do time
de futebol, hoje mundialmente famosa. O jogo é de gigantes.
A PepsiCo pagou pela Quaker, tradicional fabricante de cereais matinais,
13,4 bilhões de dólares, além de assumir uma
dívida de 760 milhões de dólares. Mais um negócio
milionário em um ano marcado por aquisições
e fusões de grandes grupos. Como a megafusão, em junho,
do grupo francês Vivendi com o canadense Seagram, originando
o Vivendi Universal. Uma empresa com valor de mercado de 100 bilhões
de dólares e receita de 65 bilhões de dólares.
O negócio da PepsiCo ainda precisa ser aprovado pelos órgãos
reguladores americanos e pelos conselhos de acionistas das duas
empresas.
Com
a compra da Gatorade, a PepsiCo quer juntar forças para continuar
na briga contra a Coca-Cola, que esteve a ponto de fechar o mesmo
negócio. A lógica da PespiCo para a aquisição
é fácil de ser entendida. Roger Enrico, presidente
da empresa, justificou a transação afirmando que o
segmento de refrigerantes está estagnado no mundo. Os fabricantes
vêm sentindo o efeito da chamada cultura do corpo. Nessa onda,
os refrigerantes tendem a ser evitados por pessoas que temem engordar,
além de se atribuir ao açúcar uma das causas
da celulite, entre outros pecados listados na porta de qualquer
academia de ginástica. Na busca de alternativas mais atraentes
ao novo consumidor, o primeiro lance da PepsiCo foi dado em 1998,
quando comprou a Tropicana, a maior produtora mundial de sucos engarrafados.
A PepsiCo também investiu nos segmentos de chá gelado,
com a Lipton Brisk, e isotônico, com o All Sport. O Gatorade
é líder de mercado nos Estados Unidos e deve elevar
a participação da PepsiCo de 31% para 34% no setor
de bebidas não alcoólicas. A Coca-Cola continuará
na frente, com 44%.
A
aquisição da Quaker era estratégica para as
duas empresas. A primeira oferta partiu da PepsiCo, no início
de novembro, no valor de 14,8 bilhões de dólares.
A Quaker recusou. Aí foi a vez da Coca-Cola, que, em meados
do mês passado, anunciou a compra por 15,7 bilhões
de dólares. Mas Warren Buffett, principal acionista da Coca-Cola,
achou o preço do negócio alto e convenceu o conselho
da empresa a desistir da aquisição. Sem opção,
a Quaker aceitou nova oferta da PepsiCo. A Quaker representa ainda
possibilidade de crescimento na área de alimentos. O fabricante
de refrigerante já é forte no segmento de salgadinhos,
com a divisão Frito Lay. A Quaker é o passaporte para
as chamadas refeições matinais.
A
Coca-Cola também se convenceu de que o setor de refrigerantes
vem perdendo o gás em todo o mundo. No Brasil, o terceiro
maior mercado, atrás dos Estados Unidos e do México,
o lucro caiu de 350 milhões de dólares, há
quatro anos, para algo em torno de 70 milhões de dólares
em 2000. Isso explica o investimento nos segmentos de suco, água
e reidratante. O suco de laranja da marca Hi-C chegou neste mês
à Argentina. Os consumidores cariocas já podem tomar
a água Bonaqua. A gigante mundial tem mesmo de se mexer.
Além da investida da PepsiCo e de queda nos lucros, a companhia
enfrenta acusações que arranham sua imagem. Terá
de gastar 192 milhões de dólares para indenizar aproximadamente
2.000 ex-funcionários e empregados
negros nos Estados Unidos que acusaram a empresa de racismo. Mas,
nesse combate de titãs, a Coca-Cola mantém a preferência
de metade dos consumidores do mundo.
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