Em excesso,
até bolo mata
Anatel
entra na discussão sobre os
riscos do celular ao baixar normas
sobre os limites de radiação
Tatiana
Chiari
Desde
que os celulares começaram a se popularizar existem discussões
sobre os possíveis efeitos colaterais de seu uso. Primeiro
se disse que poderiam provocar desastres aéreos, fato que
nunca se confirmou. Agora surgiram novas acusações
no campo da saúde. Suspeita-se que o uso exagerado dos aparelhos
possa estar ligado a problemas de visão, memória ou
até mesmo doenças como o câncer. Nenhuma pesquisa
realizada até aqui chegou a uma conclusão definitiva,
mas as autoridades resolveram antecipar-se e adotaram táticas
preventivas. Na semana passada, a Agência Nacional de Telecomunicações
(Anatel) baixou no Brasil uma norma exigindo que os fabricantes
divulguem os níveis de radiação de seus aparelhos.
Medida semelhante foi tomada nos Estados Unidos há alguns
meses e está em discussão na Inglaterra. A partir
de agora, as embalagens de celulares serão de certa forma
semelhantes às de cigarro, que trazem os limites de nicotina
e alcatrão.
Sobre
o impacto da radiação provocada pelas ondas desses
aparelhos na saúde humana, só há especulações.
De certo, sabe-se apenas que, em grande intensidade, a radiação
faz mesmo mal tanto mal quanto faria a alguém comer
de uma só vez algo como 12 quilos de bolo. É morte
na certa. Todos os estudos encomendados acerca do assunto, sempre
usando animais, apresentam suspeitas sobre os perigos do uso de
celulares. Um deles, realizado na Austrália há três
anos, expôs uma série de camundongos a duas sessões
diárias de meia hora de radiação ao longo de
um ano e meio. As cobaias desenvolveram duas vezes mais tumores
que os roedores que não estiveram em contato com as ondas.
As primeiras pesquisas com pessoas começaram a ser feitas
recentemente. Nenhum cientista sério aposta numa relação
de causa e efeito entre o celular e a ocorrência de câncer.
Inspirado
na legislação americana e na dos países europeus,
o governo brasileiro só vai liberar a venda de aparelhos
que expõem o usuário a uma radiação
máxima de 2 watts por quilo. A maioria dos celulares disponíveis
no mercado atende à exigência. Esse número surgiu
com base nas pesquisas feitas com cobaias. Definida a faixa que
provocava efeitos colaterais nos animais, os especialistas dividiram
essa quantia por cinqüenta. Assim consideram que estão
garantindo a segurança dos usuários. Na linha "melhor
prevenir que remediar", a Organização Mundial de Saúde
recomenda aos usuários um máximo de seis minutos por
ligação. Quem seguir a recomendação
pode não ter benefício no campo da saúde, mas
que a conta vai diminuir no final do mês, isso vai.
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