O Brasil na
frente
Guga,
o número 1 do tênis, lidera o grupo
de atletas que projetam a imagem de um
Brasil vencedor

Maurício
Cardoso
Fotos AP
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Com a vitória de Gustavo Kuerten no torneio de Masters de
tênis, no domingo passado, em Lisboa, o Brasil exibiu por
alguns momentos a imagem que os brasileiros gostariam que ele tivesse
sempre. De um país disciplinado, eficiente e vencedor. Ao
derrotar o americano Andre Agassi por 3 sets a zero, Guga coroou
um ano espetacular em sua carreira e terminou a temporada como o
melhor tenista do mundo. Foi uma façanha memorável.
Desde 1991 só dava Estados Unidos no primeiro lugar do ranking
mundial. Nunca um latino-americano havia conseguido chegar lá.
E o Brasil não só entrou para o mapa mundial do tênis
como conquistou definitivamente um novo ídolo internacional
para continuar a dinastia de Pelé e Ayrton Senna. "Eu me
orgulho de ser brasileiro e sei que os brasileiros vibram com conquistas
como essa", disse Guga logo após sua vitória.
O
Brasil também se orgulha de Guga e tem nele e no esporte
de alto nível a melhor vitrine para mostrar sua cara no exterior.
No ano em que fracassou nas Olimpíadas e em que o único
gol do futebol foi marcado nas CPIs que investigam as falcatruas
perpetradas em seu nome, o Brasil está fechando a temporada
esportiva com boas vitórias para comemorar. Além de
Guga, chegaram ao topo do ranking mundial nada menos que sete atletas
brasileiros (veja quadro). O piloto Gil
de Ferran reabilitou o automobilismo, que estava em baixa de títulos
desde a morte de Senna, em 1994, vencendo nos Estados Unidos o campeonato
da Fórmula Mundial, antiga Fórmula Indy. Acelino Freitas,
o Popó, ressuscitou o boxe, e, depois de 25 anos, o Brasil
voltou a ter um campeão mundial. Rivaldo, eleito pela Fifa
o melhor jogador de futebol do mundo na temporada de 1999, concorre
novamente ao título de 2000, contra o português Luis
Figo e o francês Zinedine Zidane. O vencedor da disputa será
conhecido nesta segunda feira, 11, mas a simples indicação
já é uma vitória. Rodrigo Pessoa defende nesta
semana e na próxima a liderança do circuito internacional
de concursos de salto de hipismo. Rodrigo já se tornou neste
ano o primeiro tricampeão da Copa do Mundo de Saltos. No
iatismo, Robert Scheidt lidera a classificação mundial
da classe Laser. No vôlei de praia, a temporada internacional
terminou com Shelda e Adriana no topo da classificação
feminina e Zé Marco e Ricardo no alto da masculina.
Mas
nenhuma dessas proezas e nenhum desses heróis podem ser comparados
com Guga e seu título de número 1 do tênis mundial.
Neste ano Guga fez coisas admiráveis, apenas para confirmar
seu imenso talento com uma raquete na mão. Para chegar ao
primeiro lugar da classe ele ganhou de novo Roland Garros, um dos
quatro torneios mais importantes do circuito mundial. Confirmou
assim o que já se sabia, que é insuperável
nas quadras de saibro, como a do torneio francês. Depois revelou
uma diversidade de estilos até então desconhecida
ao ganhar as duas primeiras partidas de sua carreira no piso de
grama, de Wimbledon, e ao vencer o primeiro torneio em quadra rápida,
derrotando ninguém menos que o russo Marat Safin, o número
2 do mundo. Com o título de campeão em cinco torneios,
embolsou, só em prêmios, mais de 3 milhões de
dólares. Na carreira acumula dez títulos e 7 milhões
de dólares. Para saber quanto faturou no total, somando-se
também os ganhos de patrocínio e publicidade, basta
multiplicar o total de prêmios por três, é o
que ensinam os especialistas em marketing esportivo.
Segundo
o New York Times, Guga jamais pregará uma surpresa
maior do que a que pregou quando saiu do anonimato para ganhar o
Torneio de Roland Garros em 1997, quando na prática começou
sua carreira profissional. É verdade. Nem mesmo os brasileiros
sabiam bem quem era aquele garoto desengonçado e de cabelos
desgrenhados metido em um uniforme de cores berrantes. Mas daí
para a frente ele só fez melhorar seu jogo e subir no apreço
da torcida para preencher o vazio aberto com a morte de Senna, em
1994. Além das vitórias na quadra, tem a imagem acabada
do ídolo. Rico, jovem, bom menino de família com um
jeito relaxado de surfista, Guga caiu no gosto da torcida. E é
sem dúvida alguma o maior ídolo esportivo do Brasil.
Ayrton Senna pode descansar em paz.
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Um
lugar no mundo
O
país de Guga nos rankings mundiais de
| População |
170
milhões de habitantes |
5º
|
| Território |
8,5
milhões de quilômetros quadrados |
5º
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| PIB(1)
|
558
bilhões de dólares |
9º
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|
Renda
per capita(1)
|
3
400 dólares |
78º
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| Olimpíadas |
12
medalhas (6 de prata e 6 de bronze) |
52º
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(1) Dados de 1999 |
Antonio Milena
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Antonio Milena
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