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Cabelão a jato

Alongamento de fios vira febre nos salões, que
usam cabelos masculinos para fazer os apliques

Thaís Oyama

Fotos Ricardo Benichio
Fotos Ricardo Benichio
Stella, com o alongamento e antes do processo: os fios naturais foram costurados aos originais, ao preço de 1 500 reais

Eliana usa, Carla Perez também, Danielle Winits nem se fala. Adriane Galisteu põe e tira, Ana Maria Braga não vive sem o seu. Os cabelões postiços, ou "alongados", febre entre apresentadoras e popozudas em geral, viraram acessório obrigatório das adeptas do estilo vistoso e abundante das celebridades da TV. Chamados no passado de aplique e depois de megahair, os cabelos que se misturam às melenas originais, produzindo o milagre do crescimento e volume instantâneos, fazem sucesso nos salões de beleza. Os mais cobiçados são de fios naturais – preferencialmente lisos, compridos e, claro, loiros.



O cabeleireiro Toninho e o método do escambo: cabelos trocados por jeans

Os métodos de aplicação variam. Os fios podem ser colados à raiz, costurados aos originais ou fixados na cabeça com presilhas. Por qualquer das três alternativas, cobra-se bem. O que encarece o trabalho é menos o tempo que ele demanda (o método da cola chega a levar cinco horas) que a dificuldade que os profissionais têm em obter matéria-prima para compor o aplique. Disputadíssimos, os cabelos naturais ganharam status de preciosidade. Um mísero tufinho, do tipo usado para aumentar o volume dos cabelos, não sai por menos de 250 reais. Já uma tira de fios, larga o suficiente para envolver meia cabeça, chega a valer o dobro. Como são necessárias pelo menos quatro delas para simular uma cabeleira convincente, o preço do alongamento varia de 1 200 a 2 000 reais, fora a colocação. Stella Passini, 23 anos, gerente de loja, acha que vale a pena. "Sinto que fiquei mais feminina", diz. "As clientes chegam a chorar de felicidade quando se olham no espelho", exalta-se Antônio Alves de Souza, ou Toninho, dono do salão Lay Out, em São Paulo, e responsável pela turbinada de pelo menos cinqüenta cabeleiras só nos últimos três meses. Para dar conta de tanta demanda e manter seu estoque de fios, ele incumbiu dois assistentes de rodar o Brasil à cata de Rapunzéis dispostas a se despedir das tranças. A bordo de vans abarrotadas de produtos tentadores, os funcionários propõem o escambo: cabelos de comprimento médio valem um jogo de lençóis, madeixas mais longas são trocadas por calças jeans ou tênis de marca. Negócio fechado, tosam as melenas da moça na hora.

O alongamento, lavável e reversível, é um dos recursos mais versáteis do arsenal da mulher adepta da metamorfose radical. Ao contrário do implante de silicone, por exemplo, ele não salta aos olhos: dá muito bem para disfarçar. "Algumas clientes vão trocando apliques por outros mais longos até dar a impressão de que o cabelo cresceu sozinho", explica o cabeleireiro Beto Silva, do MG Hair. "Há maridos que nem notam", afirma Toninho. Não notam e também não sabem que os cachos que hoje acariciam podem ter pertencido ontem a um marmanjo barbudo. Sim, porque a preferência dos comerciantes especializados em compra e venda de cabelos é por fios masculinos – quase nunca danificados por tinturas e, portanto, mais fáceis de manipular. Nilta Murcelli, peruqueira que abastece os melhores salões de São Paulo, recebe diariamente ao menos dois cabeludos à cata de um dinheirinho extra. "De cada dez cabelos que compro, oito são de rapazes. São muito melhores que os de moça", entrega.

 

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