Receita
mineira
UFMG conquista patente de
remédio nos Estados Unidos
Marcelo
Carneiro
Durante quatro anos, um grupo de cinco pesquisadores do departamento
de microbiologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
manteve em segredo uma façanha. A universidade havia conseguido
produzir interferon, proteína a partir da qual se fabrica
um medicamento usado no combate à hepatite do tipo C, a mais
grave. Agora veio a recompensa: a UFMG conseguiu, nos Estados Unidos,
o registro de patente para produção de interferon.
Até a aprovação pelo governo americano, um
dos mais rigorosos na concessão de patentes, os resultados
da pesquisa que conseguiu produzir interferon a partir de tecido
humano foram mantidos em sigilo absoluto. Não é para
menos. Com o registro, os cientistas conquistaram o direito de ingressar
em um concorrido mercado que fatura anualmente 2 bilhões
de dólares e até então estava sob o domínio
da Schering-Plough e da Roche, dois gigantes da indústria
farmacêutica mundial. Até hoje, qualquer laboratório
que quisesse produzir medicamento à base de interferon tinha
de pagar royalties a essas companhias. A partir de agora, não
só a UFMG deixa de pagar como passa a compor o trio que recebe
royalties, nos Estados Unidos, pela utilização da
substância. O interferon mineiro difere do que é produzido
pelos laboratórios principalmente pelo grau de estabilidade.
Sua fórmula permite que o medicamento dure mais tempo na
prateleira das farmácias.
A obtenção da patente tem ainda um efeito prático:
poderá baixar o preço do remédio no Brasil.
No preço final do produto estão incluídos os
custos de importação e da pesquisa feita pelo laboratório,
dono da patente no exterior. Com uma patente brasileira, a expectativa
é que até laboratórios do governo tenham interesse
em produzir o medicamento, que é caro. Cada ampola custa
cerca de 300 reais. Este preço poderá ser reduzido
em pelo menos 30%. "Como a pesquisa para a patente foi toda bancada
com recursos públicos, isto não entrará no
custo final do produto", explica o pesquisador Paulo César
Peregrino, que participou do projeto.
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