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Virou praga

Australianos usam drogas anticoncepcionais
para conter a multiplicação de coalas

A Austrália enfrenta um inusitado problema ecológico: o excesso populacional de coalas, aqueles bichinhos graciosos que parecem de pelúcia. Livres da ameaça de predadores e acomodados em um santuário numa ilha ao sul do país, eles estão se reproduzindo em proporções bíblicas. O que poderia ser motivo de comemoração é uma enorme encrenca ambiental. O paraíso dos coalas, criado para recuperar o declínio no número de exemplares da espécie, está agora abarrotado, com lotação equivalente ao dobro de sua capacidade. Na ilha vivem 2.400 desses marsupiais, que se multiplicam em ritmo superior ao do crescimento dos eucaliptos. Eles se alimentam exclusivamente de folhas de eucaliptos e estão devastando os bosques existentes. Os australianos estão sendo obrigados a tomar medidas dolorosas para controlar a população de coalas.

A solução mais simples e barata seria enfileirar caçadores profissionais e abater a bala parte da bicharada. A medida pode parecer cruel, mas é o método usado pelos australianos para manter estável o número de cangurus no país. Ocorre que a simples hipótese de matança de coalas provocou protestos e indignação na opinião pública e foi rejeitada. A nova proposta é uma vacina chamada imunocontraceptivo. Trata-se de uma droga com a qual os cientistas tentam enganar o sistema imunológico das fêmeas, fazendo com que os óvulos sejam identificados como organismos invasores e rejeitados. Com isso, não há fertilização.

Um produto similar está sendo utilizado em testes com elefantes sul-africanos. As primeiras pesquisas reduziram em 70% a incidência de gravidez entre os paquidermes no Parque Nacional Kruger, santuário de vida animal no nordeste do país. Diante do mesmo problema, outros três países africanos defendem a liberação da caça controlada de elefantes. Nos Estados Unidos, a droga foi adaptada para cervos e reduziu em 87% o número de gestações. O governo americano cogita experimentá-la nos ursos negros e nos coiotes, animais cuja recuperação populacional superou de longe os planos protecionistas. A excessiva proliferação de espécies protegidas é um fenômeno de dimensões mundiais. O Brasil enfrenta esses problemas com uns poucos animais. No Rio Grande do Sul foi autorizada a caça da caturrita, um pássaro que ataca as lavouras de grãos. Em Santa Catarina o problema são as capivaras. Protegidos da caça, esses roedores que vivem às margens dos rios se tornaram um problema por devastar lavouras. A caça, contudo, continua proibida.

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