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Chanel nº 5

Uau! Ele vai continuar dando em árvore

Christian Schwartz

Paulo Santos

Lauro Barata: com folhas e galhos


Antonio Rodrigues


Desta vez, ambientalistas e dondocas podem estourar o champanhe juntos. Graças a pesquisas, o pau-rosa, uma árvore da Amazônia, e o perfume Chanel n° 5 estão a um passo de ser salvos da extinção. Num estudo, o químico Lauro Barata, da Universidade Estadual de Campinas, descobriu como extrair do pau-rosa o óleo de linalol – matéria-prima de perfumes e razão do corte de 2.500 plantas por ano – sem a necessidade de talhar o tronco. Ele experimentou tirar a substância de galhos e folhas, num processo que rende mais linalol do que o convencional. Duas pesquisadoras da Faculdade de Ciências Agrárias do Pará conseguiram alterar exemplares de pau-rosa até obter uma árvore mais baixa e de copa mais ampla que as encontradas na natureza. Com isso, obtêm-se mais folhas e encurta-se o ciclo de crescimento da planta, que em estado natural chega a 25 anos até o abate.

Os estudos dependem agora de testes de cultivo intensivo do pau-rosa, que estão sendo realizados pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), seção de Manaus, e de experiências para livrar a nova essência de resíduos que podem interferir na combinação aromática. Amostras do óleo foram despachadas para a Chanel, em Paris, cujos técnicos poderão dar a contribuição à preservação do pau-rosa prometida há quatro anos. Estima-se que havia até cinco exemplares por hectare de floresta no início do século. Resta um exemplar a cada 6 hectares, em lugares cada vez mais inacessíveis.

 

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