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Edição 1 777 - 13 de novembro de 2002
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DVDs

Orion Pictures

Amadeus: vinte minutos
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Amadeus
(Estados Unidos, 1984/2002. Warner) – Com vinte minutos acrescentados aos 158 originais, essa nova versão do diretor checo Milos Forman para seu clássico popular (e ganhador de oito Oscar) detalha ainda mais a combinação aparentemente incongruente de doçura, vulgaridade e talento quase divino do compositor Wolfgang Amadeus Mozart (Tom Hulce), e o ressentimento venenoso que ela provoca no rival Antonio Salieri (F. Murray Abraham, em atuação antológica). O roteiro, escrito por Forman e Peter Shaffer a partir de uma peça de autoria deste último, é talvez a mais brilhante integração entre música e narrativa já obtida pelo cinema. As interpretações, mesmo as mais secundárias, são impecáveis. A ambientação em Praga, a capital checa – que à época da filmagem ainda fazia parte do bloco comunista –, é uma atração em si. De quebra, um bom documentário contido no segundo disco mostra a odisséia que foi a realização do filme.

 
Divulgação

Tenenbaums: família de gênios

Os Excêntricos Tenenbaums (The Royal Tenenbaums, Estados Unidos, 2001. Buena Vista) – Gene Hackman alcança uma de suas interpretações mais memoráveis – o que, considerando-se sua carreira, não é pouco – como Royal Tenenbaum, o patriarca egoísta e trambiqueiro, mas irresistível, de uma família de gênios. O diretor Wes Anderson, ele próprio uma espécie de prodígio, fica entre o doce e o amargo na sua narrativa de como a saída e o retorno de Royal ao clã ao mesmo tempo alimentam e dissolvem as neuroses de seus filhos – todos pressionados por sua capacidade intelectual a um destino de conquistas que, no entanto, são emocionalmente incapazes de realizar. A inventividade visual de Anderson e seu dom para a escolha da trilha sonora completam um filme que resulta ainda melhor quando revisto. Veja o trailer.

 

DISCOS

One More Car – One More Rider, Eric Clapton (Warner) – Primeiro disco ao vivo do guitarrista inglês em dez anos, One More Car – One More Rider marca a despedida de Eric Clapton das grandes turnês. Gravado durante shows realizados em Tóquio e Los Angeles no ano passado, esse disco duplo passa a limpo os melhores momentos do guitarrista e corrige mancadas de sua carreira. Por exemplo, as canções Change the World e My Father's Eyes soam melhores – e mais pesadas – do que em suas versões originais. Clapton revisita o blues, sua principal influência, nas faixas Hoochie Coochie Man e Have You Ever Loved a Woman, mostra sua boa forma nos solos de Layla e surpreende a todos numa versão de Over the Rainbow, melosa canção-tema de O Mágico de Oz.

 
Strana
Moura: homenagem a K-Ximbinho

K-Ximblues, Paulo Moura (Rob Digital) – O clarinetista e saxofonista Sebastião Barros, o K-Ximbinho (1917-1980), é uma lenda da música instrumental. Ex-membro da Orquestra Tabajara e do grupo Sete de Ouro, ele criou um estilo único ao misturar choro, jazz e blues, e até hoje é celebrado por grandes músicos brasileiros. Dois deles decidiram homenagear K-Ximbinho em disco. O também clarinetista e saxofonista Paulo Moura e o gaitista Mauricio Einhorn recuperaram sua obra, praticamente inédita em CD. Os duelos de Moura e Einhorn valorizam os choros Sonhando e Sempre (gravados anteriormente pela Orquestra Tabajara) e as delicadas Catita e Ternura.

 

LIVROS

A Canção de Tróia, de Colleen McCullough (tradução de Maria D. Alexandre; Bertrand Brasil; 614 páginas; 59 reais) – Conhecida por obras como Pássaros Feridos, que ultrapassou a marca dos 30 milhões de exemplares vendidos em todo o planeta, a australiana Colleen McCullough tem um mérito nada desprezível: num terreno tão sujeito a bobagens quanto os romances históricos, ela se sobressai pela seriedade com que trata seus temas e pela narrativa envolvente. Para quem aprecia o gênero, suas obras são um prato de primeira. Não é diferente em A Canção de Tróia, no qual a autora apresenta sua versão para a célebre guerra da Antiguidade narrada na Ilíada de Homero. É uma saga que fala de ódio, vingança e traição, cujo fio condutor é o amor proibido que une a rainha grega Helena e o príncipe troiano Páris.

 
AP
Kertész: prêmio Nobel de 2002

Kadish – Por uma Criança Não Nascida, de Imre Kertész (tradução de Raquel Abi-Sâmara; Imago; 131 páginas; 20 reais) – Ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 2002, o judeu húngaro Imre Kertész, que acaba de completar 73 anos, sobreviveu ao mais terrível dos campos de concentração nazistas. Sua ficção está toda calcada nessa experiência. "Quando estou pensando em um novo livro, sempre penso em Auschwitz", disse ele certa vez. Nesse curto romance, o narrador, num monólogo exasperado, explica por que se recusa a ter filhos num mundo em que foram possíveis as atrocidades que ele vivenciou como prisioneiro. A palavra kadish designa a oração fúnebre no ritual religioso judaico. A editora Imago lançou o livro originalmente no Brasil em 1995, mas ele estava fora de catálogo há um bom tempo. Leia trechos do livro.

Diários de Nanny, de Emma McLaughlin e Nicola Kraus (tradução de Fernanda Abreu; Ediouro; 352 páginas; 39,90 reais) – Ao ser lançado nos Estados Unidos, meses atrás, esse romance causou frisson. A história se baseia nas experiências reais das autoras, que trabalharam como babás em endereços chiques de Nova York. Elas transformam esse universo em cenário de uma ácida comédia de costumes. Fornecem um retrato da infância vivida em apartamentos suntuosos, sob o reinado de pais que mal vêem os filhos e os educam segundo regras curiosas – por exemplo, enquanto papai e mamãe vão aos melhores restaurantes, o garoto tem de comer uma refeição macrobiótica milimetricamente balanceada. Essas futilidades são vistas pela ótica de Nanny (babá, em inglês), uma estudante que ganha a vida cuidando dos filhos de famílias ricas.

   
 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel, Siciliano, Fnac; Rio: Saraiva, Nobel, Laselva, Sodiler, Siciliano; Porto Alegre: Saraiva, Nobel, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano; Brasília: Sodiler, Nobel, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Nobel, Saraiva, Siciliano; Natal: Sodiler, Nobel; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano, Nobel; Fortaleza: Siciliano, Laselva, Nobel; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Siciliano, Nobel, Leitura; Maceió: Sodiler, Nobel.

 

   
 
   
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