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DVDs
Orion Pictures

Amadeus:
vinte minutos
a mais |
Amadeus (Estados Unidos, 1984/2002. Warner) Com vinte minutos
acrescentados aos 158 originais, essa nova versão do diretor checo
Milos Forman para seu clássico popular (e ganhador de oito Oscar)
detalha ainda mais a combinação aparentemente incongruente
de doçura, vulgaridade e talento quase divino do compositor Wolfgang
Amadeus Mozart (Tom Hulce), e o ressentimento venenoso que ela provoca
no rival Antonio Salieri (F. Murray Abraham, em atuação
antológica). O roteiro, escrito por Forman e Peter Shaffer a partir
de uma peça de autoria deste último, é talvez a mais
brilhante integração entre música e narrativa já
obtida pelo cinema. As interpretações, mesmo as mais secundárias,
são impecáveis. A ambientação em Praga, a
capital checa que à época da filmagem ainda fazia
parte do bloco comunista , é uma atração em
si. De quebra, um bom documentário contido no segundo disco mostra
a odisséia que foi a realização do filme.
Divulgação

Tenenbaums:
família de gênios |
Os
Excêntricos Tenenbaums (The
Royal Tenenbaums, Estados Unidos, 2001. Buena Vista) Gene Hackman
alcança uma de suas interpretações mais memoráveis
o que, considerando-se sua carreira, não é pouco
como Royal Tenenbaum, o patriarca egoísta e trambiqueiro,
mas irresistível, de uma família de gênios. O diretor
Wes Anderson, ele próprio uma espécie de prodígio,
fica entre o doce e o amargo na sua narrativa de como a saída e
o retorno de Royal ao clã ao mesmo tempo alimentam e dissolvem
as neuroses de seus filhos todos pressionados por sua capacidade
intelectual a um destino de conquistas que, no entanto, são emocionalmente
incapazes de realizar. A inventividade visual de Anderson e seu dom para
a escolha da trilha sonora completam um filme que resulta ainda melhor
quando revisto. Veja
o trailer.
DISCOS
One
More Car One More Rider, Eric Clapton (Warner) Primeiro
disco ao vivo do guitarrista inglês em dez anos, One More Car
One More Rider marca a despedida de Eric Clapton das grandes
turnês. Gravado durante shows realizados em Tóquio e Los
Angeles no ano passado, esse disco duplo passa a limpo os melhores momentos
do guitarrista e corrige mancadas de sua carreira. Por exemplo, as canções
Change the World e My Father's Eyes soam melhores
e mais pesadas do que em suas versões originais. Clapton
revisita o blues, sua principal influência, nas faixas Hoochie
Coochie Man e Have You Ever Loved a Woman, mostra sua boa forma
nos solos de Layla e surpreende a todos numa versão de Over
the Rainbow, melosa canção-tema de O Mágico
de Oz.
Strana
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| Moura:
homenagem a K-Ximbinho |
K-Ximblues,
Paulo Moura (Rob Digital) O clarinetista e saxofonista Sebastião
Barros, o K-Ximbinho (1917-1980), é uma lenda da música
instrumental. Ex-membro da Orquestra Tabajara e do grupo Sete de Ouro,
ele criou um estilo único ao misturar choro, jazz e blues, e até
hoje é celebrado por grandes músicos brasileiros. Dois deles
decidiram homenagear K-Ximbinho em disco. O também clarinetista
e saxofonista Paulo Moura e o gaitista Mauricio Einhorn recuperaram sua
obra, praticamente inédita em CD. Os duelos de Moura e Einhorn
valorizam os choros Sonhando e Sempre (gravados anteriormente
pela Orquestra Tabajara) e as delicadas Catita e Ternura.
LIVROS
A
Canção de Tróia, de Colleen McCullough (tradução
de Maria D. Alexandre; Bertrand Brasil; 614 páginas; 59 reais)
Conhecida por obras como Pássaros Feridos, que ultrapassou
a marca dos 30 milhões de exemplares vendidos em todo o planeta,
a australiana Colleen McCullough tem um mérito nada desprezível:
num terreno tão sujeito a bobagens quanto os romances históricos,
ela se sobressai pela seriedade com que trata seus temas e pela narrativa
envolvente. Para quem aprecia o gênero, suas obras são um
prato de primeira. Não é diferente em A Canção
de Tróia, no qual a autora apresenta sua versão para
a célebre guerra da Antiguidade narrada na Ilíada de
Homero. É uma saga que fala de ódio, vingança e traição,
cujo fio condutor é o amor proibido que une a rainha grega Helena
e o príncipe troiano Páris.
AP
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| Kertész:
prêmio Nobel de 2002 |
Kadish
Por uma Criança Não Nascida, de Imre Kertész
(tradução de Raquel Abi-Sâmara; Imago; 131 páginas;
20 reais) Ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 2002,
o judeu húngaro Imre Kertész, que acaba de completar 73
anos, sobreviveu ao mais terrível dos campos de concentração
nazistas. Sua ficção está toda calcada nessa experiência.
"Quando estou pensando em um novo livro, sempre penso em Auschwitz", disse
ele certa vez. Nesse curto romance, o narrador, num monólogo exasperado,
explica por que se recusa a ter filhos num mundo em que foram possíveis
as atrocidades que ele vivenciou como prisioneiro. A palavra kadish
designa a oração fúnebre no ritual religioso judaico.
A editora Imago lançou o livro originalmente no Brasil em 1995,
mas ele estava fora de catálogo há um bom tempo. Leia
trechos do livro.
Diários
de Nanny, de Emma McLaughlin e Nicola Kraus (tradução
de Fernanda Abreu; Ediouro; 352 páginas; 39,90 reais) Ao
ser lançado nos Estados Unidos, meses atrás, esse romance
causou frisson. A história se baseia nas experiências reais
das autoras, que trabalharam como babás em endereços chiques
de Nova York. Elas transformam esse universo em cenário de uma
ácida comédia de costumes. Fornecem um retrato da infância
vivida em apartamentos suntuosos, sob o reinado de pais que mal vêem
os filhos e os educam segundo regras curiosas por exemplo, enquanto
papai e mamãe vão aos melhores restaurantes, o garoto tem
de comer uma refeição macrobiótica milimetricamente
balanceada. Essas futilidades são vistas pela ótica de Nanny
(babá, em inglês), uma estudante que ganha a vida cuidando
dos filhos de famílias ricas.
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