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Para
curar a dor
Anos depois do assassinato de sua
noiva, o diretor
Brad Silberling faz
uma "autobiografia emocional"
Isabela
Boscov
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Gyllenhaal,
Hoffman e Susan, em Vida que Segue:
a perda que une |

Veja também |
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Em
1989, a noiva do diretor Brad Silberling a atriz Rebecca Schaeffer,
de 21 anos foi morta a tiros na porta de sua própria casa
por um fã obcecado que obtivera seu endereço no departamento
de trânsito. Silberling mal conhecia os pais de Rebecca, mas, na
esteira da tragédia, os três se tornaram íntimos.
"Nosso relacionamento foi de zero a 100 em alguns dias. Para mim, o pai
e a mãe de Rebecca eram como uma versão em estéreo
dela a personalidade, o humor, estava tudo lá", diz o diretor.
Juntos, os três reagiram à perda fazendo uma bem-sucedida
campanha por leis que restringissem com mais eficácia o acesso
de pessoas como o assassino de Rebecca a informações sobre
suas vítimas. Agora, Silberling, de 39 anos, completa essa etapa
com o que chama de uma "autobiografia emocional". Vida que Segue
(Moonlight Mile, Estados Unidos, 2002), que estréia
nesta sexta-feira no país, trata dos vínculos complexos
que se formam entre o casal de meia-idade Benjamin e Jo-Jo (Dustin Hoffman
e Susan Sarandon) e Joe (Jake Gyllenhaal), o noivo de sua filha única,
quando esta é assassinada pelo marido ciumento de uma garçonete
simplesmente por estar ao lado da moça. Joe se muda para a casa
dos sogros, compartilha com eles as miudezas do dia-a-dia e até
entra no ramo de imóveis com Benjamin. Ocupa, ao mesmo tempo, dois
lugares: o da filha perdida e o do filho que nunca houve. Joe se acomoda
na situação por compaixão e por não ter a
menor idéia de que rumo dar à vida. Os seus sogros, por
sua vez, se apossam do rapaz, numa tentativa de adiar o luto e torná-lo
suportável.
Vida
que Segue se rende a muitas das armadilhas comuns a esse tema
por exemplo, a inevitável cena climática de tribunal e as
desavenças criadas pela entrada de uma outra moça na vida
de Joe. Em contrapartida, Silberling conhece em primeira mão as
tábuas de salvação a que as pessoas se agarram diante
de uma perda tão inconsolável. Por isso, não faltam
a seu filme humor e mesmo uma certa nostalgia. Passado no início
dos anos 70, Vida que Segue faz excelente uso de canções
da época, a começar pela balada dos Rolling Stones que empresta
ao filme seu título original. E não por acaso o personagem
de Dustin Hoffman se chama Benjamin, como o que ele interpretou em 1967
em A Primeira Noite de um Homem, no qual entrava aos trancos e
barrancos no mundo adulto. Na visão de Silberling, também
a perda é, à sua maneira, um rito de passagem.
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