Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 777 - 13 de novembro de 2002
Geral Aviação
 

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Índice
Seções
Brasil
Internacional
Economia e Negócios
Geral
 

Pesquisa mostra que correr é melhor que caminhar
A nova técnica de esterilização
Uma exposição de roupas de Evita Perón
Pólo, um esporte de poucos praticantes e muito dinheiro
O novo Fusca conversível
A Mercedes vai fabricar o Smart no Brasil
A luta dos artistas contra as rugas
Os perigos da injeção antigordura
A rotina das famílias que vivem em barcos
Gisele Bündchen vira alvo de ecologistas
As revelações do mordomo de Diana
Estudante planejou a morte dos próprios pais
O sucesso dos livros de auto-ajuda
Aeronave não tripulada mata terroristas da Al Qaeda

Guia
Artes e Espetáculos

colunas
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Claudio de Moura Castro
Sérgio Abranches
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
Radar
Holofote
Contexto
VEJA on-line
Veja essa
Arc
Gente
Datas

VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Arquivo 1997-2002
Reportagens de capa
2000|2001|2002
Entrevistas
2000|2001|2002
Busca somente texto
96|97|98|99|00|01|02


Crie seu grupo




 

Assassinato por
controle remoto

Aviãozinho não tripulado dos
Estados Unidos
mata terroristas
no Iêmen e comprova o
poder de
fogo dos robôs na guerra moderna



Veja também
Veja também
A máquina mortífera

A guerra dos Estados Unidos contra o terrorismo atingiu nova dimensão com o uso de um aviãozinho não tripulado. No domingo 3, um Predador pilotado por controle remoto abateu com um míssil antitanque o jipe em que viajava Abu Ali al-Harithi, chefão da Al-Qaeda no Iêmen, e cinco outros terroristas. Os americanos identificavam Al-Harithi como um dos homens mais perigosos do terrorismo islâmico. Atribui-se a ele o planejamento do atentado que matou dezessete marinheiros no contratorpedeiro americano USS Cole no Iêmen, há dois anos. Al-Harithi fazia parte do círculo íntimo de Osama bin Laden e provavelmente foi um dos poucos a saber dos preparativos para os atentados de 11 de setembro. Há duas novidades em sua morte. Nunca antes se teve confirmação oficial do assassinato de um terrorista pelos americanos, exceto no Afeganistão. A ação foi organizada pela CIA, o serviço secreto dos EUA, depois que o presidente George W. Bush deu sinal verde para uma campanha de execução de terroristas em qualquer parte do mundo. Também é a primeira vez que o Predador é usado como arma fora do território afegão.

O aviãozinho, dirigido por controle remoto, é ideal para operações clandestinas. Pequeno, com 8,1 metros de comprimento, pode decolar de uma pista de apenas 610 metros, que não precisa ser pavimentada. O motor turboélice de quatro cilindros tem 80 cavalos de potência. Um tanque com capacidade para 410 litros de querosene é mais do que suficiente para manter o aparelho 24 horas seguidas no ar. Como todo avião, o Predador tem leme na cauda, profundor (que levanta e abaixa o nariz) e aileron (que faz a aeronave rolar sobre o eixo longitudinal). Também tem pequenos flaps nas asas, para frear. No nariz do avião há uma câmera de televisão para ajudar na pilotagem. Próximo à base, a comunicação é feita diretamente com a aeronave usando ondas de rádio. Longe dela, ondas de rádio mais altas e um link via satélite são usados. Caso o sistema de comunicação falhe, o Predador está programado para retornar ao local de partida. Se o motor falha, pára-quedas amortecem a queda. Caso caia, os inimigos não têm como saber o que foi transmitido, pois nada fica gravado.

O Predador foi criado originalmente como avião de reconhecimento aéreo. As três câmeras com lentes especiais instaladas em cada aeronave trabalham com imagens com resolução de 1 metro, o que torna possível identificar veículos e grupos de pessoas. As imagens que chegam à estação móvel de controle podem ser retransmitidas via satélite para qualquer lugar do mundo. Essa estação tem cerca de 20 metros quadrados e assento para dois operadores, que podem manejar até quatro Predador ao mesmo tempo. Os detalhes da operação no Iêmen são guardados como segredo militar. Mas se acredita que o operador que disparou o míssil contra o terrorista no deserto do Iêmen estava sentado diante de uma tela e de um joystick no Djibuti, país a cerca de 160 quilômetros de distância do local do ataque. Uma vantagem do Predador é que não há pilotos para ser mortos ou capturados. Outra vantagem é que, com o revezamento da equipe de operadores, a aeronave pode ficar um dia inteiro no ar.

Os israelenses foram os pioneiros no uso de aviões não tripulados para espionagem, a partir dos anos 80. Os americanos começaram a utilizá-los para reconhecimento aéreo nos Bálcãs, em 1996. A decisão de armá-los com dois mísseis antitanque Hellfire, guiados a laser, foi tomada depois de um Predador localizar o chefe do Talibã, o mulá Omar, no Afeganistão. Como o avião não tinha armas, não foi possível impedir que Omar fugisse. Atualmente aviões Predador também ajudam no patrulhamento do Iraque. Os operadores dos aviões não tripulados são pilotos da Força Aérea. É curioso, mas a criação dessa nova função para pilotos de combate foi um problema para o Pentágono. Nos primeiros tempos, não se encontrava militar disposto a trocar a emoção da cabine de um avião de combate por um joystick e uma tela a quilômetros de distância do campo de batalha. Uma solução para vencer a resistência foi computar o tempo gasto na operação do Predador como horas de vôo, cruciais para o cálculo de aumento de salário e para a promoção dos pilotos.

O Predador tem alguns problemas operacionais, como a dificuldade para voar durante tempestades e o congelamento dos equipamentos. Sua velocidade de cruzeiro de 130 quilômetros por hora, baixa para os padrões aeronáuticos, o torna vulnerável à artilharia inimiga. Esses inconvenientes deverão ser resolvidos em breve. O Global Hawk, a última versão dos aviões não tripulados americanos, está em fase de testes. Ao custo de 4,5 milhões de dólares o exemplar, irá voar à altitude de 16.000 metros e terá autonomia de 23.000 quilômetros, mais de vinte vezes a do Predador atual. Outro aparelho prestes a entrar em operação é o Predador B. Terá oito mísseis em vez dos atuais dois e poderá determinar se há sinais de armas biológicas, nucleares e químicas por onde passar. A era da guerra por controle remoto está apenas começando.

   
 
   
  voltar
   
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS