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A
guerra dos Estados Unidos contra o terrorismo atingiu nova dimensão
com o uso de um aviãozinho não tripulado. No domingo 3,
um Predador pilotado por controle remoto abateu com um míssil antitanque
o jipe em que viajava Abu Ali al-Harithi, chefão da Al-Qaeda no
Iêmen, e cinco outros terroristas. Os americanos identificavam Al-Harithi
como um dos homens mais perigosos do terrorismo islâmico. Atribui-se
a ele o planejamento do atentado que matou dezessete marinheiros no contratorpedeiro
americano USS Cole no Iêmen, há dois anos. Al-Harithi
fazia parte do círculo íntimo de Osama bin Laden e provavelmente
foi um dos poucos a saber dos preparativos para os atentados de 11 de
setembro. Há duas novidades em sua morte. Nunca antes se teve confirmação
oficial do assassinato de um terrorista pelos americanos, exceto no Afeganistão.
A ação foi organizada pela CIA, o serviço secreto
dos EUA, depois que o presidente George W. Bush deu sinal verde para uma
campanha de execução de terroristas em qualquer parte do
mundo. Também é a primeira vez que o Predador é usado
como arma fora do território afegão.
O aviãozinho, dirigido por controle remoto, é ideal para
operações clandestinas. Pequeno, com 8,1 metros de comprimento,
pode decolar de uma pista de apenas 610 metros, que não precisa
ser pavimentada. O motor turboélice de quatro cilindros tem 80
cavalos de potência. Um tanque com capacidade para 410 litros de
querosene é mais do que suficiente para manter o aparelho 24 horas
seguidas no ar. Como todo avião, o Predador tem leme na cauda,
profundor (que levanta e abaixa o nariz) e aileron (que faz a aeronave
rolar sobre o eixo longitudinal). Também tem pequenos flaps nas
asas, para frear. No nariz do avião há uma câmera
de televisão para ajudar na pilotagem. Próximo à
base, a comunicação é feita diretamente com a aeronave
usando ondas de rádio. Longe dela, ondas de rádio mais altas
e um link via satélite são usados. Caso o sistema de comunicação
falhe, o Predador está programado para retornar ao local de partida.
Se o motor falha, pára-quedas amortecem a queda. Caso caia, os
inimigos não têm como saber o que foi transmitido, pois nada
fica gravado.
O Predador foi criado originalmente como avião de reconhecimento
aéreo. As três câmeras com lentes especiais instaladas
em cada aeronave trabalham com imagens com resolução de
1 metro, o que torna possível identificar veículos e grupos
de pessoas. As imagens que chegam à estação móvel
de controle podem ser retransmitidas via satélite para qualquer
lugar do mundo. Essa estação tem cerca de 20 metros quadrados
e assento para dois operadores, que podem manejar até quatro Predador
ao mesmo tempo. Os detalhes da operação no Iêmen são
guardados como segredo militar. Mas se acredita que o operador que disparou
o míssil contra o terrorista no deserto do Iêmen estava sentado
diante de uma tela e de um joystick no Djibuti, país a cerca de
160 quilômetros de distância do local do ataque. Uma vantagem
do Predador é que não há pilotos para ser mortos
ou capturados. Outra vantagem é que, com o revezamento da equipe
de operadores, a aeronave pode ficar um dia inteiro no ar.
Os israelenses foram os pioneiros no uso de aviões não tripulados
para espionagem, a partir dos anos 80. Os americanos começaram
a utilizá-los para reconhecimento aéreo nos Bálcãs,
em 1996. A decisão de armá-los com dois mísseis antitanque
Hellfire, guiados a laser, foi tomada depois de um Predador localizar
o chefe do Talibã, o mulá Omar, no Afeganistão. Como
o avião não tinha armas, não foi possível
impedir que Omar fugisse. Atualmente aviões Predador também
ajudam no patrulhamento do Iraque. Os operadores dos aviões não
tripulados são pilotos da Força Aérea. É curioso,
mas a criação dessa nova função para pilotos
de combate foi um problema para o Pentágono. Nos primeiros tempos,
não se encontrava militar disposto a trocar a emoção
da cabine de um avião de combate por um joystick e uma tela a quilômetros
de distância do campo de batalha. Uma solução para
vencer a resistência foi computar o tempo gasto na operação
do Predador como horas de vôo, cruciais para o cálculo de
aumento de salário e para a promoção dos pilotos.
O Predador tem alguns problemas operacionais, como a dificuldade para
voar durante tempestades e o congelamento dos equipamentos. Sua velocidade
de cruzeiro de 130 quilômetros por hora, baixa para os padrões
aeronáuticos, o torna vulnerável à artilharia inimiga.
Esses inconvenientes deverão ser resolvidos em breve. O Global
Hawk, a última versão dos aviões não tripulados
americanos, está em fase de testes. Ao custo de 4,5 milhões
de dólares o exemplar, irá voar à altitude de 16.000
metros e terá autonomia de 23.000 quilômetros, mais de vinte
vezes a do Predador atual. Outro aparelho prestes a entrar em operação
é o Predador B. Terá oito mísseis em vez dos atuais
dois e poderá determinar se há sinais de armas biológicas,
nucleares e químicas por onde passar. A era da guerra por controle
remoto está apenas começando.
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