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Edição 1 777 - 13 de novembro de 2002
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Ela matou os próprios pais

Adolescente ajuda namorado a
roubar e assassinar o pai e a mãe
no quarto em que dormiam

Gabriela Carelli e Rosana Zakabi


Flavio Grieger/Folha Imagem
Suzane, ao lado do irmão Andreas, chora no enterro dos pais: ela diz que matou por amor

O engenheiro Manfred von Richthofen, de 49 anos, e sua mulher, a psiquiatra Marísia, foram mortos a golpes de barras de ferro no quarto do casal, numa casa confortável no Campo Belo, bairro de classe média alta de São Paulo, duas semanas atrás. Na sexta-feira passada, a polícia paulista apresentou os autores do duplo homicídio: a filha do casal, Suzane Louise von Richthofen, de 19 anos, seu namorado, Daniel Cravinhos de Paula e Silva, de 21, e o irmão deste, Cristian, de 26. Os detalhes do crime, revelado nas confissões dos assassinos, causam horror e incredulidade. Que desvio de comportamento pode explicar a atitude da jovem que participou do massacre dos próprios pais? O crime foi cometido pouco depois da meia-noite. Acompanhada de Daniel e Cristian, Suzane estacionou seu carro na garagem de casa e foi verificar se os pais estavam dormindo. Desligou, então, o sistema de alarme e acendeu a luz do corredor, para facilitar o acesso ao casal. Ela ainda pegou luvas cirúrgicas que pertenciam à mãe e as meias femininas com as quais os assassinos cobriram o rosto. Daniel matou o pai da namorada. Seu irmão, a mãe, que ainda tentou defender-se e teve as mãos fraturadas com os golpes. Cristian terminou por matá-la por estrangulamento.


José Francisco Diorio/AE
Robson Fernandes/AE
Manfred von Richthofen e a casa onde ocorreu o crime: a filha queria a herança

Enquanto os pais eram mortos, Suzane se apropriava do dinheiro guardado na biblioteca – 5.000 dólares e 8.000 reais. Após o crime, ela e o namorado foram a um motel, numa tentativa de forjar um álibi. Depois foram buscar o irmão dela, Andreas, de 15 anos, que estava numa casa de jogos eletrônicos. Ao chegar em casa, ela simulou o choque com a morte dos pais e chamou a polícia. A farsa ficou evidente a partir de contradições em que caíram os suspeitos. A convicção se reforçou quando a polícia descobriu que o irmão do namorado da moça, Cristian, pagou em dólares por uma motocicleta, apenas dez horas após o crime. Confrontados com os indícios, os assassinos confessaram na madrugada de sexta-feira. Suzane disse à polícia que matou os pais "por amor", pois eles se opunham a seu namoro com Daniel. O que transformou uma banal desavença familiar num crime odioso foram a vida dupla de Suzane e seu envolvimento com o mundo de delitos e drogas dos irmãos Daniel e Cristian. A família Von Richthofen tinha um padrão de vida de alta classe média. Nascido na Alemanha, Manfred era sobrinho-neto do lendário piloto da I Guerra conhecido como Barão Vermelho. Suzane estudou numa escola de elite e cursava o 1º ano de direito na Pontifícia Universidade Católica. Tinha um carro novo, que ganhou de presente do pai, uma mesada generosa e passava as férias com a família na Europa. Há três anos, ela conheceu Daniel, apresentado por um amigo comum.


Agliberto Lima/AE
Cristian, Daniel e Suzane, depois da confissão à polícia: consumo de drogas

A princípio os pais de Suzane não se opuseram ao relacionamento. Eles demoraram cinco meses para perceber que a filha gastava muito dinheiro com o namorado, que não trabalhava nem estudava. Desconfiavam ainda que a moça consumisse drogas em sua companhia. O pai decidiu proibir o namoro e impediu Daniel de freqüentar sua casa. Suzane passou a namorar escondido de Von Richthofen e começou a faltar às aulas para se encontrar com Daniel. Ela saía do colégio onde estudava e ia de táxi para a casa do namorado. Assim que foi aprovada no vestibular e ganhou o carro, as visitas tornaram-se mais freqüentes. Em lugar de ir para a faculdade, na maioria dos dias, a garota chegava à casa do namorado por volta das 7h30 da manhã e só saía à noite. Seis meses atrás, o pai descobriu que o namoro não havia sido rompido, como imaginava, ficou furioso e decidiu mandar a filha para viver com parentes no interior da Alemanha. Suzane não aceitou e, depois de uma briga feia, parou de falar com ele. Preocupado, Manfred passava quase diariamente no local onde Daniel morava para ver se o carro da filha estava lá quando deveria estar na faculdade.

O mundo de Cristian e Daniel era bem diferente do de Suzane. Eles são de uma família de classe média baixa. O pai é funcionário público aposentado e a mãe ajudava no orçamento dando aulas de pintura. Moram num pequeno sobrado numa vila num bairro da Zona Sul de São Paulo, onde Cristian e Daniel são vistos como jovens problemáticos. Os vizinhos contam que desde a adolescência os irmãos consomem drogas e estão envolvidos com o tráfico. Apesar de não trabalharem, Cristian e Daniel têm carros novos e usavam roupas de grife. Há alguns meses, para escapar de traficantes que o ameaçaram de morte, Cristian mudou-se para a casa da avó, em outro bairro. Daniel teve problemas de aprendizado na infância, largou cedo os estudos e não é capaz de pronunciar certos sons. Sua única habilidade é o aeromodelismo. Chegou a ganhar um prêmio pela qualidade de seus modelos. Dois meses atrás, Daniel e Suzane decidiram matar o casal e aproveitar a herança para viver juntos. Suzane então fingiu ter rompido o namoro. A jovem se reaproximou dos pais, passou a conversar mais com a mãe e a sair com o irmão (o que era um pretexto para encontros furtivos com o namorado). A uma amiga, Marísia contou que a filha havia voltado a ser a menina maravilhosa que era antes de conhecer Daniel. Infelizmente, era apenas uma parte do plano para assassinar os próprios pais.

   
 
   
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