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Edição 1 777 - 13 de novembro de 2002
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Turquia: Os muçulmanos vencem as eleições

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Turbante vitorioso

Partido islâmico vence as eleições
na Turquia, a única democracia
do mundo muçulmano

 
AFP
AP
Contrastes turcos: modelo em desfile de moda, na semana passada, e mulheres religiosas em Istambul

A Turquia é uma exceção entre as nações muçulmanas. Primeiro, é uma democracia. Segundo, é um país que separa com rigidez a mesquita do Estado. Na semana passada, o cenário foi revirado pela avassaladora vitória eleitoral de um partido islâmico, o AKP. O homem do momento é Recep Tayyip Erdogan, líder dos vencedores. Ex-prefeito de Istambul, ele não pode concorrer pessoalmente por causa de uma condenação por incitar o ódio religioso, mas deve governar por meio de um primeiro-ministro fantoche. Erdogan está longe de ser um aiatolá. Só usa ternos bem cortados e marcou sua campanha com um discurso moderado, na linha "paz e amor". Seu desafio é provar que é possível conciliar o Islã com a democracia.


AP
Erdogan: ternos bem cortados e campanha de "paz e amor"


Há sete anos, um partido fundamentalista islâmico chegou pela primeira vez ao poder na Turquia. Os militares, guardiães do Estado laico fundado na marra por Mustafa Kemal, o Ataturk (pai dos turcos), nos anos 20, pressionaram o primeiro-ministro muçulmano até seu governo cair, um ano depois. Desta vez, os islâmicos prometem respeitar o caráter laico do país, e os militares, o resultado das urnas. Ao fundar a Turquia sobre as ruínas do Império Otomano, Ataturk impôs roupas ocidentais, proibiu o uso do véu feminino em repartições e escolas públicas e substituiu o alfabeto árabe pelo latino no prazo recorde de seis meses. O Estado supervisiona a educação religiosa, nomeia os 80 000 clérigos do país e paga seus salários. Mesmo assim, o islamismo continua forte. De cada dez turcos, nove fazem o jejum no mês do Ramadã e metade reza cinco vezes por dia para Alá. A Turquia quer entrar para a União Européia, mas para isso precisa provar que seus muçulmanos são civilizados e pôr fim à sangrenta repressão ao movimento separatista da minoria curda.

A vitória do AKP deve-se mais à crise econômica que às convicções religiosas da população, 97% muçulmana. O partido do veterano primeiro-ministro Bulent Ecevit, que ocupava pela quinta vez o cargo, recebeu apenas 1% dos votos. Seu governo fracassou no combate à inflação (45% ao ano) e ao desemprego, que castiga três em cada dez turcos. A vitória islâmica é um problema para os Estadoor="#000000"> A vitória do AKP deve-se mais à crise econômica que às convicções religiosas da população, 97% muçulmana. O partido do veterano primeiro-ministro Bulent Ecevit, que ocupava pela quinta vez o cargo, recebeu apenas 1% dos votos. Seu governo fracassou no combate à inflação (45% ao ano) e ao desemprego, que castiga três em cada dez turcos. A vitória islâmica é um problema para os Estados Unidos, aliados da Turquia desde a Guerra Fria. Situado entre o Ocidente e o Oriente, o país abriga bases militares da Otan que os americanos planejavam usar para um ataque militar ao vizinho Iraque. A dúvida é se o novo governo muçulmano vai concordar em participar dessa guerra.

 
 
   
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