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Turbante
vitorioso
Partido islâmico vence as eleições
na Turquia, a única democracia
do mundo muçulmano
AFP
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AP
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| Contrastes
turcos: modelo em desfile de moda, na semana passada, e mulheres religiosas
em Istambul |
A
Turquia é uma exceção entre as nações
muçulmanas. Primeiro, é uma democracia. Segundo, é
um país que separa com rigidez a mesquita do Estado. Na semana
passada, o cenário foi revirado pela avassaladora vitória
eleitoral de um partido islâmico, o AKP. O homem do momento é
Recep Tayyip Erdogan, líder dos vencedores. Ex-prefeito de Istambul,
ele não pode concorrer pessoalmente por causa de uma condenação
por incitar o ódio religioso, mas deve governar por meio de um
primeiro-ministro fantoche. Erdogan está longe de ser um aiatolá.
Só usa ternos bem cortados e marcou sua campanha com um discurso
moderado, na linha "paz e amor". Seu desafio é provar que é
possível conciliar o Islã com a democracia.
AP
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| Erdogan:
ternos bem cortados e campanha de "paz e amor" |
Há sete anos, um partido fundamentalista islâmico chegou
pela primeira vez ao poder na Turquia. Os militares, guardiães
do Estado laico fundado na marra por Mustafa Kemal, o Ataturk (pai dos
turcos), nos anos 20, pressionaram o primeiro-ministro muçulmano
até seu governo cair, um ano depois. Desta vez, os islâmicos
prometem respeitar o caráter laico do país, e os militares,
o resultado das urnas. Ao fundar a Turquia sobre as ruínas do Império
Otomano, Ataturk impôs roupas ocidentais, proibiu o uso do véu
feminino em repartições e escolas públicas e substituiu
o alfabeto árabe pelo latino no prazo recorde de seis meses. O
Estado supervisiona a educação religiosa, nomeia os 80 000
clérigos do país e paga seus salários. Mesmo assim,
o islamismo continua forte. De cada dez turcos, nove fazem o jejum no
mês do Ramadã e metade reza cinco vezes por dia para Alá.
A Turquia quer entrar para a União Européia, mas para isso
precisa provar que seus muçulmanos são civilizados e pôr
fim à sangrenta repressão ao movimento separatista da minoria
curda.
A vitória do AKP deve-se mais à crise econômica que
às convicções religiosas da população,
97% muçulmana. O partido do veterano primeiro-ministro Bulent Ecevit,
que ocupava pela quinta vez o cargo, recebeu apenas 1% dos votos. Seu
governo fracassou no combate à inflação (45% ao ano)
e ao desemprego, que castiga três em cada dez turcos. A vitória
islâmica é um problema para os Estadoor="#000000">
A vitória do AKP deve-se mais à crise econômica que
às convicções religiosas da população,
97% muçulmana. O partido do veterano primeiro-ministro Bulent Ecevit,
que ocupava pela quinta vez o cargo, recebeu apenas 1% dos votos. Seu
governo fracassou no combate à inflação (45% ao ano)
e ao desemprego, que castiga três em cada dez turcos. A vitória
islâmica é um problema para os Estados Unidos, aliados da
Turquia desde a Guerra Fria. Situado entre o Ocidente e o Oriente, o país
abriga bases militares da Otan que os americanos planejavam usar para
um ataque militar ao vizinho Iraque. A dúvida é se o novo
governo muçulmano vai concordar em participar dessa guerra.
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