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Ter
ou não ter rugas,
eis a decisão
O
dilema dos artistas é descobrir
até que ponto podem alisar o rosto
sem perder a expressão
Silvia
Rogar
Rodrigo Queiroz
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Ronaldo Ceravolo
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| Eliane
(plástica em volta dos olhos) e Rosamaria (de tudo um pouco):
Botox na testa, não |

Veja também |
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Confessar,
elas não confessam (e eles, menos ainda). Mas raridade hoje em
dia é encontrar artista conhecido com mais de 40 anos que nunca
tenha enfrentado sua dose de toxina botulínica no afã de
rejuvenescer. Seja em Hollywood, seja no Projac, passar pelo bisturi ou
por injeções de Botox antes de começar um novo trabalho
tornou-se quase tão obrigatório quanto estudar o personagem.
A aparência, exageros à parte, pode melhorar, mas até
que ponto o puxa-estica interfere no desempenho profissional de quem vive,
em boa parte, de sua expressão facial? De tão disseminada
a prática, o assunto já causa cenhos franzidos no meio artístico.
Recentemente, diretores de peso, como Baz Luhrmann, de Moulin Rouge,
e Martin Scorsese, desancaram publicamente o Botox, que estaria, segundo
eles, criando uma geração de artistas sem expressão.
"Não posso compreender por que alguém que se considera ator
se priva da capacidade de ter expressão facial", desdenhou Scorsese.
A autora
de novelas Maria Adelaide Amaral, que confessa plástica na região
dos olhos e lifting no pescoço mas renega Botox, diz que não
aconselha suas amigas atrizes a injetar a substância. "Algumas estão
exagerando tanto que até para o autor definir o personagem fica
difícil: a pessoa não tem cara nem de avó nem de
mãe", critica. A atriz Rosamaria Murtinho, que não diz a
idade por nada neste mundo mas está por volta dos 65, já
fez quase tudo: toxina botulínica entre as sobrancelhas e na região
dos olhos, preenchimento dos sulcos ao redor da boca, lifting no rosto
e plástica nas pálpebras e no pescoço. Mas ressalva:
nunca, jamais, alisou a testa. "Botox aí, nem pensar", garante.
Para alisar a pele, a toxina relaxa a musculatura, deixando-a paralisada.
A expressão de olímpica serenidade pode passar despercebida
no dia-a-dia, mas explode com os closes da televisão ou do cinema.
"Os músculos frontais, que vão das sobrancelhas até
a linha dos cabelos, são responsáveis por grande parte da
expressão facial. Por isso, precisam ficar naturais", diz a dermatologista
Dóris Hexsel, do Rio de Janeiro. A atriz Zezé Polessa usou
Botox entre as sobrancelhas e na lateral dos olhos quando foi convocada
para ser a Amapola, de Porto dos Milagres, no ano passado. "Foi
uma dose pequena, porque tinha medo de ficar com cara de porta. Para um
personagem leve, como o que eu fiz, ajudou a relaxar a expressão",
diz ela, que jura não ter ainda recorrido à segunda dose.
A conservadíssima Eliane Giardini, 50 anos, professa temer Botox.
"Tenho pânico de ficar com a expressão cristalizada", diz,
admitindo apenas "uma plástica para retirar bolsas de gordura da
região dos olhos, com muito critério para não mudar
meu rosto".
O cirurgião
plástico americano Michael Kane, que atende num luxuoso consultório
em Nova York e é autor de The Botox Book, adverte: "Uma
atriz sem ruga nenhuma não consegue mostrar suas emoções".
O truque de Kane, no tratamento de artistas com a substância, é
injetar três quartos do que usa num paciente comum e repetir as
doses com intervalos de dois meses, em vez dos quatro a seis normais.
"Só que algumas não entendem e retornam na semana seguinte,
querendo esticar mais", disse a VEJA. O surto de botocadas no cinema americano
criou anomalias, como Melanie Griffith, 45 anos, que apela para todo tipo
de injeção na ânsia de parecer mocinha perto do maridão
Antonio Banderas, 42. Melanie é a encarnação do exagero
das intervenções estéticas: boca inchada e retorcida,
maçãs do rosto estufadas, toxina botulínica em quantidade
suficiente para produzir um ar apatetado.
Beti Niemeyer
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André Valentim/Strana
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| Estratégias:
Eva fez e parou; Fernanda (à dir.) nunca fez |
"A pessoa
está tentando ser o que não é, e isso já impede
a autenticidade da interpretação", diz a temida crítica
teatral Barbara Heliodora. "Para alguns talentos menores, o Botox exagerado
pode acabar com uma carreira", sintetiza o diretor Jorge Fernando. Para
quem sempre se destacou pela beleza espetacular, como a italiana Sophia
Loren (68 anos, rosto notável e artificialmente alisado), é
difícil escapar à tentação da eterna, ainda
que nada natural, juventude. Eva Wilma, mesma idade de Sophia e dois liftings
o último em 1986 , diz que agora parou. "Rugas também
podem ser apreciadas pelo público", consola-se. A exceção
é a fera da interpretação, Fernanda Montenegro, que
aos 73 anos é uma das raríssimas atrizes a aparentar a idade
que têm. "Não tenho nada contra. Mas não quis fazer
quando mais jovem e agora acho que passei da hora", diz. Confira nas fotos
acima os diferentes resultados.
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