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O jogo mais caro
do mundo
Há
apenas 500 jogadores de pólo
no Brasil. São todos milionários
Ricardo Mendonça

Veja também |
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O jogo de
pólo certamente não consta das modalidades que dependem
de verbas do Ministério do Esporte e Turismo. Felizmente para seus
praticantes. Caso contrário, eles assustariam funcionários
petistas do governo com sua relação de despesas rotineiras
com cavalos, campos, gramados, tratadores de animais, veículos
especializados em carregar montarias e até uniformes e botas. Estima-se
que existam apenas 500 jogadores de pólo no Brasil e a verdade
é que eles, em geral grandes milionários, não precisam
de ajuda para praticar seu esporte favorito. Esse é um dos ramos
esportivos menos conhecidos no país, mas os praticantes estão
entre os mais festejados atletas mundiais da modalidade. O Brasil detém
dois títulos mundiais, conquistados em 1995 e 2001, e disputa com
argentinos e britânicos a primazia internacional. Entre os especialistas,
os brasileiros são tão respeitados quanto Ronaldinho no
futebol e Gustavo Kuerten no tênis. Há outro aspecto que
torna o jogo ainda mais surpreendente. Esporte preferido da realeza britânica,
o pólo é mais exclusivo que qualquer outra atividade esportiva.
É por isso que, no Brasil e no mundo, quase todos os jogadores
carregam sobrenomes conhecidos na alta sociedade.
Revista Pólo
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| Jogo
de pólo no Helvetia Club, em São Paulo, e tratador com
cavalos da raça puro-sangue: os melhores animais chegam a custar
50 000 reais |
Antonio Milena
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Os campos mais badalados do Brasil ficam no Helvetia Polo Club, em Indaiatuba,
no interior de São Paulo, a cerca de uma hora da capital paulista.
Fundado nos anos 70, na região onde ficam alguns dos mais luxuosos
condomínios do Brasil, o entorno do Helvetia é uma das áreas
que concentram o maior número de campos de pólo do mundo.
São 33 no total, 27 deles em fazendas particulares. Cada um tem
275 metros de comprimento por 140 metros de largura, o equivalente ao
tamanho de quatro campos de futebol. Quase todos os membros da confraria
do pólo são donos de mansões nos arredores do Helvetia.
Algumas casas têm dez suítes e são avaliadas em até
15 milhões de reais. Além de campo de pólo, a maioria
das residências possui campo de golfe, outro esporte praticado pelo
seleto grupo.
O Helvetia
realiza anualmente três grandes torneios patrocinados por grifes
luxuosas, como Tiffany e Porsche. Nessas ocasiões, os convites
pedem que as mulheres usem chapéu, repetindo a tradição
inglesa. Os homens chegam para a festa dirigindo carrões de luxo.
Desfiles com lindas modelos e o som ao vivo de violinos e violoncelos
animam o evento. É um luxo só. "Essa tradição
se deve principalmente à família real inglesa, a principal
promotora do esporte no mundo", afirma Claudemir Siquini, presidente do
Helvetia Club. O pólo está tão presente na vida da
corte inglesa que já houve até um escândalo sexual
envolvendo o jogo. Quando ainda era casada com o príncipe Charles,
os jornais divulgaram um suposto romance entre a princesa Diana e um polista
chamado James Hewitt. Entre os ingleses históricos que praticavam
pólo, o mais conhecido foi o ex-primeiro-ministro Winston Churchill.
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Revista Pólo
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| Rico
Mansur, o melhor amador do mundo: reconhecimento social e prêmio recebido
das mãos da rainha Elizabeth II |
Nas partidas
realizadas no Brasil, os presentes são na maioria pessoas de referência
na área empresarial, como os Diniz, do Grupo Pão de Açúcar,
e os Mansur, do ramo de laticínios. Em campo, estão quase
sempre os herdeiros desses grupos. É o caso de Fábio Diniz,
filho de Arnaldo Diniz, um dos irmãos do controlador do Grupo Pão
de Açúcar, Abilio Diniz. Fábio começou a jogar
aos 11 anos, incentivado pelo pai. Hoje, aos 26 anos, é considerado
o melhor profissional do Brasil. Outro jogador de categoria internacional
é Ricardo Mansur Filho, conhecido na comunidade pelo apelido de
Rico. Ele é filho do ex-dono do Mappin e da Mesbla, cuja família
controla a indústria de laticínios Vigor. Rico é
o amador com o mais alto handcap do mundo, medida baseada na média
de gols que o jogador faz por partida. Está nessa categoria porque
ainda paga para competir, mas tem qualidades de profissional. Rico foi
o primeiro brasileiro da história a vencer um dos quatro torneios
abertos da Argentina. É tão admirado no meio que, recentemente,
apareceu ao lado da namorada, Isabela Fiorentino, na capa da revista Pólo,
especializada no assunto. Rico tem também no currículo
um prêmio recebido diretamente das mãos de sua majestade
a rainha Elizabeth II, da Inglaterra.
Além
da qualidade do jogador, o desempenho dos cavalos também faz a
diferença. Os especialistas dizem que os melhores animais podem
responder por até 70% da performance da equipe. Como o pólo
exige muita força e explosão, os cavalos utilizados são
da raça puro-sangue inglês, uma das mais velozes do mundo.
Um puro-sangue inglês competitivo custa em média 10.000
reais. Como cada um dos oito jogadores em campo costuma ter sete cavalos
para participar de uma única partida (a cada sete minutos de jogo
o cavalo se cansa e deve ser substituído), só em cavalos
um jogo que dura menos de uma hora pode mobilizar um patrimônio
superior a meio milhão de reais. Os melhores puros-sangues, no
entanto, aqueles que disputam torneios internacionais, podem valer até
50.000 reais. Além disso, as principais
equipes têm o próprio caminhão que leva os animais
de uma fazenda a outra. Isso sem falar nos funcionários. Uma tropa
de dez cavalos exige pelo menos um veterinário e cinco tratadores,
que cuidam de limpar as baias diariamente, levar os cavalos para passear,
repor ração e feno, fazer a tosa e preparar as selas.
Por ser
um jogo que exige muita velocidade dos animais, o pólo pode ser
considerado um esporte violento. O jogador precisa equilibrar-se em cima
de um animal que corre a mais de 50 quilômetros por hora. Tombos,
portanto, são inevitáveis. Todos que jogam conhecem alguém
que já quebrou um braço, uma clavícula ou uma perna.
Existe também o risco de o jogador levar uma bolada no corpo ou
na cabeça, o que pode provocar desmaios. Há alguns anos,
o argentino Horacito Heguy, um dos melhores polistas do mundo, tomou uma
bolada no olho direito que o deixou cego. Atualmente, ele joga com uma
prótese de vidro. No Brasil, um dos acidentes mais conhecidos envolveu
os irmãos Abilio e Alcides Diniz. No começo dos anos 80,
durante um jogo em família, Abilio levou no rosto uma tacada desferida
involuntariamente por seu irmão Alcides. Abilio quebrou a mandíbula
e teve de fazer uma cirurgia plástica. Hoje ele não joga
mais. Mas continua a apreciar o esporte.
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