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Edição 1 777 - 13 de novembro de 2002
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O jogo mais caro do mundo

Há apenas 500 jogadores de pólo
no Brasil. São todos milionários

Ricardo Mendonça


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O jogo de pólo certamente não consta das modalidades que dependem de verbas do Ministério do Esporte e Turismo. Felizmente para seus praticantes. Caso contrário, eles assustariam funcionários petistas do governo com sua relação de despesas rotineiras com cavalos, campos, gramados, tratadores de animais, veículos especializados em carregar montarias e até uniformes e botas. Estima-se que existam apenas 500 jogadores de pólo no Brasil – e a verdade é que eles, em geral grandes milionários, não precisam de ajuda para praticar seu esporte favorito. Esse é um dos ramos esportivos menos conhecidos no país, mas os praticantes estão entre os mais festejados atletas mundiais da modalidade. O Brasil detém dois títulos mundiais, conquistados em 1995 e 2001, e disputa com argentinos e britânicos a primazia internacional. Entre os especialistas, os brasileiros são tão respeitados quanto Ronaldinho no futebol e Gustavo Kuerten no tênis. Há outro aspecto que torna o jogo ainda mais surpreendente. Esporte preferido da realeza britânica, o pólo é mais exclusivo que qualquer outra atividade esportiva. É por isso que, no Brasil e no mundo, quase todos os jogadores carregam sobrenomes conhecidos na alta sociedade.

Revista Pólo
Jogo de pólo no Helvetia Club, em São Paulo, e tratador com cavalos da raça puro-sangue: os melhores animais chegam a custar 50 000 reais
Antonio Milena


Os campos mais badalados do Brasil ficam no Helvetia Polo Club, em Indaiatuba, no interior de São Paulo, a cerca de uma hora da capital paulista. Fundado nos anos 70, na região onde ficam alguns dos mais luxuosos condomínios do Brasil, o entorno do Helvetia é uma das áreas que concentram o maior número de campos de pólo do mundo. São 33 no total, 27 deles em fazendas particulares. Cada um tem 275 metros de comprimento por 140 metros de largura, o equivalente ao tamanho de quatro campos de futebol. Quase todos os membros da confraria do pólo são donos de mansões nos arredores do Helvetia. Algumas casas têm dez suítes e são avaliadas em até 15 milhões de reais. Além de campo de pólo, a maioria das residências possui campo de golfe, outro esporte praticado pelo seleto grupo.

O Helvetia realiza anualmente três grandes torneios patrocinados por grifes luxuosas, como Tiffany e Porsche. Nessas ocasiões, os convites pedem que as mulheres usem chapéu, repetindo a tradição inglesa. Os homens chegam para a festa dirigindo carrões de luxo. Desfiles com lindas modelos e o som ao vivo de violinos e violoncelos animam o evento. É um luxo só. "Essa tradição se deve principalmente à família real inglesa, a principal promotora do esporte no mundo", afirma Claudemir Siquini, presidente do Helvetia Club. O pólo está tão presente na vida da corte inglesa que já houve até um escândalo sexual envolvendo o jogo. Quando ainda era casada com o príncipe Charles, os jornais divulgaram um suposto romance entre a princesa Diana e um polista chamado James Hewitt. Entre os ingleses históricos que praticavam pólo, o mais conhecido foi o ex-primeiro-ministro Winston Churchill.


Revista Pólo
Rico Mansur, o melhor amador do mundo: reconhecimento social e prêmio recebido das mãos da rainha Elizabeth II

Nas partidas realizadas no Brasil, os presentes são na maioria pessoas de referência na área empresarial, como os Diniz, do Grupo Pão de Açúcar, e os Mansur, do ramo de laticínios. Em campo, estão quase sempre os herdeiros desses grupos. É o caso de Fábio Diniz, filho de Arnaldo Diniz, um dos irmãos do controlador do Grupo Pão de Açúcar, Abilio Diniz. Fábio começou a jogar aos 11 anos, incentivado pelo pai. Hoje, aos 26 anos, é considerado o melhor profissional do Brasil. Outro jogador de categoria internacional é Ricardo Mansur Filho, conhecido na comunidade pelo apelido de Rico. Ele é filho do ex-dono do Mappin e da Mesbla, cuja família controla a indústria de laticínios Vigor. Rico é o amador com o mais alto handcap do mundo, medida baseada na média de gols que o jogador faz por partida. Está nessa categoria porque ainda paga para competir, mas tem qualidades de profissional. Rico foi o primeiro brasileiro da história a vencer um dos quatro torneios abertos da Argentina. É tão admirado no meio que, recentemente, apareceu ao lado da namorada, Isabela Fiorentino, na capa da revista Pólo, especializada no assunto. Rico tem também no currículo um prêmio recebido diretamente das mãos de sua majestade a rainha Elizabeth II, da Inglaterra.

Além da qualidade do jogador, o desempenho dos cavalos também faz a diferença. Os especialistas dizem que os melhores animais podem responder por até 70% da performance da equipe. Como o pólo exige muita força e explosão, os cavalos utilizados são da raça puro-sangue inglês, uma das mais velozes do mundo. Um puro-sangue inglês competitivo custa em média 10.000 reais. Como cada um dos oito jogadores em campo costuma ter sete cavalos para participar de uma única partida (a cada sete minutos de jogo o cavalo se cansa e deve ser substituído), só em cavalos um jogo que dura menos de uma hora pode mobilizar um patrimônio superior a meio milhão de reais. Os melhores puros-sangues, no entanto, aqueles que disputam torneios internacionais, podem valer até 50.000 reais. Além disso, as principais equipes têm o próprio caminhão que leva os animais de uma fazenda a outra. Isso sem falar nos funcionários. Uma tropa de dez cavalos exige pelo menos um veterinário e cinco tratadores, que cuidam de limpar as baias diariamente, levar os cavalos para passear, repor ração e feno, fazer a tosa e preparar as selas.

Por ser um jogo que exige muita velocidade dos animais, o pólo pode ser considerado um esporte violento. O jogador precisa equilibrar-se em cima de um animal que corre a mais de 50 quilômetros por hora. Tombos, portanto, são inevitáveis. Todos que jogam conhecem alguém que já quebrou um braço, uma clavícula ou uma perna. Existe também o risco de o jogador levar uma bolada no corpo ou na cabeça, o que pode provocar desmaios. Há alguns anos, o argentino Horacito Heguy, um dos melhores polistas do mundo, tomou uma bolada no olho direito que o deixou cego. Atualmente, ele joga com uma prótese de vidro. No Brasil, um dos acidentes mais conhecidos envolveu os irmãos Abilio e Alcides Diniz. No começo dos anos 80, durante um jogo em família, Abilio levou no rosto uma tacada desferida involuntariamente por seu irmão Alcides. Abilio quebrou a mandíbula e teve de fazer uma cirurgia plástica. Hoje ele não joga mais. Mas continua a apreciar o esporte.

   
 
   
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