
estasemana
colunas
seções
arquivoVEJA
 |
 |
| (conteúdo
exclusivo para assinantes VEJA ou UOL) |
 |
Crie
seu grupo

|
|
Governar
é dizer não
Ana Carolina Fernandes/Folha Imagem
 |
| O
presidente eleito no meio da multidão: tentação
populista |
É
difícil, quase impossível, enxergar isso do alto dos 52
milhões de votos que acabaram de lhe ser entregues pelos brasileiros.
Nos braços do povo, entre lágrimas de emoção
de eleitores comovidos apenas por estar perto dele, Luiz Inácio
Lula da Silva não pode ainda ter a perspectiva real do desafio
que o espera. Lula está na fase de fruição de sua
vitória nas urnas. Cedo ou tarde preferencialmente cedo
o presidente terá de travar um corpo-a-corpo bem mais ríspido
com os problemas com que se defrontará no Palácio do Planalto.
Eles são muitos e complexos. São questões que vão
exigir do presidente mais que a prometida dedicação e a
boa vontade para o diálogo. Vão exigir que ele seja capaz
de dizer não durante muito tempo e a muita gente. Se esse for o
preço do sucesso de sua administração, será
preciso que ele aceite até mesmo ser impopular.
Em parte graças ao encaminhamento da campanha de Lula, poucos presidentes
chegaram ao poder no Brasil tendo gerado uma onda tão grande de
esperança, especialmente sentida agora entre os brasileiros mais
pobres. De acordo com a última pesquisa feita pelo Instituto Sensus,
mais de 70% dos brasileiros acham que Lula fará um governo bom
ou ótimo. Na avaliação dos entrevistados, o presidente
eleito será uma usina de realizações enquanto estiver
no poder. Para 70% deles Lula fará com que a taxa de desemprego
despenque, 55% acham que ele vai controlar a inflação e
64% acreditam que acabará com a corrupção. As expectativas
em relação a seu governo, como se vê, são enormes.
Para que elas não produzam frustração na mesma medida,
o presidente terá de continuar resistindo aos apelos populistas
para aumentar em bases irreais o salário mínimo, elevar
os vencimentos dos servidores ou renegociar as dívidas dos Estados.
Muitas vezes, governar é simplesmente dizer não. Veja
reportagens sobre a sucessão.
|
|
 |