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VEJA
Recomenda CINEMA
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 | | A
Voz do Coração: sentimental sem
ser sentimentalóide |
A
Voz do Coração (Les Choristes,
França/Suíça/Alemanha, 2004. Estréia nesta sexta-feira)
Ao assumir seu posto como supervisor de um internato, na França
de 1949, o professor Clément depara com pequenos delinqüentes tratados
como irrecuperáveis e com um diretor tirano, que submete tanto os meninos
quanto seus funcionários a um regime de terror. Clément, um músico
frustrado, tem então a idéia de formar um coral com a criançada,
o que o leva à descoberta de um grande talento entre seus alunos. Sentimental
sem ser sentimentalóide, e trágico sem ser romanesco, o filme trafega
com competência por um cenário digno dos escritos do inglês
Charles Dickens. O destaque, porém, é a atuação soberba
de Gérard Jugnot como o tímido professor Clément. Veja
cenas.
LIVROS
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 |  | | Gainsbourg:
arte e um tantinho de ultraje | |
Serge
Gainsbourg: um Punhado de Gitanes, de Sylvie
Simmons (tradução de Juliana Lemos; Editora Barracuda; 240 páginas;
36 reais) Poeta, ator, cantor, cineasta e o que mais lhe desse na telha,
o francês Serge Gainsbourg (1928-1991) tinha por hábito misturar
sua arte com um tantinho de ultraje. É o caso do sucesso Je T'Aime,
Moi Non Plus, gravado ao lado da ex-mulher Jane Birkin, em que os dois simulam
sexo. Ele repetiria a dose anos mais tarde, quando compôs uma canção
sobre incesto e a cantou em dueto com a filha. A jornalista Sylvie Simmons
traça um retrato saboroso do artista. Ela mostra sua origem humilde, sua
timidez (que não o impediu de conquistar deusas como Brigitte Bardot) e
a importância do cantor na criação do pop francês. O
Sapo e o Príncipe, de Paulo Markun (Objetiva; 374 páginas;
48,90 reais) As biografias de Fernando Henrique Cardoso e de Luiz Inácio
Lula da Silva não poderiam ser mais contrastantes. O primeiro é
filho de uma família de classe média carioca na qual figuram generais
e ministros. O segundo vem de uma família de retirantes nordestinos. Jornalista
com vasta experiência na imprensa escrita e na televisão e atual
apresentador do programa Roda Viva, da TV Cultura, Markun reconstitui a
trajetória desses dois personagens até o momento em que FHC passa
a Lula a faixa presidencial, em 2003. Entre outras revelações curiosas,
o leitor fica sabendo que, já em 1989, o PT tinha o projeto de montar um
comitê para controlar as atividades da imprensa. Leia
trecho.
A
Visão de Elena Silves, de Nicholas Shakespeare (tradução
de Roberto Muggiati; Record; 352 páginas; 39,90 reais) Filho de
diplomatas, Nicholas Shakespeare viveu no Peru nos anos 80. Foi essa experiência
direta da vida peruana que lhe permitiu esboçar um panorama do país
sem os exotismos tropicais e sem a condescendência tão comuns entre
estrangeiros que escrevem sobre a América Latina. O escritor inglês
já foi elogiado até pelo peruano Mario Vargas Llosa. A Visão
de Elena Silves narra o amor trágico entre um militante marxista e
uma jovem católica que tem visões. Um dos personagens do romance
é inspirado no terrorista Abimael Guzman, líder do Sendero Luminoso.
O
Mapa que Mudou o Mundo, de Simon Winchester (tradução de
Suyan Marcondes Osborn; Record; 416 páginas; 64,90 reais) Filho
de um ferreiro, William Smith (1769-1839) trabalhava na abertura de um canal quando
reparou que a terra escavada se organizava em estratos diferenciados. Pelo estudo
de fósseis, percebeu também que cada camada correspondia a eras
geológicas distintas uma descoberta fundamental para a geologia
e a paleontologia modernas. O jornalista inglês Simon Winchester reconstitui
em detalhes a impressionante aventura científica de Smith, que passou vinte
anos viajando pela Inglaterra para elaborar, em 1851, o primeiro mapa subterrâneo
completo do país. Narra também como ele foi esnobado pelos sábios
ingleses e só alcançou o reconhecimento devido no fim da vida.
DVD
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 | | Banderas
como Villa: Hollywood encontra a revolução |
E
Estrelando Pancho Villa (And Starring Pancho Villa
as Himself, Estados Unidos, 2003. Warner)
Em 1914, o revolucionário mexicano Pancho Villa teve uma idéia original
para conquistar a simpatia dos americanos: em troca de uma soma em dinheiro e
de 20% dos lucros na bilheteria, deixaria a Mutual Film Company cuja estrela
era o diretor D.W. Griffith filmar suas ações militares.
A condição, claro, era que o filme resultante o pintasse como a
grande esperança do México. A curiosa história verídica
desse encontro entre Hollywood e a revolução é o tema deste
filme muito bem produzido pela HBO e dirigido pelo veterano Bruce Beresford, de
Conduzindo Miss Daisy. No papel de Villa, o espanhol Antonio Banderas marca
um bom ponto em sua carreira.
DISCOS
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 |  | | Jill
Scott: consistência | |
Beautifully
Human: Words and Sound Volume 2, Jill Scott
(Sony Music) Dentre as várias cantoras de soul music que despontaram
no mercado no fim da década passada, Jill Scott é uma das poucas
a apresentar um trabalho de consistência. Ex-colaboradora do The Roots,
um dos grupos mais melódicos e politizados do cenário do hip hop
americano, Jill trabalha com vagar, e só lança discos quando tem
o que dizer. Beautifully Human chega quatro anos depois de sua estréia-solo
e traz canções para animar as pistas de dança e baladas para
celebrar o amor. Ouça
o disco.
Genius
Loves Company, Ray Charles (EMI) Este
disco de duetos é uma despedida digna para o cantor, morto em junho deste
ano. Ray Charles passou os últimos doze meses de sua vida gravando o álbum,
que traz a nata do jazz e da música pop mundial. Ainda que esteja longe
dos trabalhos mais significativos de sua carreira, Genius Loves Company
é importante por mostrar quanto Charles foi influente na popularização
de gêneros como jazz e soul music. Ele divide o microfone com vários
de seus pupilos, entre os quais as cantoras Norah Jones e Diana Krall e o artista
country Willie Nelson. O ponto alto é Heaven Help Us All, canção
de Stevie Wonder interpretada por Charles e pela diva negra Gladys Knight. Trata-se
de um gospel capaz de converter o mais descrente dos seres humanos.
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