Edição 1875 . 13 de outubro de 2004

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VEJA Recomenda

CINEMA

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A Voz do Coração: sentimental sem ser sentimentalóide


A Voz do Coração
(Les Choristes,
França/Suíça/Alemanha, 2004. Estréia nesta sexta-feira) – Ao assumir seu posto como supervisor de um internato, na França de 1949, o professor Clément depara com pequenos delinqüentes tratados como irrecuperáveis e com um diretor tirano, que submete tanto os meninos quanto seus funcionários a um regime de terror. Clément, um músico frustrado, tem então a idéia de formar um coral com a criançada, o que o leva à descoberta de um grande talento entre seus alunos. Sentimental sem ser sentimentalóide, e trágico sem ser romanesco, o filme trafega com competência por um cenário digno dos escritos do inglês Charles Dickens. O destaque, porém, é a atuação soberba de Gérard Jugnot como o tímido professor Clément.
Veja cenas.

 

LIVROS

 
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Gainsbourg: arte e um tantinho de ultraje  

Serge Gainsbourg: um Punhado de Gitanes, de Sylvie Simmons (tradução de Juliana Lemos; Editora Barracuda; 240 páginas; 36 reais) – Poeta, ator, cantor, cineasta e o que mais lhe desse na telha, o francês Serge Gainsbourg (1928-1991) tinha por hábito misturar sua arte com um tantinho de ultraje. É o caso do sucesso Je T'Aime, Moi Non Plus, gravado ao lado da ex-mulher Jane Birkin, em que os dois simulam sexo. Ele repetiria a dose anos mais tarde, quando compôs uma canção sobre incesto – e a cantou em dueto com a filha. A jornalista Sylvie Simmons traça um retrato saboroso do artista. Ela mostra sua origem humilde, sua timidez (que não o impediu de conquistar deusas como Brigitte Bardot) e a importância do cantor na criação do pop francês.

O Sapo e o Príncipe, de Paulo Markun (Objetiva; 374 páginas; 48,90 reais) – As biografias de Fernando Henrique Cardoso e de Luiz Inácio Lula da Silva não poderiam ser mais contrastantes. O primeiro é filho de uma família de classe média carioca na qual figuram generais e ministros. O segundo vem de uma família de retirantes nordestinos. Jornalista com vasta experiência na imprensa escrita e na televisão e atual apresentador do programa Roda Viva, da TV Cultura, Markun reconstitui a trajetória desses dois personagens até o momento em que FHC passa a Lula a faixa presidencial, em 2003. Entre outras revelações curiosas, o leitor fica sabendo que, já em 1989, o PT tinha o projeto de montar um comitê para controlar as atividades da imprensa. Leia trecho.

A Visão de Elena Silves, de Nicholas Shakespeare (tradução de Roberto Muggiati; Record; 352 páginas; 39,90 reais) – Filho de diplomatas, Nicholas Shakespeare viveu no Peru nos anos 80. Foi essa experiência direta da vida peruana que lhe permitiu esboçar um panorama do país sem os exotismos tropicais e sem a condescendência tão comuns entre estrangeiros que escrevem sobre a América Latina. O escritor inglês já foi elogiado até pelo peruano Mario Vargas Llosa. A Visão de Elena Silves narra o amor trágico entre um militante marxista e uma jovem católica que tem visões. Um dos personagens do romance é inspirado no terrorista Abimael Guzman, líder do Sendero Luminoso.

O Mapa que Mudou o Mundo, de Simon Winchester (tradução de Suyan Marcondes Osborn; Record; 416 páginas; 64,90 reais) – Filho de um ferreiro, William Smith (1769-1839) trabalhava na abertura de um canal quando reparou que a terra escavada se organizava em estratos diferenciados. Pelo estudo de fósseis, percebeu também que cada camada correspondia a eras geológicas distintas – uma descoberta fundamental para a geologia e a paleontologia modernas. O jornalista inglês Simon Winchester reconstitui em detalhes a impressionante aventura científica de Smith, que passou vinte anos viajando pela Inglaterra para elaborar, em 1851, o primeiro mapa subterrâneo completo do país. Narra também como ele foi esnobado pelos sábios ingleses e só alcançou o reconhecimento devido no fim da vida.

 

DVD

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Banderas como Villa: Hollywood encontra a revolução


E Estrelando Pancho Villa
(And Starring Pancho Villa as Himself,
Estados Unidos, 2003. Warner) – Em 1914, o revolucionário mexicano Pancho Villa teve uma idéia original para conquistar a simpatia dos americanos: em troca de uma soma em dinheiro e de 20% dos lucros na bilheteria, deixaria a Mutual Film Company – cuja estrela era o diretor D.W. Griffith – filmar suas ações militares. A condição, claro, era que o filme resultante o pintasse como a grande esperança do México. A curiosa história verídica desse encontro entre Hollywood e a revolução é o tema deste filme muito bem produzido pela HBO e dirigido pelo veterano Bruce Beresford, de Conduzindo Miss Daisy. No papel de Villa, o espanhol Antonio Banderas marca um bom ponto em sua carreira.

 

DISCOS

 
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Jill Scott: consistência  

Beautifully Human: Words and Sound Volume 2, Jill Scott (Sony Music) – Dentre as várias cantoras de soul music que despontaram no mercado no fim da década passada, Jill Scott é uma das poucas a apresentar um trabalho de consistência. Ex-colaboradora do The Roots, um dos grupos mais melódicos e politizados do cenário do hip hop americano, Jill trabalha com vagar, e só lança discos quando tem o que dizer. Beautifully Human chega quatro anos depois de sua estréia-solo e traz canções para animar as pistas de dança e baladas para celebrar o amor. Ouça o disco.

Genius Loves Company, Ray Charles (EMI) – Este disco de duetos é uma despedida digna para o cantor, morto em junho deste ano. Ray Charles passou os últimos doze meses de sua vida gravando o álbum, que traz a nata do jazz e da música pop mundial. Ainda que esteja longe dos trabalhos mais significativos de sua carreira, Genius Loves Company é importante por mostrar quanto Charles foi influente na popularização de gêneros como jazz e soul music. Ele divide o microfone com vários de seus pupilos, entre os quais as cantoras Norah Jones e Diana Krall e o artista country Willie Nelson. O ponto alto é Heaven Help Us All, canção de Stevie Wonder interpretada por Charles e pela diva negra Gladys Knight. Trata-se de um gospel capaz de converter o mais descrente dos seres humanos.

 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Fnac, Siciliano, Nobel; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano, Travessa; Porto Alegre: Saraiva, Siciliano, Livraria Porto Alegre, Cultura, Livrarias Porto; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano, Livrarias Catarinenses; Goiânia: Siciliano, Saraiva, Leitura; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva, Livrarias Curitiba; Londrina: Livrarias Porto; Belo Horizonte: Siciliano, Leitura; Maceió: Sodiler; Belém: Clio; Vitória: Leitura; internet: Cultura, Fnac, Laselva, Nobel, Saraiva, Sodiler, Submarino.
 
 
 
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