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Especial Infidelidade Eu
traio, tu trais, ela também Alguns
flagrantes do que estão fazendo as mulheres infiéis: têm
mais oportunidades de aventuras, nem sempre sentem culpa, procuram parceiros
em seu círculo de relacionamentos e, é claro, reclamam do
marido  Daniela
Pinheiro
Fotos
Edson Russo
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Anna se jogou debaixo de um trem, Emma tomou veneno, Luísa se consumiu.
Nalva perdeu o marido, foi expulsa da família e... bem, como a história
ainda está se desenvolvendo, é possível que se torne uma
das primeiras traidoras a não ter o destino tradicionalmente reservado
pela ficção, imitando a vida, às adúlteras, como se
dizia no passado: desonra, tragédia e morte (Anna é a Karenina de
Tolstoi, Emma a Madame Bovary de Flaubert, Luísa a que se enrabichou pelo
Primo Basílio de Eça). Já Nalva é a curvilínea
personagem da novela Senhora do Destino, que não agüenta mais
o marido pelos motivos de sempre ele é um chato; o cunhado, uma
tentação. A novidade está no que vem depois: ela quer voltar,
ele aceita. Dá até para ouvir os uivos de inconformismo masculino
diante das televisões Brasil afora, mas a subtrama da novela é um
indício de que a infidelidade feminina começa a ser encarada fora
dos cenários dramáticos habituais.
É possível dizer que as
mulheres estão traindo mais e de maneira mais corriqueira? Não se
pretende, aqui, nem tentar fazer tal afirmação. Mensurar o comportamento
sexual é um dos terrenos mais escorregadios das ciências estatísticas.
Em pesquisas sobre sexo em geral e infidelidade em particular, homens tendem a
exagerar suas performances e mulheres, a diminuí-las. Eles, para contar
vantagem. Elas, por pudor em abrir a intimidade. Segundo alguns estudos, cerca
de 40% das mulheres traem o número, reitere-se, tanto pode se aproximar
da realidade quanto ser um tiro na noite escura da alma feminina. Outros afirmam
que o índice se igualou ao dos homens: 50%, pela média mundial,
que certamente parece modesta em determinados rincões tropicais. Se é
arriscado dizer quanto, pode-se tentar saber como, por que e com quem as mulheres
andam traindo. Foi com esse objetivo que VEJA saiu a campo para auscultar o que
elas só revelam às melhores amigas depois de algumas tacinhas de
chardonnay. A reportagem reuniu três grupos de dez mulheres, entre 20 e
60 anos, em três capitais do país: Rio de Janeiro, São Paulo
e Recife. Ali, protegidas pelo compromisso de anonimato, elas falaram e
muito. A
primeira pergunta por quê? é a mais fácil. Por
curiosidade, oportunidade ou solidão no casamento. Como? Em geral, de maneira
tentativa, sem grandes arroubos de paixão, para ver como é
ou seja, de modo mais parecido com o que fazem os homens. Do grupo de trinta mulheres
reunidas por VEJA, pelo menos metade já havia tido um caso paralelo durante
o relacionamento. Com quem? Geralmente, amigos, ex-namorados, personal trainers
(as lendas de academia não são tão fictícias assim)
e até com os médicos dos quais são pacientes. Das trinta,
três já haviam vivido um romance com seus ginecologistas. Dentista
e pediatra do filho também fazem parte do rol de parceiros citados. Embaladas
pelas confissões das outras mulheres, elas revelaram aspectos da infidelidade
feminina que contrariam convicções enraizadas. Por exemplo: no grupo
reunido por VEJA, composto de mulheres de classe média alta, poucas afirmaram
sentir algum remorso (ao contrário do que dizem pesquisas
como a do quadro abaixo). Também disseram que sexo de qualidade com
o marido é uma das chaves da fidelidade. A maioria garantiu que, se tudo
vai bem na cama, a possibilidade de cobiçar o marido da próxima
diminui drasticamente. "Para a mulher, o sexo quer dizer várias coisas:
que ela ainda é amada, desejada, respeitada pelo marido. O homem tem uma
visão diferente disso", afirma o sexólogo e ginecologista carioca
Amaury Mendes Júnior, que conduziu uma pesquisa com 400 mulheres em seu
consultório. Ele constatou que, em 70% dos casos em que a mulher foi infiel,
havia uma queixa sobre a vida sexual com o marido.  |
As
oportunidades são criadas por um cotidiano feminino sem paralelos na história
da humanidade. Ter relacionamentos extraconjugais ficou mais fácil em razão
das mudanças estruturais na rotina das mulheres libertadas das amarras
do lar. Incluem-se aí fatores como a convivência com mais homens
no ambiente de trabalho, o anonimato dos namoros na internet ou a simples atribulação
da vida profissional, com ausências que não despertam desconfianças,
como as viagens de trabalho. "É isso que pesou realmente. A mulher não
participava desse tal universo sensual, que é o ambiente de trabalho, os
congressos, onde todo mundo está, de certa maneira, disponível",
afirma o psiquiatra paulista Moacir Costa, que lança no próximo
mês o livro Mulher: a Conquista da Liberdade e do Prazer.
Essas mudanças são detectadas nos consultórios terapêuticos.
A traição, que era confessada por mulheres aos prantos, arrasadas
pelo remorso, hoje é um tema que tende a ser tratado de forma mais racional.
Em geral, a maioria das pacientes até prevê a infidelidade antes
que ela efetivamente se realize. As reclamações de que o casamento
está tedioso e o marido indiferente precedem o caso em si. "Hoje, algumas
chegam aqui e já acham que trair é a conseqüência óbvia
da chatice da vida a dois. Isso era impensável alguns anos atrás",
diz Costa. O fato de que o casamento também perdeu o peso de instituição
mandatória, abrindo espaço para a livre escolha, é outro
elemento que influencia as experimentações femininas, segundo as
constatações do psiquiatra. "Mesmo depois do casamento, elas alimentam
a dúvida de saber se fizeram a coisa certa ou não", relata ele.
"Às vezes, a traição ocorre para corroborar a escolha do
marido. Do tipo: 'Vou experimentar outro homem para ver se o meu marido é
realmente o que eu quero na cama'. É sem dúvida um tipo de comportamento
novo."
A preocupação obsessão, diriam muitos com a
fidelidade feminina foi consolidada ao longo de milênios por motivos culturais,
antropológicos e biológicos que são quase auto-explicativos.
Nas sociedades patriarcais, esmagadoramente majoritárias, a perpetuação
da tribo se dá através da linhagem masculina. Admitir a diversidade
sexual da mulher ameaçaria os fundamentos do tecido social e, principalmente,
traria dúvida sobre a transmissão do patrimônio genético
do macho. Em razão desse imperativo supremo, existe um ramo da ciência
que procura analisar o comportamento humano à luz das características
adquiridas para a preservação da espécie. Segundo essa teoria,
o macho humano, como a maioria de seus equivalentes animais, é intrinsecamente
promíscuo, pois vive premido pela necessidade de disseminar seus espermatozóides;
enquanto a fêmea, que sempre terá a certeza absoluta sobre a transmissão
de seus genes, tem como prioridade criar a prole em condições máximas
de segurança, o que exige pelo menos alguma estabilidade conjugal. Especula-se
até que o único animal monogâmico da natureza, segundo a teoria,
é o cisne. Ou seja: se quiser fidelidade, case-se com um.
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Como
tudo, nesse campo, é possível defender teorias completamente antagônicas.
"A concepção de que só os homens são poligâmicos
é o maior mito da sexualidade", sustenta a antropóloga Helen Fisher,
da Universidade Rutgers, nos Estados Unidos. Em seu livro Anatomia do Amor,
Helen estudou o comportamento sexual de homens e mulheres em 62 sociedades ao
redor do planeta e concluiu que o adultério em todas as partes é
tão comum quanto o casamento. É claro que muitas mulheres (e homens
também) optam por ser fiéis. Mas isso é uma escolha, ou uma
necessidade social, não uma imposição biológica.
Por mais conflitantes que sejam os argumentos da eterna briga entre biologia e
cultura, o senso comum prevalece em algumas constatações. A mais
óbvia: os homens traem por sexo. Já no complexo continente da psique
feminina, os motivos se multiplicam. Mas é fato que a mesma mornidão
conjugal que leva os maridos a buscar a variedade corrói nas mulheres um
dos mais poderosos motores da sexualidade feminina (e, por conseqüência,
da auto-estima): o sentir-se intensamente desejada. "Meu marido parou de notar
que eu cortava o cabelo, que estava de lingerie nova. Ele não perguntava
nada da minha vida, do meu dia. Passei a me sentir um lixo, totalmente desprezada.
Trair foi um escape para provar para mim mesma que eu não era tão
insignificante assim", disse uma médica carioca, de 35 anos, que traiu
o marido uma única vez. "Esse homem que conheci dizia que sonhava com o
cheiro do meu cabelo. Eu fiquei totalmente entregue", afirma.
Quer dizer que mulheres felizes no casamento não traem? "Isso não
tem nada a ver. Felicidade no casamento é um termo amplo. Pode-se ser feliz
em certos aspectos e em outros não", disse a VEJA Stephen B. Levine, psiquiatra
americano, especialista no assunto. Às vezes, a oportunidade, uma carência
momentânea, uma atração sexual forte bastam. Se o casal está
numa fase morna ou é mais centrado nos filhos, também fica mais
vulnerável. Todo mundo, homens e mulheres, está sujeito o tempo
todo a conhecer alguém interessante uma realidade que tanto pode
ser fonte de sofrimento quanto de maravilhas. "Tinha uma vida ótima, um
filho lindo, tudo ia bem. Mas comecei a me envolver profundamente com um cliente
da minha empresa. Por quê? Atração, só isso", conta
uma publicitária pernambucana, de 33 anos.
A ressaca moral, apontada pelos estudiosos, é recorrente. A maioria das
pessoas afirma que preferia que a infidelidade não ocorresse. Se há
filhos, o remorso pesa mais ainda. "Elas se sentem transgredindo, errando, trapaceando
o padrão social que lhes foi imposto. Mas isso só costuma acontecer
quando se está longe do amante. Na cama, ninguém fica se mordendo
de culpa", disse a VEJA Donna Bellafiore, psicóloga americana, autora do
livro Conversa Franca sobre a Traição: um Guia de Auto-Ajuda
para Casais. A distância entre a culpa e a vertigem, no entanto, como
sempre souberam os grandes conquistadores da história, é muito pequena.
"Dar o primeiro beijo é difícil, mas depois você vai indo
paulatinamente. Quando vê, já está andando de mãos
dadas no shopping", diz uma empresária paulista de 35 anos, que manteve
um caso por quatro anos.
Mãos dadas evidentemente simbolizam o vínculo emocional que a maioria
das mulheres procura, mesmo na aventura tanto que a infidelidade feminina
tem menos do sexo tipo oi-tchau, a noitada de farra e acabou, mais comum entre
os homens. Nos consultórios terapêuticos, constata-se que, muitas
vezes, as mulheres tendem a ser mais fiéis aos amantes do que aos maridos.
"Há uma transferência de expectativas. Aquele sujeito com quem ela
se casou e jurou amor virou um semi-sapo. Aí, ela transfere todas essas
expectativas juvenis para o novo cara que aparece, inclusive a fidelidade", comenta
Zoraida de Andrade Faria, que escreveu sua tese de doutorado sobre a atração
sexual. "Mulher se expõe menos. Não vai arriscar seu casamento por
uma noite de sexo com um estranho. O que ela busca no outro é o que ela
não acha mais no marido. É quase sempre carinho, atenção,
elogios. Sexo é um detalhe", diz Beth Hedva, psicóloga canadense,
autora de livros sobre o assunto.
Por esse motivo, as mulheres que traem quase sempre o fazem com pessoas conhecidas.
Uma pesquisa americana aponta que em 60% dos casos a traição ocorre
no ambiente de trabalho. É aquele colega com quem ela vai almoçar
todos os dias e com quem troca pequenas confidências por e-mail. Mais uma
vez: gente com quem ela já tenha certa intimidade. Ex-namorados, amigos
e até o personal trainer, por mais que isso soe como piada, também
são escolhas freqüentes. Uma publicitária paulista de 49 anos
que participou do debate de VEJA revelou que teve pelo menos cinco casos ao longo
do casamento de vinte anos. Sempre com conhecidos. Entre eles, colegas do escritório,
o pediatra dos filhos e o ginecologista. "Ocorreu uma atração física
forte. Mas, no caso do pediatra, eu também me sentia protegida pelo fato
de ele cuidar do meu filho. Eu era grata", conta.
A radical diferença entre os motivos que levam à traição
também faz com que a percepção que os homens têm sobre
a infidelidade feminina seja muito diferente da realidade. A psicóloga
americana Shirley Glass, considerada a "madrinha das pesquisas sobre infidelidade",
segundo o jornal The New York Times, fez uma pesquisa com dados curiosos
sobre a idéia masculina da infidelidade da esposa. De acordo com o estudo,
os homens geralmente não têm a mínima idéia de quando
a mulher está vivendo um romance fora do casamento, ao contrário
das mulheres, que, segundo constatou, estão certas em 90% das vezes em
que desconfiam. Shirley, que morreu no ano passado, defendia a tese de que a maioria
dos homens, se não nega as evidências, procura sinais óbvios
da traição. É um erro, porque, na verdade, os indícios
são quase sempre o contrário. Por exemplo: não passa pela
cabeça de grande parte deles que a mulher possa se interessar por um tipo
mais velho, careca e com uma barriguinha saliente. O marido, em geral, desconfia
do bonito, jovem e sarado. No entanto, se o sujeito da barriguinha apresentar
bom desempenho (emocional, ressalte-se, traduzindo-se em paparicações
e demonstrações de afeto), terá boas chances. Em alguns casos,
a perfídia feminina não é apenas paranóia dos machões.
"Depois de começar a trair meu marido, passei a tratá-lo como um
reizinho em casa. Ele não percebia nada, embora eu ficasse muito ausente
inventava cursos de cerâmica, mil viagens de trabalho, passava o
dia na internet, tinha dois endereços de e-mail que meu marido ignorava.
Eu sabia que ele jamais descobriria porque ficaria procurando contas de cartão
de crédito ou chamadas no celular, coisas que, obviamente, eu escondia",
conta uma advogada carioca de 41 anos, que manteve um caso extraconjugal por três
anos.
O fato de a infidelidade feminina parecer estar mais presente no mundo da realidade
começa a despertar entre os homens, em alguns casos, o mesmo tipo de reação
com que tantas mulheres já se debateram: o que fazer quando o cônjuge
vive uma aventura, mas nem pensa em desmanchar o casamento por causa disso
e o casamento vale, sim, ser salvo. Se o escândalo e a baixaria, seguidos
da conseqüente expulsão da adúltera, soam antiquados, o sofrimento
não tem nada de superado. "Descobrir que foi traído desestabiliza
o homem em sua característica mais íntima, a virilidade. Sua identidade
masculina é ferida. Isso é algo muito profundo. Já as mulheres
se sentem atingidas em seu papel social, em como vão ter de lidar com aquilo
socialmente, o que também é um pesadelo", afirma o psiquiatra paulista
Luiz Cuschnir. Em seu consultório, ele procura dar três conselhos
aos pacientes casados com mulheres que foram infiéis. O primeiro: a traição
foi algo que aconteceu "com ela"; em nada diz respeito a você e não
deve atingir a sua imagem. Outro: nada de pedir detalhes sobre o affair. Isso
só traz mais angústia. E mais: proteja-se das atitudes autodestrutivas
beber demais, ceder aos impulsos violentos, detonar o casamento. "Posso
garantir que o impacto do fim de um casamento sólido devido a uma traição
corriqueira tem um poder destrutivo dez vezes pior do que a traição
em si. Um caso não deve e não pode ter esse poder", diz Cuschnir.
Pode haver gente que ache que só Leandro, o bondoso marido da Nalva da
novela, seria capaz de tanto autocontrole. Acreditem: não é o único.  |  |
Sem ressaca moral
Oscar
Cabral
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"Nunca
tive nenhuma dificuldade em trair: sempre aconteceu quando as minhas relações
estavam desgastadas. Também não sinto nenhuma ressaca moral no dia
seguinte. Acho que o ser humano não é monogâmico. Isso significa
que posso perfeitamente perdoar uma traição também. O que
não admito é ser enganada e exposta pela outra pessoa. Sempre deixo
isso claro em meus relacionamentos. Ficou com outra? Me conte, eu entendo. Mas,
mentiu que não ficou, aí eu não perdôo. Fui noiva duas
vezes e tive vários relacionamentos estáveis, mas sempre acabava
me envolvendo com outros quando as relações não me completavam
mais. Meus ex nunca desconfiavam eu é que acabava revelando a traição.
Homem não tem idéia do que acontece. Agora, estou em um novo relacionamento.
E digo: não quero trair. A traição quase sempre sinaliza
que algo não está bem. Acredito que achei a pessoa certa." Paula
Barros, 33 anos, separada
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Vingança
em série
Oscar
Cabral
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"Eu traía meu
marido por vingança, para não me sentir por baixo. Ele aprontava
muito. Foi infiel desde os primeiros dias do casamento. Teve uma história
de anos com uma vizinha de prédio: eu, grávida, e ele se encontrando
com ela na escada. Aquilo me deixava descompensada. Um dia resolvi que, se ele
podia, eu também podia. Tive casos com um ex-namorado, com um colega dele
que conheci num vôo para Nova York , com quem me relacionei durante dez
anos, e com pessoas que eu conhecia casualmente. Eu me sentia culpadíssima,
mas, ao mesmo tempo, não podia deixar barato. Ele me traía? Então,
toma, também te traio. No meu segundo casamento, achei que tinha encontrado
o homem perfeito até o dia em que descobri que ele também
me traía. Fiquei sem chão. Se tivesse sabido antes, teria ficado
com outro, sim. Até contratava um homem para aparecer comigo na frente
dele. Um casamento não sobrevive a uma traição. Quem diz
isso mente. É impossível viver uma relação sem confiança
mútua." Marilanda
Pires Ferreira, 48 anos, divorciada | |
Profissão
perigo
Nélio
Rodrigues/1º Plano
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Luiz
Yuka não vê graça nenhuma em ser chamado de personal lover.
Ele, aliás, nem quer saber mais de envolvimento com alunas. Aqui ele conta
por que, em alguns casos, existe sim um fundo de verdade no fato de que no imaginário
de muita gente o personal trainer constitui hoje o "amante" por excelência.
"Quem é personal trainer,
como eu, tem de saber lidar com o assédio das mulheres, inclusive as casadas.
Algumas delas, mais carentes, se sentem abandonadas e desprezadas pelo marido
e passam a enxergar no treinador que é educado, dá atenção,
ouve o que elas dizem um porto seguro. Acho que elas se sentem atraídas
pelo físico, principalmente. Também estamos sempre bem-arrumados
e perfumados, porque ficamos muito expostos. Já me envolvi com alunas que
me contrataram para aulas particulares, mas não faço mais isso.
Aconteceu porque eu era novo e me animava com as histórias. Hoje digo:
estou fora. Ter um caso com uma mulher casada é um problema. De repente,
elas começam a achar que você é o marido: seguem você
pela rua, cobram explicações, telefonam várias vezes por
dia. Eu sou solteiro, não devo nada a ninguém e não gosto
de me sentir vigiado. Não quero mais esse tipo de relacionamento." Luiz
Yuka, 31 anos, solteiro | |
O pecado mora na internet
Depois de 25 anos estudando o comportamento de mulheres
que traíram o marido, a psicóloga canadense Beth Hedva concluiu,
sem surpresa, que a infidelidade resulta em geral da combinação
de oportunidade com vulnerabilidade emocional. Quatro situações
recorrentes: • A mulher se sente ignorada, desprezada
ou afastada da rotina do marido • Acha
que se anulou ao longo do casamento • Usa a internet
para visitar salas de bate-papo e trocar mensagens. Estudos mostram que 40% dos
usuários contumazes conversam em linguagem explícita e desinibida,
o que acelera a intimidade. Em 14% dos casos, a relação passa de
virtual a real • Tem contato estreito com um colega
de trabalho que é abertamente interessado nela, mostra-se compreensivo,
não economiza elogios e ri de suas histórias mais do
que seu marido Fonte: Betrayal, Trust
and Forgiveness, de Beth Hedva | | |