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Carta ao leitor
Confissões femininas
Marco Antonio Rezende
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| Daniela e as entrevistadas: respostas surpreendentes
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Saber o que as mulheres fazem quando eles não
estão por perto é um assunto que tem intrigado os
homens há algumas dezenas de milênios. Por "fazem"
naturalmente entenda-se algum tipo de transgressão à
infindável teia de regras tecidas para garantir a fidelidade
feminina como se pudesse haver certezas absolutas nesse campo.
A monumental mudança no papel da mulher na sociedade ocidental
a partir de meados do século passado introduziu transformações
comportamentais que ainda estão sendo assimiladas, mas não
mudou o impulso de levantar o véu do desejo feminino em suas
múltiplas manifestações. Durante quatro semanas
a jornalista Daniela Pinheiro reuniu-se com grupos de mulheres em
três capitais do país São Paulo, Rio
de Janeiro e Recife. Discutiu com elas, em conversas francas protegidas
pela garantia de anonimato, quem trai (cerca de metade das entrevistadas),
como, por que e com quem. A brasiliense Daniela, casada, 31 anos,
também consultou dezenas de estudos recentes sobre o tema
consciente de que pesquisas sobre comportamento sexual são
um campo fértil para a ocultação da realidade.
Foi, portanto, mais das conversas do que dos estudos científicos
que emergiram informações diferentes do que reza o
senso comum. Sexo extraconjugal traz culpa? Nas pesquisas, 90% das
mulheres dizem que sim. Nas conversas, a carga é bem menos
pesada. As mulheres assimilaram comportamentos masculinos e saem
à caça? Não, o parceiro da infidelidade é
quase sempre um conhecido.
Nos últimos anos, VEJA publicou dezenas
de capas sobre o que se passa na vida privada dos casais. Sexo,
ciúme, traição são temas de interesse
permanente que merecem ser revisitados. Quando pensamos nesses assuntos,
instintivamente reavaliamos nossos próprios comportamentos.
Expostos às experiências alheias, também podemos
entender melhor a incrível diversidade da alma humana. Não
se pretende, aqui, de maneira alguma, sustentar a tese de que o
casamento é uma carga pesada demais para ser carregada por
apenas duas pessoas apenas que é humano escorregar
ao longo da viagem.
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