Edição 1875 . 13 de outubro de 2004

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Carta ao leitor
Confissões femininas


Marco Antonio Rezende
Daniela e as entrevistadas: respostas surpreendentes

Saber o que as mulheres fazem quando eles não estão por perto é um assunto que tem intrigado os homens há algumas dezenas de milênios. Por "fazem" naturalmente entenda-se algum tipo de transgressão à infindável teia de regras tecidas para garantir a fidelidade feminina – como se pudesse haver certezas absolutas nesse campo. A monumental mudança no papel da mulher na sociedade ocidental a partir de meados do século passado introduziu transformações comportamentais que ainda estão sendo assimiladas, mas não mudou o impulso de levantar o véu do desejo feminino em suas múltiplas manifestações. Durante quatro semanas a jornalista Daniela Pinheiro reuniu-se com grupos de mulheres em três capitais do país – São Paulo, Rio de Janeiro e Recife. Discutiu com elas, em conversas francas protegidas pela garantia de anonimato, quem trai (cerca de metade das entrevistadas), como, por que e com quem. A brasiliense Daniela, casada, 31 anos, também consultou dezenas de estudos recentes sobre o tema – consciente de que pesquisas sobre comportamento sexual são um campo fértil para a ocultação da realidade. Foi, portanto, mais das conversas do que dos estudos científicos que emergiram informações diferentes do que reza o senso comum. Sexo extraconjugal traz culpa? Nas pesquisas, 90% das mulheres dizem que sim. Nas conversas, a carga é bem menos pesada. As mulheres assimilaram comportamentos masculinos e saem à caça? Não, o parceiro da infidelidade é quase sempre um conhecido.

Nos últimos anos, VEJA publicou dezenas de capas sobre o que se passa na vida privada dos casais. Sexo, ciúme, traição são temas de interesse permanente que merecem ser revisitados. Quando pensamos nesses assuntos, instintivamente reavaliamos nossos próprios comportamentos. Expostos às experiências alheias, também podemos entender melhor a incrível diversidade da alma humana. Não se pretende, aqui, de maneira alguma, sustentar a tese de que o casamento é uma carga pesada demais para ser carregada por apenas duas pessoas – apenas que é humano escorregar ao longo da viagem.

 
 
 
 
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