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Radar
Lauro Jardim (ljardim@abril.com.br)
GOVERNO
Cabo-de-guerra na Petrobras
Há em curso nos bastidores do
poder um cabo-de-guerra entre a ministra Dilma Rousseff e o grupo
sindicalista que está no comando da Petrobras. Além
de presidir o conselho de administração da estatal,
Dilma já dá as cartas em duas subsidiárias
na BR Distribuidora e na Petroquisa. Os dois lados querem
aumentar seu poder de fogo em 2007, no provável segundo mandato
de Lula. É uma briga de pesos-pesados. José Sergio
Gabrielli, presidente da Petrobras, e Dilma têm enorme prestígio
junto a Lula. Gabrielli faz, inclusive, discreta campanha (embora
publicamente jure o contrário) para ser o substituto de Guido
Mantega na Fazenda em 2007.
ELEIÇÕES
2006
Programa da carochinha
O programa de governo anunciado por Lula
na semana retrasada é para inglês ver. As idéias
apresentadas não batem com o ideário do presidente.
Faltou também diálogo com os setores que o apóiam.
Por considerá-lo inadequado e pouco fiel a sua visão
de governo, Lula não defendeu o programa dos ataques sofridos.
Preferiu, sabiamente, calar-se. Alguns graúdos do Palácio
do Planalto viram no programa, coordenado pelo assessor Marco Aurélio
Garcia, uma tentativa temerária de enquadrar o presidente.
Como ele se vê
O marketing da campanha de Antonio Palocci
para voltar à Câmara dos Deputados inclui links patrocinados
no Google. Clique na palavra "crescimento" ou "risco Brasil" e aparecerá
o link para o site da campanha de Palocci. É assim que o
ex-ministro, acusado de quebrar e vazar o sigilo bancário
de um caseiro, quer ser lembrado. Resta saber o que acham os eleitores.
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Os mais votados são...
Fotos Cida Souza, J. F.
Diorio/AE, Dida Sampaio/AE e Ana Araujo
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| Clodovil, Maluf, Gabeira e Ciro:
uma Câmara para lá de eclética |
E a Câmara dos Deputados? Será
que sai da lama na próxima legislatura? Os nomes
dos 513 deputados eleitos só serão conhecidos
em três semanas. Mas, se as eleições
fossem hoje, o campeão de votos no Brasil seria
nada menos que Paulo Maluf (candidato pelo PP de São
Paulo), segundo uma pesquisa feita pelo Ibope em todo
o país na semana passada. Ainda em São
Paulo, o costureiro Clodovil desponta como um dos dez
mais citados no mesmo levantamento. Nada muito animador.
Em compensação, grandes estrelas dos escândalos
petistas, como João Paulo Cunha, José
Mentor, José Genoino e Professor Luizinho (aliás,
professor de quê?), aparecem muito mal nessas
prévias. Antonio Palocci é uma exceção.
No Rio de Janeiro, Fernando Gabeira, um dos raros heróis
desta legislatura, que se elegeu raspando em 2002, aparece
entre os dez mais citados. No Ceará, Ciro Gomes
poderá ter oito vezes mais votos que o segundo
colocado.
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CONGRESSO
Amigos, mas nem tanto...
O PMDB governista (José Sarney
e Renan Calheiros à frente da esquadra) está capitaneando
um movimento para a manutenção do voto secreto no
Congresso. Está preocupado, sobretudo, com a eleição
dos presidentes da Câmara e do Senado em 2007. Não
quer ficar refém do governo nessa disputa.
MENSALÃO
Relações indestrutíveis
De um petista graduado sobre como anda
a relação de Lula com o sumido Delúbio "Mensalão"
Soares: a amizade continua indestrutível. Não há
jeito de um falar mal do outro.
ECONOMIA
O dono da bola 1
A contratação do novo número
1 do Ponto Frio está nas mãos de Michel Eliah, genro
e representante da controladora da empresa, a bilionária
Lily Safra. Foi dele a decisão de, na semana passada, tirar
Roberto Britto da presidência da empresa. Para o seu lugar,
Eliah procura alguém "bastante agressivo na área comercial".
Agora que as Casas Bahia anunciam uma reestruturação
(com a demissão de 2.000 funcionários e o fechamento
de lojas), ele acha que é o momento ideal para crescer.
O dono da bola 2
O discretíssimo Eliah, que vive
entre o Rio de Janeiro (menos) e a Suíça (mais), é
mais do que um presidente de conselho de administração:
ele escolheu os novos diretores do Ponto Frio, que assumiram há
um mês, e apita até nas campanhas de publicidade da
rede.
À venda
A Goldman Sachs foi contratada e já
está vendendo a carioca ASB, a maior franquia de financeiras
focadas em crédito pessoal, com 153 lojas em 22 estados.
O mercado estima que será um negócio de uns 700 milhões
de reais, disputado por grandes bancos, como o Bradesco, o Itaú
e o Unibanco, e outras financeiras.
Dirceu, o consultor
José Dirceu, duas semanas atrás,
desembarcou outra vez na Bolívia. Esteve com autoridades
bolivianas em defesa dos interesses do empresário Eike Batista.
FORÇAS ARMADAS
Cada um por si
Para os três comandantes militares,
o ministro da Defesa, Waldir Pires, ainda não disse a que
veio. Não tem liderança, não coordena. Em compensação,
não amola. Na prática, os comandantes do Exército,
da Marinha e da Aeronáutica agem como se não existisse
ministro da Defesa.
ESPORTE
Tudo de novo
A Rede Globo não quer liderar,
mas a família Marinho já decidiu apoiar a campanha
pela realização das Olimpíadas de 2016 no Rio
de Janeiro.
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Ele ainda roga: "Não me deixem
só"
Valter Capanato/ABR
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| Collor: fora a cor do cabelo,
o resto pouco mudou |
Fernando Collor continua o mesmo ou quase. Além
da cor do cabelo, algumas mudanças são
perceptíveis na campanha que o ex-presidente
está fazendo para eleger-se senador por Alagoas.
Sua propaganda de TV é tosca. Collor apresenta-se
lendo mecanicamente o texto preparado para ele. Na despedida,
de modo caricatural, manda a frase "Não me deixem
só" (confira em www.youtube.com). Nada que lembre
a rica campanha do Collor de 1989. Para alguns especialistas,
tudo isso é proposital: seria uma tentativa de
passar uma imagem menos arrogante. Na campanha de rua,
aí, sim, o Collor do passado ressuscita
incluindo os discursos com o punho cerrado. Nas caminhadas
que faz na periferia de Maceió, onde beija mulheres
e crianças em ritmo frenético, tem sido
bem recebido. Os institutos de pesquisa lhe dão
hoje o segundo lugar na disputa.
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Colaborou Ronaldo França
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