'
 


       

 
Edição 1973 . 13 de setembro de 2006

Índice
Millôr
Claudio de Moura Castro
Diogo Mainardi
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Datas
Gente
Auto-retrato
Veja.com
Veja essa
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Radar

Lauro Jardim (ljardim@abril.com.br)

 

• GOVERNO

Cabo-de-guerra na Petrobras
Há em curso nos bastidores do poder um cabo-de-guerra entre a ministra Dilma Rousseff e o grupo sindicalista que está no comando da Petrobras. Além de presidir o conselho de administração da estatal, Dilma já dá as cartas em duas subsidiárias – na BR Distribuidora e na Petroquisa. Os dois lados querem aumentar seu poder de fogo em 2007, no provável segundo mandato de Lula. É uma briga de pesos-pesados. José Sergio Gabrielli, presidente da Petrobras, e Dilma têm enorme prestígio junto a Lula. Gabrielli faz, inclusive, discreta campanha (embora publicamente jure o contrário) para ser o substituto de Guido Mantega na Fazenda em 2007.

 

• ELEIÇÕES 2006

Programa da carochinha
O programa de governo anunciado por Lula na semana retrasada é para inglês ver. As idéias apresentadas não batem com o ideário do presidente. Faltou também diálogo com os setores que o apóiam. Por considerá-lo inadequado e pouco fiel a sua visão de governo, Lula não defendeu o programa dos ataques sofridos. Preferiu, sabiamente, calar-se. Alguns graúdos do Palácio do Planalto viram no programa, coordenado pelo assessor Marco Aurélio Garcia, uma tentativa temerária de enquadrar o presidente.

Como ele se vê
O marketing da campanha de Antonio Palocci para voltar à Câmara dos Deputados inclui links patrocinados no Google. Clique na palavra "crescimento" ou "risco Brasil" e aparecerá o link para o site da campanha de Palocci. É assim que o ex-ministro, acusado de quebrar e vazar o sigilo bancário de um caseiro, quer ser lembrado. Resta saber o que acham os eleitores.

 

Os mais votados são...


Fotos Cida Souza, J. F. Diorio/AE, Dida Sampaio/AE e Ana Araujo
Clodovil, Maluf, Gabeira e Ciro: uma Câmara para lá de eclética

E a Câmara dos Deputados? Será que sai da lama na próxima legislatura? Os nomes dos 513 deputados eleitos só serão conhecidos em três semanas. Mas, se as eleições fossem hoje, o campeão de votos no Brasil seria nada menos que Paulo Maluf (candidato pelo PP de São Paulo), segundo uma pesquisa feita pelo Ibope em todo o país na semana passada. Ainda em São Paulo, o costureiro Clodovil desponta como um dos dez mais citados no mesmo levantamento. Nada muito animador. Em compensação, grandes estrelas dos escândalos petistas, como João Paulo Cunha, José Mentor, José Genoino e Professor Luizinho (aliás, professor de quê?), aparecem muito mal nessas prévias. Antonio Palocci é uma exceção. No Rio de Janeiro, Fernando Gabeira, um dos raros heróis desta legislatura, que se elegeu raspando em 2002, aparece entre os dez mais citados. No Ceará, Ciro Gomes poderá ter oito vezes mais votos que o segundo colocado.

 

• CONGRESSO

Amigos, mas nem tanto...
O PMDB governista (José Sarney e Renan Calheiros à frente da esquadra) está capitaneando um movimento para a manutenção do voto secreto no Congresso. Está preocupado, sobretudo, com a eleição dos presidentes da Câmara e do Senado em 2007. Não quer ficar refém do governo nessa disputa.

 

• MENSALÃO

Relações indestrutíveis
De um petista graduado sobre como anda a relação de Lula com o sumido Delúbio "Mensalão" Soares: a amizade continua indestrutível. Não há jeito de um falar mal do outro.

 

• ECONOMIA

O dono da bola 1
A contratação do novo número 1 do Ponto Frio está nas mãos de Michel Eliah, genro e representante da controladora da empresa, a bilionária Lily Safra. Foi dele a decisão de, na semana passada, tirar Roberto Britto da presidência da empresa. Para o seu lugar, Eliah procura alguém "bastante agressivo na área comercial". Agora que as Casas Bahia anunciam uma reestruturação (com a demissão de 2.000 funcionários e o fechamento de lojas), ele acha que é o momento ideal para crescer.

O dono da bola 2
O discretíssimo Eliah, que vive entre o Rio de Janeiro (menos) e a Suíça (mais), é mais do que um presidente de conselho de administração: ele escolheu os novos diretores do Ponto Frio, que assumiram há um mês, e apita até nas campanhas de publicidade da rede.

À venda
A Goldman Sachs foi contratada e já está vendendo a carioca ASB, a maior franquia de financeiras focadas em crédito pessoal, com 153 lojas em 22 estados. O mercado estima que será um negócio de uns 700 milhões de reais, disputado por grandes bancos, como o Bradesco, o Itaú e o Unibanco, e outras financeiras.

Dirceu, o consultor
José Dirceu, duas semanas atrás, desembarcou outra vez na Bolívia. Esteve com autoridades bolivianas em defesa dos interesses do empresário Eike Batista.

 

• FORÇAS ARMADAS

Cada um por si
Para os três comandantes militares, o ministro da Defesa, Waldir Pires, ainda não disse a que veio. Não tem liderança, não coordena. Em compensação, não amola. Na prática, os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica agem como se não existisse ministro da Defesa.

 

• ESPORTE

Tudo de novo
A Rede Globo não quer liderar, mas a família Marinho já decidiu apoiar a campanha pela realização das Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro.

 

Ele ainda roga: "Não me deixem só"


Valter Capanato/ABR
Collor: fora a cor do cabelo, o resto pouco mudou


Fernando Collor continua o mesmo – ou quase. Além da cor do cabelo, algumas mudanças são perceptíveis na campanha que o ex-presidente está fazendo para eleger-se senador por Alagoas. Sua propaganda de TV é tosca. Collor apresenta-se lendo mecanicamente o texto preparado para ele. Na despedida, de modo caricatural, manda a frase "Não me deixem só" (confira em www.youtube.com). Nada que lembre a rica campanha do Collor de 1989. Para alguns especialistas, tudo isso é proposital: seria uma tentativa de passar uma imagem menos arrogante. Na campanha de rua, aí, sim, o Collor do passado ressuscita – incluindo os discursos com o punho cerrado. Nas caminhadas que faz na periferia de Maceió, onde beija mulheres e crianças em ritmo frenético, tem sido bem recebido. Os institutos de pesquisa lhe dão hoje o segundo lugar na disputa.

Colaborou Ronaldo França

 



 
 
 
topo voltar