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Especial A
mentira com efeitos especiais Filme caseiro,
sucesso na internet, espalha teorias conspiratórias sobre o 11
de Setembro  Duda
Teixeira
Os sites de vídeo
deram força a um fenômeno cultural peculiarmente americano: a propagação
de teorias conspiratórias em especial sobre os atentados terroristas
de 11 de setembro de 2001. O principal responsável pela divulgação
dessas teses é o filme Loose Change (em tradução literal,
Dinheiro Trocado), produzido com apenas 2.000 dólares por três jovens
americanos de Nova York. Não fossem o YouTube e o Google Video, o pseudodocumentário
nunca teria tido repercussão. O filme, que teve uma tiragem de apenas 1.000
cópias caseiras em DVD, chegou em maio passado ao primeiro lugar entre
os mais vistos no Google Video. Em Loose Change, efeitos especiais marcados
pelo ritmo de hip hop ajudam a defender a tese de que as Torres Gêmeas de
Nova York foram implodidas, com a conivência do governo americano, e que
o Pentágono foi atingido por um míssil, não por um avião.
Na versão de Dylan Avery, Korey Rowe e Jason Bermas, os autores do filme,
tudo não passou de uma armação para que o presidente George
W. Bush pudesse fazer guerras no Oriente Médio e grampear ligações
telefônicas. "Seria absolutamente impossível para um punhado de terroristas
árabes, sem a ajuda do nosso governo, fazer tanto estrago", disse Bermas
a VEJA. Por mais absurdas que pareçam
essas teorias, uma pesquisa de opinião feita em agosto concluiu que 36%
dos americanos acreditam na hipótese de o governo estar envolvido nos atentados.
Na internet, além do sucesso de Loose Change nos sites de vídeo,
há páginas dedicadas a coletar dados que contestam a versão
oficial dos atentados, além de fóruns de discussão e diários
virtuais sobre o assunto. A boataria levou o Instituto Nacional de Padrões
e Tecnologia, órgão do Departamento de Comércio americano,
a publicar em seu site, no mês passado, uma lista de perguntas e respostas
desmistificando as teorias conspiratórias. Quando se compara a metodologia
oficial com a utilizada em Loose Change, fica fácil saber qual merece
credibilidade. O texto do instituto é um resumo de um relatório
publicado em 2005. Por três anos, 200 técnicos analisaram 300 horas
de vídeos, 7.000 fotografias e 236 peças de aço retiradas
dos escombros do World Trade Center. Já o documentário produzido
pelos três jovens, financiado com bicos em restaurantes e a venda de sorvetes,
baseia-se em suposições sem precisão técnica e nas
informações desencontradas dadas por jornalistas durante a cobertura
dos ataques. Até a Wikipedia, uma enciclopédia on-line que pode
ser modificada por qualquer pessoa, é citada como fonte.
Nos Estados Unidos, cada geração tem sua teoria conspiratória.
A mais popular foi a tese de que o assassinato do presidente John F. Kennedy,
na década de 60, não foi obra apenas de uma pessoa. A prisão
de Lee Harvey Oswald, autor dos tiros que mataram o presidente, não foi
suficiente para acalmar a crença de que havia um segundo atirador. Em 1991,
o cineasta Oliver Stone lançou o filme JFK, insinuando que o FBI
e a CIA estavam envolvidos no assassinato. Sete anos depois, uma comissão
do Congresso americano concluiu, após estudar 60.000 documentos, que não
havia nenhum indício de um segundo atirador, tampouco de uma megaconspiração.
A tendência em se deixar atrair por conspirações encontra
explicação no funcionamento da mente humana. "Trata-se de uma reação
de defesa do cérebro, que cria memórias falsas para permitir às
pessoas que se sintam melhor, alheias à realidade nua e crua", diz o neurocientista
Ivan Izquierdo, da PUC do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre. Como aceitar que
a nação mais poderosa do mundo seja vulnerável a uma agressão
em seu próprio território? "Estão nos escondendo algo", pensam
os teóricos da conspiração. Carmen
Taylor/AP
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CHEIO Na foto, o segundo avião pouco antes de
chocar-se contra a Torre Sul do World Trade Center. No quadro, o gráfico mostra
o buraco provocado pelo avião na estrutura de aço do edifício |
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