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Diogo
Mainardi
Podem atirar. Ui! Ai!
"Já estou me preparando para o
pior. Os
lulistas querem comprar a imprensa. É o
método deles. Compram tudo. Quem não
quiser o dinheiro deles terá de se arranjar"
Eu não era o Oráculo
de Ipanema? Como pude errar tanto assim? Em novembro de 2004, vaticinei
que Geraldo Alckmin seria eleito presidente no lugar de Lula. Cito-me:
Lula vai perder em 2006 porque
o PT será identificado como o partido que desvia verbas para
financiar campanhas eleitorais. Que persegue a imprensa. Que segue
a tradição coronelista de distribuir esmolas em troca
de votos. Que compra o apoio de outros partidos com malas cheias
de dinheiro. Que se alia desavergonhadamente a políticos
que sempre combateu. Que dá carta branca a seu tesoureiro
em reuniões ministeriais. Que protege os amigos do presidente.
Repito: novembro de 2004. Muito
antes do mensalão. Muito antes de Roberto Jefferson. Na ocasião,
ninguém acreditou em minha profecia. O que se sabe agora
é que não era mesmo para acreditar. Lula está
lá na frente. Geraldo Alckmin está lá atrás.
O Oráculo de Ipanema revelou-se uma fraude. Mais um charlatão
tentando se aproveitar da credulidade popular. No ano passado, quando
Lula parecia morto, cobri-me de glória. Os devotos vinham
depositar oferendas na porta de casa. O tempo passou e o falso profeta
foi desmascarado. Chegou a hora das pedradas. Podem atirar. Eu fico
parado. Ui! Ai!
O segundo mandato de Lula será
uma chatice. Já estou me preparando para o pior. Os lulistas
querem comprar a imprensa. É o método deles. Compram
tudo. Compram jornalistas, compram deputados, compram nordestinos
pobres. Quem não quiser o dinheiro deles terá de se
arranjar. No caso da imprensa, o ataque será indireto, por
meio dos tribunais. Nesse ponto, sou uma espécie de cobaia
dos lulistas. Nos últimos anos, eles apresentaram um monte
de denúncias contra mim. Perdi a conta de quantas elas são.
Mais de 100. A mais extravagante de todas é a dos acreanos.
Meses atrás, no Manhattan Connection, comentando a
frase de Evo Morales de que a Bolívia havia cedido o Acre
em troca de um cavalo, respondi ironicamente que aceitaria o cavalo
de volta. Uma deputada federal do PCdoB, Perpétua Almeida,
mandou os funcionários de seu gabinete recolher assinaturas
de acreanos dispostos a me processar. Oitenta e tantos apareceram.
O resultado é que tenho oitenta e tantos processos individuais
num tribunal do Acre. É como se os moradores de Pelotas processassem
Lula por seu comentário ofensivo sobre a cidade. Processem-no,
pelotenses.
Muita gente me considera a versão
barata de Paulo Francis. Ele enfrentou um processo de 100 milhões
de dólares da Petrobras. Eu enfrento processos de 7 000 reais
de oitenta e tantos acreanos. Perpétua Almeida é minha
Petrobras. Dei uma olhada nos projetos de lei de sua autoria. Um
deles obriga todos os órgãos federais a comprar e
a expor obras de artistas nacionais. Outro estende a Voz do Brasil
para a televisão. Eu sou a versão barata de Paulo
Francis. O lulismo é a versão barata do que a gente
queria para o país.
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