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Edição 1973 . 13 de setembro de 2006

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Claudio de Moura Castro
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Carta ao leitor
O poder do indivíduo


Abertura da reportagem sobre como se formam o caráter e a personalidade

Uma das questões mais relevantes da vida em sociedade, o sistema político e eleitoral, é, paradoxalmente, a que menos interesse desperta. O assunto é maçante mesmo. Mas mesmo assim ele precisa ser confrontado jornalisticamente. O desafio de tornar o tema atraente caiu no colo de Thaís Oyama, editora de Política de VEJA. O embate de Thaís com a aridez da questão resultou na reportagem que começa na página 42. Ali se demonstra graficamente como as eleições deste ano deverão relegar ao desaparecimento um punhado de partidos pequenos que não conseguirão atingir um número mínimo de deputados federais eleitos e serão degolados pela cláusula de barreira.

A reportagem retrata também a louca aritmética do voto proporcional, que elege um candidato A mesmo que ele tenha recebido dos eleitores uma fração dos votos dados a um derrotado candidato B. Fica claro na leitura da reportagem que muitos aperfeiçoamentos ainda precisam ser feitos no atual sistema. Fica cristalino também que reformas eleitorais só são viáveis quando suas modificações entram em vigor muitos anos depois de aprovadas. É o caso das regras que vão presidir as próximas eleições. Elas foram feitas em 1995. A razão é simples. Quem faz as reformas são os congressistas, e eles preferem não arriscar a própria cabeça em um jogo de regras novas. Preferem deixar o desafio para a posteridade.

Um bom sistema eleitoral, no entanto, tem de ser muito mais do que a soma de espertezas e tecnicalidades. Ele é tanto melhor quanto com maior clareza representa a vontade de cada indivíduo. As reformas devem buscar sempre esse objetivo: dar ao voto o poder que ele precisa ter e ao cidadão a responsabilidade individual por sua escolha. Outra reportagem da presente edição de VEJA reflete sobre a força das decisões individuais. Ela relata como a interação entre a herança genética e o ambiente apenas ajuda a moldar o caráter e a personalidade das pessoas. Sobra um enorme espaço para o esforço e as escolhas de cada um. Eis mais uma razão pela qual nenhum sistema eleitoral dispensa a responsabilidade de quem vota nem independe do caráter de quem é eleito.

 
 
 
 
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