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Carta ao leitor
O poder do indivíduo
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| Abertura da reportagem sobre como se formam
o caráter e a personalidade |
Uma das questões mais relevantes
da vida em sociedade, o sistema político e eleitoral, é,
paradoxalmente, a que menos interesse desperta. O assunto é
maçante mesmo. Mas mesmo assim ele precisa ser confrontado
jornalisticamente. O desafio de tornar o tema atraente caiu no colo
de Thaís Oyama, editora de Política de VEJA. O embate
de Thaís com a aridez da questão resultou na reportagem
que começa na página
42. Ali se demonstra graficamente como as eleições
deste ano deverão relegar ao desaparecimento um punhado de
partidos pequenos que não conseguirão atingir um número
mínimo de deputados federais eleitos e serão degolados
pela cláusula de barreira.
A reportagem retrata também
a louca aritmética do voto proporcional, que elege um candidato
A mesmo que ele tenha recebido dos eleitores uma fração
dos votos dados a um derrotado candidato B. Fica claro na leitura
da reportagem que muitos aperfeiçoamentos ainda precisam
ser feitos no atual sistema. Fica cristalino também que reformas
eleitorais só são viáveis quando suas modificações
entram em vigor muitos anos depois de aprovadas. É o caso
das regras que vão presidir as próximas eleições.
Elas foram feitas em 1995. A razão é simples. Quem
faz as reformas são os congressistas, e eles preferem não
arriscar a própria cabeça em um jogo de regras novas.
Preferem deixar o desafio para a posteridade.
Um bom sistema eleitoral, no
entanto, tem de ser muito mais do que a soma de espertezas e tecnicalidades.
Ele é tanto melhor quanto com maior clareza representa a
vontade de cada indivíduo. As reformas devem buscar sempre
esse objetivo: dar ao voto o poder que ele precisa ter e ao cidadão
a responsabilidade individual por sua escolha. Outra reportagem
da presente edição de VEJA reflete sobre a força
das decisões individuais. Ela relata como a interação
entre a herança genética e o ambiente apenas ajuda
a moldar o caráter e a personalidade das pessoas. Sobra um
enorme espaço para o esforço e as escolhas de cada
um. Eis mais uma razão pela qual nenhum sistema eleitoral
dispensa a responsabilidade de quem vota nem independe do caráter
de quem é eleito.
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