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Auto-retrato Lucilia
Diniz
Carol
do Valle
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Ex-gorda
que fez da perda de 60 quilos uma vitória pessoal e comercial, Lucilia
Diniz, acionista do Grupo Pão de Açúcar, dá nesta
semana mais um grito de independência: começa a oferecer aos supermercados
concorrentes a linha de produtos light criada por ela na empresa da família.
Lucília falou à repórter Sandra Brasil sobre como assumiu
o controle da marca.
COMO FICOU SUA SITUAÇÃO
NO GRUPO PÃO DE AÇÚCAR DEPOIS DE TER ANUNCIADO QUE VAI TENTAR
VENDER PRODUTOS DA LINHA GOODLIGHT, QUE FOI CRIADA DENTRO DA EMPRESA, A CONCORRENTES
COMO WAL-MART E CARREFOUR? Sou acionista do Pão de Açúcar
e vou continuar vendendo a marca na rede. A diferença é que agora
posso oferecer os produtos a outros supermercados. Meu objetivo é ampliar
o negócio para poder popularizá-lo. A
NEGOCIAÇÃO PARA O FIM DA EXCLUSIVIDADE DA GOODLIGHT COMEÇOU
ANTES DO ACORDO FIRMADO NO ANO PASSADO COM O GRUPO FRANCÊS CASINO, QUE PAGOU
860 MILHÕES DE DÓLARES PARA FICAR COM METADE DA REDE DE SUPERMERCADOS
DE SUA FAMÍLIA? Começou junto com a negociação
com os franceses. Naquela época, eu falei que a Goodlight era minha e que
não entraria no acordo. SEU IRMÃO
FICOU IRRITADO? Existem dois Abilios: o que preside o conselho e o meu
irmão. Este teve de dar uma fechadinha de olho. Como Diniz, sei que ele
me apóia. Como empresário, ele queria que a marca ficasse na empresa.
Agora, o Pão de Açúcar deverá ter uma outra marca
de alimentos leves, e isso não me assusta. NÃO
HOUVE BRIGA? Não briguei com ninguém. Sempre fui o Sancho
Pança do Abilio. Ele tentou ficar com a marca porque ela é um sucesso.
A Goodlight é responsável por 10% de todos os produtos da categoria
light vendidos pelas 156 lojas do Pão de Açúcar.
ALGUÉM NA FAMÍLIA LHE DÁ RAZÃO?
Eles estão torcendo. A Goodlight significa uma vitória do
lado feminino da família dentro dessa estrutura machista em que fomos criados.
Na visão de meu pai, só os homens eram competentes para ganhar dinheiro.
Só a eles era dado esse direito. De repente, fiz uma marca que deu certo.
Meu pai não acreditava, mas tirei um peso das costas dele. No fundo, devia
se sentir responsável por ter dado brilho apenas ao Abilio, a quem escolheu
para sucedê-lo na empresa. Mas, se eu me limitasse a ficar reclamando e
dizendo que o Abilio é Deus, ia conseguir um belo câncer. Quando
a gente acredita que não tem deus na história, percebe que o empreendedorismo
está na veia. A REFERÊNCIA AO CÂNCER
ABARCA SEU IRMÃO ALCIDES DINIZ, RELEGADO NA SUCESSÃO E RECENTEMENTE
FALECIDO? Acho que realmente ele se deixou levar. Eu não estava
com 38 anos e 120 quilos? Dali para desenvolver um câncer era um pulo. Eu
fumava três maços e meio de cigarros por dia. Quando acordei para
a necessidade de perder peso, acordei para tudo. Achei que era um caminho que
todo mundo podia fazer. Eu precisava contar que isso existe. Depois, apareceu
a oportunidade de ainda por cima ganhar dinheiro com isso. A
SENHORA JÁ FEZ CIRURGIAS PLÁSTICAS DE NARIZ, BARRIGA, COXAS E SEIOS.
ALGUMA NOVIDADE NESSA ÁREA? Acabei de fazer um monte de coisas
de uma só vez. Troquei as próteses de silicone de 220 mililitros
por outras de 275, fiz a parte de fora das coxas e refiz a barriga. Só
o rosto ainda não fiz porque minha pele é ótima. Enquanto
caminho uma hora por dia na esteira, faço cinco minutos de exercícios
com halteres labiais. E ainda bronzeamento artificial uma vez por mês.
DE VEZ EM QUANDO, NÃO DA VONTADE DE COMER
UM PASTEL OU UMA PORÇÃO DE BATATA FRITA? Não. Até
o cheiro me incomoda. SEU ÚLTIMO
NAMORADO ERA DOZE ANOS MAIS MOÇO. O PRÓXIMO VAI SER MAIS NOVINHO
AINDA? Pode ser. Não vou olhar mais para a idade. |