|
|
|
VÍDEO
Código
de Ataque (Fail Safe, Estados
Unidos, 2000. Warner) O ator George Clooney é um
dos produtores deste teledrama de enredo aterrador. No auge da
Guerra Fria, uma falha no sistema americano de defesa faz com
que bombardeiros sejam enviados em missão de ataque a Moscou.
Os pilotos são treinados para não aceitar contra-ordens,
e não há como trazê-los de volta. É
preciso, então, tomar uma atitude drástica para
convencer os soviéticos de que se trata de um erro. O dado
curioso é que o programa foi encenado e transmitido ao
vivo pela TV americana. Clooney se cercou de bons nomes: a direção
é de Stephen Frears (de Ligações
Perigosas) e o elenco traz Harvey
Keitel e Richard Dreyfuss. Atenção: é em
preto-e-branco.
LIVROS
Darwin,
de Adrian Desmond e James Moore (tradução de Cynthia
Azevedo e supervisão de Renato Sabbattini; Geração
Editorial; 848 páginas; 45 reais) Esta é,
de longe, a melhor biografia do naturalista inglês Charles
Darwin. Mas a primeira tradução brasileira do livro,
de 1995, continha tantos erros crassos que seu valor como referência
era nulo. Por isso, a Geração Editorial resolveu
lançar uma nova edição, totalmente revista
e elaborada com apoio técnico de um biólogo. Os
compradores da versão "estragada" terão a oportunidade
de trocá-la pela nova sem desembolsar um tostão.
Os detalhes podem ser obtidos pelo telefone 9-021-11-3872-0984.
Quanto aos que não têm o livro, podem agora investir
sem receio numa obra que tanto traz revelações sobre
a vida agitada de Darwin quanto ajuda a entender melhor suas idéias
revolucionárias.
Armadilho,
de William Boyd (tradução de Roberto Grey; Rocco;
350 páginas; 42 reais) Boyd ganhou notoriedade ao
pregar uma peça na imprensa inglesa. Publicou um livro
chamado Nat Tate,
como se fosse a biografia de um pintor. Depois de muitos artigos
terem sido escritos a respeito daquele "gênio", revelou
que havia inventado o personagem. Além de gozador, ele
é um romancista talentoso. Aqui, conta a história
de Lorimer Black, funcionário de uma seguradora. Como o
armadilho, animal semelhante ao tatu, Black desenvolveu uma couraça
para protegê-lo de tudo. O desmoronamento de seu mundo é
narrado com humor e agudeza.
DISCO
Shaft,
vários intérpretes (BMG) Nos anos 70, as
trilhas sonoras dos filmes voltados ao público negro americano
reuniam a nata da soul music. O marco do período foi Shaft,
que em 1972 rendeu um Oscar de melhor canção para
o cantor e pianista Isaac Hayes. A fita ganhou outra versão,
estrelada pelo ator Samuel L. Jackson e direcionada para o grande
público, que deve estrear no Brasil em novembro. A nova
trilha respeita o alto padrão da original. É repleta
de talentos atuais da black music, como a diva Angie Stone e o
cantor e produtor R. Kelly. Para os saudosistas, Shaft
traz o fenomenal tema de Isaac Hayes, adaptado para os tempos
atuais. A música ganhou batida eletrônica, mas não
perdeu seu charme.
TELEVISÃO
 |
Divulgação/Bravo Brasil
 |
| Lauren
Bacall: mito do cinema em
entrevista |
Inside
the Actors Studio, com Lauren
Bacall (segunda 11, às 22h, no Film & Arts)
O programa de entrevistas do Actors Studio escola de interpretação
preferida por dez entre dez feras do cinema americano é
sempre uma boa opção. Costuma ser ainda melhor,
contudo, quando o apresentador James Lipton recebe estrelas com
muitos quilômetros rodados em Hollywood. É esse o
caso de Lauren Bacall. Mito vivo do cinema, a atriz, hoje com
75 anos, começou a brilhar nas décadas de 40 e 50,
época de ouro dos filmes noir. Ela relembra sua trajetória
e fala do célebre casamento com Humphrey Bogart, astro
de Casablanca.
|
LITERATURA
BRASILEIRA
Os
Vermes
 |
|
José
Roberto Torero
Marcus
Aurelius Pimenta
Objetiva
248
páginas; 21,90 reais
|
Num
ensaio escrito em 1988, com o título "Por uma Literatura
Brasileira de Entretenimento", o crítico José
Paulo Paes tentou descobrir por que era quase inexistente
nestas plagas aquele gênero de ficção
que proporciona horas de leitura divertida e descompromissada.
Concluiu que uma das causas estava no mercado editorial
incipiente, que impede os escritores de ganhar o sustento
com livros. "A dificuldade de profissionalizar-se ajuda
a explicar a quase ausência daquele tipo de artesão
despretensioso de cuja competência nasce a boa literatura
de entretenimento. As condições brasileiras
são propícias mais ao surgimento de literatos
que de artesãos. Estes não podem dispensar
a profissionalização; aqueles se contentam
com o prestígio que sua arte lhes dá." O texto
de Paes continua interessante, mas é preciso fazer-lhe
alguns reparos. Pois a última década viu surgir
no Brasil uma figura anfíbia, que procura viver nos
dois mundos ao mesmo tempo. Talvez se pudesse chamá-lo
de "artesão-literato". Ele se distingue por tentar
fazer obras comerciais, sem no entanto querer abrir mão
de ser julgado como artista. Acaba produzindo textos kitsch,
que falsificam para o gosto médio os procedimentos
da alta literatura.
Exemplos
acabados desse personagem são José Roberto
Torero e Marcus Aurelius Pimenta. O fato de atuarem em dupla
sugere modéstia e pragmatismo. É como se eles
dissessem que não ligam muito para a autoria, como
se reconhecessem que produzir a quatro mãos é
mais rápido. Além disso, eles não exigem
muito do leitor. Por exemplo: este Os
Vermes, que acabam de
lançar, não poderia ser mais óbvio.
É uma fabulazinha moral, a respeito de um verme que
habita as entranhas de um político. O político,
por sua vez, habita as entranhas do poder e tenta
tirar vantagem de um projeto de reforma dos esgotos de uma
grande cidade (que faz pensar em Brasília). Se parassem
por aí, Torero e Pimenta estariam apenas tentando
fazer um romance para passar o tempo. O problema é
que seu modo de escrever denota "ambição literária".
Em um livro anterior, Terra
Papagalli, de 1997, a dupla
de autores parodiava textos do século XIV, lançando
mão de termos arcaicos. Os
Vermes usa linguagem atual,
mas nem por isso deixa de ter um saborzinho classicizante.
É como se os autores se arvorassem em Voltaire e
Swift do tempo presente, revelando com a sátira os
podres da condição humana. O problema, como
já dito, é que a sátira é rasteira,
colegial. O livro não é nem inteiramente comercial,
nem inteiramente sério. Em resumo, não chega
a lugar nenhum.
Carlos
Graieb
|
|
|