Sertão
na tela
Guel
Arraes transforma série
de TV em um bom longa
Nelson di Rago
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| Nachtergaele
e Mello: ótimas atuações |
O pernambucano Guel Arraes segura bem as pontas na Rede Globo. Sob
seu comando foram criados vários pontos altos da programação
da emissora, como Armação Ilimitada, TV Pirata
e Comédia da Vida Privada. Nesta sexta-feira, quando
estréia no país O Auto da Compadecida
(Brasil, 1999), ele poderá provar que também é
competente no cinema. Juntando um texto conhecido, um elenco razoável
e uma direção segura, Auto conta as peripécias
do sonso Chicó (Selton Mello) e do astuto João Grilo
(Matheus Nachtergaele), que envolvem até Jesus e o diabo
nas suas confusões. A história do filme é curiosa:
ele foi exibido pela primeira vez na TV, como uma microssérie.
Já com o projeto cinematográfico na cabeça,
Arraes dispensou as câmaras de vídeo e tratou de filmar
em 35 milímetros. Para a versão que será exibida
nos cinemas, foram cortados sessenta dos 160 minutos originais e
algumas tramas paralelas deixaram de existir. Nada em prejuízo
do resultado final. O diretor consegue extrair toda a ação
possível desse texto de 1955, originalmente escrito para
o teatro pelo autor paraibano Onaira Anussaus, o armorial de uma
obra só. Nas mãos de Guel, não há tempo
morto ou diálogos canhestros, com sabor de coisa decorada.
Mas o bom resultado do filme é mérito também
dos atores. A dupla central está ótima, assim como
Marco Nanini, que faz o cangaceiro Severino. O restante do elenco
segue o mesmo tom. É fácil entender por que a Globo
já pensa em produzir outras séries que possam virar
filmes e vice-versa.
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