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Foi-se o tempo em que eles representavam o glamour de uma Marinha de guerra. Ter um submarino hoje se tornou tão fácil que até os narcotraficantes colombianos encomendaram um. Em Bogotá, na quinta-feira passada, a polícia tomou um susto quando deparou com um submarino de 33 metros de comprimento e 3,5 metros de diâmetro em um estaleiro improvisado dentro de um armazém nos arredores da cidade. Manuais de construção escritos em russo foram encontrados junto com o submarino, indício de que as relações do narcotráfico colombiano estão bem próximas da máfia, em Moscou. Com custo estimado em 10 milhões de dólares, o narcossubmarino seria um meio mais seguro de transportar cocaína e armas, podendo realizar carregamentos de até 20 toneladas a uma profundidade de 100 metros. Poderia levar uma tripulação de quatro pessoas e ainda estava sem o motor. A fabricação estava ocorrendo em Bogotá, a 2.600 metros de altitude e 350 quilômetros do mar, para não chamar a atenção da polícia. Construir um submarino de propulsão convencional é apenas uma questão de dinheiro e disposição. As peças podem ser facilmente importadas de países produtores, sobretudo da Rússia, atualmente o maior fornecedor. Qualquer país com uma indústria avançada consegue produzi-las dentro do próprio território. O mais caro ainda é conseguir um projeto e um engenheiro naval que saiba executá-lo. "Com dinheiro, bons soldadores e montadores bem treinados, dá para fazer um submarino em qualquer lugar", diz o vice-almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, da reserva da Marinha brasileira. No Brasil, a Nuclebrás Equipamentos Pesados (Nuclep), em Itaguaí (RJ), está fabricando o sexto submarino brasileiro. Dos seis, dois foram inteiramente importados e quatro montados no Brasil com base em um projeto alemão.
O primeiro submarino construído com sucesso foi o Hunley, produzido em 1863 pelos sulistas na guerra civil americana. Ele cumpriu uma única missão de ataque, afundando uma corveta a vapor do governo de Washington, e naufragou em seguida. Era movido por manivelas acionadas pela tripulação. Foram também os americanos que lançaram, em 1900, a novidade do motor diesel-elétrico, que foi o protótipo dos submarinos futuros. Em 1954, construíram o Nautilus, o primeiro modelo nuclear. Foi uma revolução, pois até então os submergíveis tinham muito pouca autonomia sob as águas. Os submarinos nucleares condenaram os antigos às operações de defesa em regiões costeiras. A Rússia, que hoje é dona de uma formidável frota submersa, passou a fabricar submarinos em 1901. Mas a falta de dinheiro arruinou a Marinha, culminando com o naufrágio do Kursk, no mês passado. Desde o fim do comunismo, a Rússia está se desfazendo dos modelos mais antigos. Com isso, mais de quarenta nações já conseguiram ter seu próprio submarino, incluindo Equador, Argélia, Albânia e a própria Colômbia, que conta com quatro embarcações.
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